Denúncia

Mudanças climáticas ameaçam preservação de múmias

Compartilhe:     |  29 de março de 2015

Deterioração causada por micróbios presentes nas coleções desafiam pesquisadores

Mudanças climáticas ameaçam preservação de múmias Vivien Standen/Divulgação

As cerca de 120 múmias Chinchorro do museu de Arica têm 7 mil anos Foto: Vivien Standen / Divulgação

Múmias da coleção do museu arqueológico da Universidade de Tarapacá em Arica, no Chile, começaram a se deteriorar em ritmo alarmante na última década, depois de bem-preservadas por milênios. Em alguns casos, transformaram-se em gosma negra. O fato levou os chilenos a procurar, na Europa e na América do Norte, especialistas em resolver mistérios em torno de artefatos culturais ameaçados.

Professor emérito de biologia aplicada na Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard, nos EUA, Ralph Mitchell usou seu conhecimento da microbiologia ambiental para identificar as causas da decadência. Amostras — tanto de pele danificada quanto sem danos — foram enviadas pela professora de arqueologia no departamento de antropologia e de análises arqueométricas e laboratoriais de pesquisa da Universidade de Tarapacá, Marcela Sepulveda.

— Sabíamos que as múmias se deterioram, mas ninguém entendia por que. Esse tipo de degradação nunca foi estudado antes. Queríamos responder a duas perguntas: o que estava causando isso e o que poderíamos fazer para evitar um maior dano — disse Mitchell em entrevista ao site da universidade americana.

Tornou-se evidente que a degradação foi microbiana. Mas era necessário determinar se um microbioma da pele foi o responsável. Isolaram micróbios de pele degradada e preservada e colocaram em pele de porco, submetendo à exposição de diferentes níveis de umidade. A pele do animal começou a se deteriorar 21 dias após ter sido exposta à alta umidade.

— Em muitas doenças que encontramos, o micróbio está presente desde sempre nosso corpo. Quando o ambiente muda é que ele se torna um oportunista — explicou Mitchell.

A descoberta faz sentido levando em consideração os relatos de Marcela sobre o aumento dos níveis de umidade em Arica.

As análises da pesquisa sugerem que a faixa de umidade ideal para múmias mantidas no museu ficou entre 40% e 60%. Mais testes ainda são necessários para avaliar o impacto da temperatura e da luz. Os resultados ajudarão a ajustar a temperatura do museu chileno, a umidade e a luz para preservar as múmias de sua extensa coleção.

Uma das preocupações de Mitchell, a partir do estudo é: “Como preservar aqueles ainda fora do museu? Existe uma resposta científica para proteger esses importantes objetos históricos dos efeitos devastadores das mudanças climáticas?”

Fonte: Zero Hora



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