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Mudança climática impede queda na desigualdade econômica global

Compartilhe:     |  28 de abril de 2019

A diferença entre a produção econômica dos países mais ricos e dos mais pobres é 25% maior hoje do que se não houvesse o aquecimento global

Sim, o aquecimento global tem muito a ver com a desigualdade econômica no mundo. Segundo estudo da Universidade Stanford, em Palo Alto, na Califórnia (EUA), desde 1960, as mudanças de temperatura decorrentes das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera enriqueceram países como a Suécia e a Noruega e empobreceram países quentes como a Índia e a Nigéria.

Os resultados do estudo mostram que a maioria dos países mais pobres do planeta ficou consideravelmente mais pobre por causa do aquecimento global. A afirmação é do cientista do clima e professor da School of Earth, Energy & Enviromental Sciences (Stanford Earth), Noah Diffenbaugh, um dos autores do estudo publicado recentemente na revista Proceedings of National Academy of Sciences. “Por outro lado, a maioria dos países ricos ficou ainda mais rica com o aquecimento global”.

Aos números

Feito em coautoria com Marshall Burke, professor assistente de Ciência do Sistema Terrestre, o estudo descobriu que, de 1961 a 2010, o aquecimento global diminuiu a riqueza per capita nos países mais pobres do mundo entre 17% e 30%. A diferença entre o grupo de nações com maior e com menor produção econômica per capita é agora aproximadamente 25% maior do que seria sem a mudança climática.

Isso significa que, embora a desigualdade econômica entre os países tenha diminuído nas últimas décadas, a diferença seria ainda menor sem o aquecimento global.

O estudo baseia-se em pesquisas anteriores em que Burke e demais coautores analisaram 50 anos de temperatura anual e medições do PIB de 165 países para estimar os efeitos das flutuações de temperatura no crescimento econômico. Eles demonstraram que o crescimento durante os anos mais quentes do que a média acelerou nos países frios e desacelerou nas nações quentes.

“Os dados históricos mostram claramente que as culturas são mais produtivas, as pessoas são mais saudáveis e somos mais produtivos no trabalho quando as temperaturas não são muito quentes nem muito frias”, explicou Burke.

Para chegar a essa conclusão, Diffenbaugh e Burke combinaram as estimativas publicadas com dados de mais de 20 modelos climáticos desenvolvidos por centros de pesquisa em todo o mundo. Usando os modelos climáticos para isolar o quanto cada país se aqueceu devido à mudança climática causada por ação humana, os pesquisadores puderam determinar qual seria a produção econômica de cada país se as temperaturas tivessem se mantido estáveis.

E, para explicar a incerteza, os pesquisadores calcularam mais de 20 mil versões do que a taxa de crescimento econômico anual de cada país poderia ter sido sem o aquecimento global.

Segundo Burke, os países tropicais, em particular, tendem a ter temperaturas muito além do ideal para o crescimento econômico. “Não há, essencialmente, nenhuma incerteza de que eles foram prejudicados”.

Mas é menos clara a forma como o aquecimento influenciou o crescimento em países nas latitudes médias, incluindo os Estados Unidos, a China e o Japão. Para esses e outros países de clima temperado, a análise revela impactos econômicos inferiores a 10%.

“Algumas das maiores economias do mundo estão próximas da temperatura ideal para a produção econômica”, explica ele. “Nesses casos o aquecimento global não só não os tirou do topo como os ajudou a se manter lá”, disse Burke. “No entanto, um grande aquecimento no futuro seguramente irá afastá-los cada vez mais da temperatura ideal [para se manter tão produtivos].”

Mesmo os aumentos sendo pequenos entre um ano e outro, os impactos da temperatura podem produzir ganhos ou perdas dramáticos ao longo do tempo. “É como uma conta de poupança, onde pequenas diferenças na taxa de juros geram grandes diferenças no saldo em 30 ou 50 anos”, comparou Diffenbaugh. Por exemplo, depois de acumular décadas de pequenos efeitos do aquecimento, a economia da Índia está agora 31% menor economicamente do que estaria sem o aquecimento global.

Em uma época em que as negociações sobre a política climática discutem como dividir equitativamente a responsabilidade pelo aquecimento futuro, a análise de Diffenbaugh e Burke oferece uma nova medida desse custo que, aliás, muitos países mais pobres já pagaram. “Nosso estudo faz a primeira contabilidade de quanto cada país foi impactado economicamente pelo aquecimento global, em relação às suas contribuições históricas de gases de efeito estufa”, afirmou Diffenbaugh.

Enquanto os maiores emissores desfrutam em média de cerca de 10% mais PIB per capita hoje do que teriam em um mundo sem aquecimento, os menores emissores foram puxados para baixo em cerca de 25%.

Os pesquisadores enfatizam ainda a importância de se aumentar o acesso à energia sustentável para o desenvolvimento econômico nos países mais pobres. “Quanto mais esses países se aquecerem, maior será o declínio em seu desenvolvimento”, disse Diffenbaugh. “Historicamente, o rápido desenvolvimento econômico foi alimentado pelos combustíveis fósseis. Nossa descoberta de que o aquecimento global exacerbou a desigualdade econômica sugere que há um benefício econômico adicional de fontes de energia que não contribuem para um aquecimento ainda maior ”, concluiu o pesquisador.

(Reportagem original de Josie Garthwaite)



Fonte: Página 22



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