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Moda pós-pandemia será confortável, diversa e sustentável, segundo especialistas

Compartilhe:     |  4 de janeiro de 2021

Quando o home office obrigatório foi se alongando por meses a fio – para quem pôde – muitas das regras do “como ser produtivo em casa” perderam a validade. Uma delas, a de se arrumar tal como se você fosse sair para o escritório. Convenhamos, depois de tanto tempo qualquer roupa que te ajude a aguentar a barra já ajuda. Mas esse período de pandemia pode ter causado grandes reflexos no mundo da moda.

Peças antes associadas apenas ao ato de ficar em casa, como o tradicional moletom, se tornaram coringas cotidianos que podem e devem ganhar as ruas em 2021. “As pessoas voltarão a se arrumar depois da pandemia, mas de uma forma mais confortável”, analisa Kadu Dantas, frequentemente apontado como maior influenciador de moda masculina no Brasil. “O home office trouxe o conforto atrelado a uma tendência que já existia de roupas mais amplas. No retorno ao trabalho presencial um advogado dificilmente vai poder usar moletom, mas quem tem a liberdade deve voltar com algo nessa pegada. Tudo depende de até que ponto a pessoa pode ousar”, completa.

Para Bruno Pimentel, stylist de nomes como Letícia Colin, Majur, Fernanda Vasconcellos, Cris Vianna e Vaneza Oliveira, o conforto sempre foi uma tendência, mas agora se fez mais presente e necessário. “Essa pandemia veio para nos ensinar muita coisa, inclusive a nos respeitarmos e respeitar nossos corpos”, reflete. “Eu torço para que todos se sintam livres e usem kimonos, robes, moletons… enfim, o que se sentirem à vontade e confortáveis para usar”, diz.

Qual o estilo de 2021?

Há bons indícios de que o conforto deve conquistar mais espaço nos looks do pós-pandemia. Seja com a Pantone escolhendo um tom de cinza muito comum em moletons como a cor do próximo ano, seja com o uso de sneakers seguindo forte e sendo renovado por modelos rechonchudos e volumosos como os novos Yeezy Boost ou a silhueta feita por Jaden Smith para New Balance, chamada Vision Racer. Mas apesar de uma ou outra peça, o que não se pode cravar é que existirá apenas um estilo em 2021.

“Vai ser um ano muito curioso pra moda, porque de um modo geral não existe mais uma macrotendência”, conta Kadu. “Acredito na história do conforto e do tie dye se refletindo em roupas coloridas e mais alegres, leves, soltas, práticas. As marcas brasileiras estão apostando em estampas, roupas amplas, padronagens. Vai ser o oposto do clima de 2020”, conclui.

“O estilo 2021 vai ser plural e multiplicador”, segue Bruno em linha semelhante. “As pessoas estão conectadas nas redes, com informações de moda o tempo todo. É tanta informação que não se processa muito um ‘único’ estilo. Cada um faz sua leitura e passa sua própria informação. E quem recebe multiplica dentro da sua realidade inspirando outras pessoas. Isso tudo dentro das tendências e necessidades de cada um”, completa.

Durabilidade, qualidade e reuso

Além das peças escolhidas para ficar ou sair e do que isso pode significar para o futuro, 2020 representou para a indústria da moda uma grande inflexão. Segundo a pesquisa McKinsey Global Fashion Index, a arrecadação de empresas da área caiu cerca de 90% neste ano – em contraste a um crescimento de 4% em 2019. No cenário mais otimista, a indústria retomará seus níveis do ano passado apenas no segundo semestre de 2022.

“Qualquer que seja o cenário, esperamos que as condições difíceis continuem no próximo ano, em algumas regiões pelo menos, com números elevados de falências, fechamento de lojas e demissões”, prevê o relatório anual do Business of Fashion, maior autoridade em indústria da moda. “Ao mesmo tempo, a pandemia vai acelerar tendências que já estavam em movimento antes da crise, como as compras se voltando para o digital e os consumidores continuando a apoiar causas de justiça social”, diz o documento.

Para os especialistas, o “menos é mais” deve guiar empresas e consumidores em 2021: 65% dos ouvidos pela McKinsey disseram que querem comprar menos produtos, mas mais duráveis e de melhor qualidade, e que o fato de serem novos ou não é pouco importante para essa decisão. Aumenta assim a importância da sustentabilidade no processo de compra e produção, assim como o papel dos modelos de comércio circular, especialmente a revenda.



Fonte: Yahoo - Felipe Blumen



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