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Modelos econômicos atuais subestimam riscos das mudanças climáticas, diz Nicholas Stern

Compartilhe:     |  19 de junho de 2014

Um novo estudo do economista Nicholas Stern, autor do famoso relatório com seu nome, e de Simon Dietz, ambos do Instituto de Pesquisa Grantham sobre Mudanças Climáticas e Meio Ambiente, sugere que os riscos econômicos relacionados às consequências das mudanças climáticas são maiores do que o estimado anteriormente. Isso porque os atuais modelos criados para isso não levam em consideração as mais novas descobertas associadas ao fenômeno e seu impacto nos ecossistemas e na sociedade.

Por “subestimar grandemente” os riscos das mudanças climáticas, Stern afirma que os atuais modelos que calculam os efeitos do aquecimento global, como o DICE (dynamic integrated climate-economy), usado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) em seus últimos relatórios, apontam para impactos menores do que os que podem realmente ocorrer.

Por exemplo, a análise indica que o modelo atual sugere que uma perda de 50% no PIB global só aconteceria caso houvesse um aumento de 18ºC nas temperaturas globais, mesmo que tal aquecimento provavelmente tornasse a Terra inabitável para muitas espécies, incluindo os seres humanos. O modelo DICE também aponta para a possibilidade de que um aquecimento de 5ºC a 6ºC causasse danos catastróficos.

Já a nova avaliação sugere que danos sérios podem ocorrer ao planeta com níveis muito menores de aquecimento global, já a partir dos 2ºC. Segundo o trabalho de Stern e Dietz, os riscos provavelmente seriam tão grandes que um preço global para o carbono de US$ 32 a US$ 103 por toneladas de emissões seria necessário já a partir de 2015 para evitar que o aumento de temperatura ultrapassasse os 2ºC.

Além disso, dentro de duas décadas, o preço do carbono teria que quase triplicar em relação a esse patamar, chegando a entre US$ 82 e US$ 260 por tonelada, declararam os dois economistas em sua pesquisa, que será publicada no periódico The Economic Journal em setembro.

Dietz afirmou que o novo modelo visa levar todas as variáveis (por exemplo, em vez de fazer uma média dos riscos globais, levar em consideração como eles atingirão cada região do planeta) em consideração. O método indica que “os riscos das mudanças climáticas são maiores do que o retratado por modelos econômicos anteriores e, portanto, reforça a necessidade de fortes cortes nas emissões de gases do efeito estufa”, comentou ele.

Stern acrescentou que o novo modelo sugere que, se medidas não forem tomadas para cortar as emissões anuais de gases do efeito estufa, como substituir combustíveis fósseis por fontes renováveis, investir em eficiência energética e controlar o desmatamento, os padrões de vida atuais podem ser afetados até o final do século.

O economista, que em 2006 apresentou seu famoso relatório, que analisa o impacto econômico das mudanças climáticas, admitiu no ano passado que também havia subestimado o quão rapidamente o fenômeno teria consequências sobre a economia.

“Espero que nosso [novo] trabalho incite outros economistas a buscarem modelos muito melhores, que ajudarão os legisladores e o público a reconhecerem a imensidão dos possíveis riscos das mudanças climáticas não gerenciadas. Modelos que supõem que danos catastróficos não são possíveis não levam em conta a magnitude das questões e implicações da ciência”, concluiu.

(Instituto CarbonoBrasil)



Fonte: Mercado Ético



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