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Morre o ator Raphael Coleman, um dos líderes do movimento ambientalista Extinction Rebellion

Compartilhe:     |  15 de fevereiro de 2020

Coleman escreveu, em 2019, um artigo em que fala das queimadas na Amazônia e conta que foi preso na Embaixada do Brasil em Londres durante um protesto

O astro infantil de “Nanny McPhee – A Babá Encantada”, Raphael Coleman, morreu no dia 6 de fevereiro, na África do Sul, enquanto corria, de insuficiência cardíaca. De acordo com os familiares do ator, a prática fazia parte de sua rotina de defensor dos animais já que gostava de se manter em forma para ações de campo em defesa dos animais e do planeta. Ativista do movimento ambientalista Extinction Rebellion, Coleman tinha apenas 25 anos.

Liz Jensen, mãe de Coleman, publicou em seu perfil em uma rede social que “é difícil imaginar como a vida continuará”. “Estamos com o coração partido, mas tão orgulhosos dele e de seu trabalho. Ele inspirou tantas pessoas e foi muito amado”, escreveu. Ela disse, ainda, que este é o pior pesadelo para qualquer pai e mãe.

Coleman interpretou Eric Brown em “Nanny McPhee – A Babá Encantada”. Eliza Bennett, contracenou com Coleman no cinema e prestou uma homenagem via rede social: “Fiquei tão triste com a notícia sobre Raphael. Depois de trabalharmos em ‘Nanny McPhee’, ele dedicou sua vida a proteger a vida selvagem e combater as mudanças climáticas. Estou honrada por ter cruzado o caminho dele e meu coração está com sua família neste momento sombrio”, escreveu.

O ator Warren Draper lamentou a morte e disse, também via rede social, que “o maior tributo que podemos oferecer é continuar seu trabalho e construir um mundo melhor, mais corajoso e brilhante para todos”.

Coleman desistiu da promissora carreira no cinema para participar do movimento Extinction Rebellion. O grupo explicou ao site Daily Mail (11) que o ator morreu enquanto se exercitava na África do Sul como parte de um treinamento para impedir a caça de animais. Entre os ativistas, Coleman era chamado de Iggy.

Em nota, o grupo ainda acrescentou que “Iggy morreu como vivia: tentando fazer do mundo um lugar melhor, treinando para deter os caçadores ilegais na África e cercado por árvores e pessoas que se importavam com ele”. Coleman era o responsável pela mídia social do movimento e falou em algumas manifestações. De acordo com a mãe, ele chegou a ser preso várias vezes e foi um dos membros mais ativos do grupo.

A notícia da morte foi dada pelo padrasto de Coleman, Carsten Jensen, através de uma rede social. A publicação informava que Coleman passou mal e “não pode ser ressuscitado”.  Em um post longo e comovente, Jensen escreveu que “não há nada que faça você ver a morte tão injusta e sem sentido como quando um jovem morre”.

O ativista escreveu sobre os índios e as queimadas na Amazônia 

Depois de seu papel principal em Nanny McPhee, Coleman apareceu no filme do gênero terror de 2009, Anjo Maldito, como Daniel Davis. No mesmo ano, ele também interpretou Edward, em Edward’s Turmoil e em Contatos de 4° Grau, como Ronnie Tyler. Aos 18 anos seguiu sua paixão pela ciência e se tornou biólogo. Mais tarde se qualificou como mergulhador. Por fim, começou a trabalhar para o Extinction Rebellion.

Quando questionado pela imprensa internacional sobre o que desejava para o futuro, Coleman respondeu: “Eu gostaria de um futuro. No momento, meu futuro está pegando fogo no Brasil” – fazendo referências às queimadas no país.

Ele também escreveu um artigo para o jornal The Hourglass, em que cita o momento em que foi preso na Embaixada do Brasil em Londres, ano passado, por protestar contras as queimadas na Amazônia:

“Em 13 de agosto, seis de nós foram presos na Embaixada do Brasil em Londres por tomar ações diretas não violentas para destacar uma emergência ecológica e de direitos humanos. Fizemos isso quando duas mil mulheres indígenas marcharam em Brasília para defender suas vidas e terras, e três dias após os Dias do Fogo, quando milhares de incêndios foram acesos para limpar terras desmatadas na Amazônia.

Não quero ir para a prisão, mas enfrentarei o que for preciso. Minhas ações não são sobre sacrifício ou prisão por causa disso. Conhecendo a ciência, não tenho escolha a não ser dizer a verdade, e me ater à minha moral diante dessa verdade. Eu não vou ficar parado e assistir o mundo queimar.”

Veja a íntegra da carta AQUI



Fonte: Anda - Giovanna de Castro



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