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Mudanças climáticas estão ligadas a complicações na gravidez

Compartilhe:     |  3 de julho de 2020

Os impactos negativos que as mudanças climáticas vão trazer para nossa vida são graves, desde a redução das áreas para agricultura até ameaças às reservas de água, passando por desastres naturais cada vez mais intensos e frequentes.

Mas uma das maiores preocupações em relação às mudanças climáticas é o seu efeito sobre a saúde humana, o que inclui mulheres grávidas e embriões.

Nos últimos anos, uma série de estudos mostrou como a exposição ao ar poluído aumenta o risco de aborto, nascimentos prematuros, bebês com pouco peso, assim como problemas na produção de espermatozoides para o homem e dificuldade de engravidar para mulheres.

Recentemente, um estudo mais abrangente, publicado pelo periódico científico Journal of the American Medical Association, pesquisou a fundo o impacto das mudanças climáticas em problemas na gestação. Cientistas analisaram 57 estudos prévios, publicados entre 2007 e 2019, observando as ligações entre a exposição à poluição atmosférica durante a gravidez e o nascimento de bebês abaixo do peso, prematuros ou natimortos.

Milhões de partos avaliados

Dados de mais de 32 milhões de partos realizados e uma maioria significativa comprovou a associação de poluição atmosférica e riscos crescentes para os embriões: 84% dos estudos concluíram que o ar poluído é prejudicial para a gravidez e 90% apontaram temperaturas mais altas como um fator de risco.

Algumas comunidades nos Estados Unidos se mostraram mais suscetíveis a estes riscos, são pessoas que vivem em ilhas de calor – áreas urbanas com densidade populacional cercadas por concreto e com pouca presença de árvores ou outros tipo de vegetação – ou em regiões mais próximas de áreas industriais com maiores índices de poluição. As pessoas que vivem nestas comunidades também estão expostas a níveis mais altos de estresse a longo prazo.

Mães negras

O estudo revelou que mães negras, um grupo que já tem chances 2,5 vezes maiores de darem a luz a bebês abaixo do peso, estão muito mais expostas aos riscos provocados pela poluição e mudanças climáticas, assim como mulheres asmáticas.

“Neste momento em que estamos protestando contra injustiças raciais e condições desiguais de saúde, não fazer nada a respeito da poluição do ar, que tem um impacto maior na comunidade negra, é uma forma de atuação racista|, defendeu Catherine Garcia Flowers, ativista do grupo de Mães Contra a Poluição do Ar, em entrevista ao jornal The New York Times.

Descobertas alarmantes

Alguns casos que compõe o estudo reforçam descobertas alarmantes. Uma analise de aproximadamente 500 mil partos na Flórida descobriu que a chance de que uma mulher dê a luz a uma criança abaixo do peso aumenta 3% a cada 5 quilômetros de proximidade que a sua residência fica de centrais de resíduos que produzem energia. Uma relação similar existe com centrais de produção de energia e a moradia das futuras mamães.

Um dos estudos avaliados revelou que a cada grau Celsius de acréscimo de temperatura na semana que antecede o parto significa uma possibilidade 6% maior de natimortos e que a exposição a altos índices de poluição atmosférica no terceiro trimestre da gestação aumenta a possibilidade de natimortos em até 42%.

O relatório traz um retrato triste e grave do que significa a gravidez em um planeta poluído. O fato do feto estar protegido pelo corpo da mãe não significa que ele seja imune ao mundo exterior e é mais importante do que nunca que políticas ambientais e regulamentações sobre a poluição atmosférica sejam estabelecidas para garantir a saúde das próximas gerações.

Engajamento

“Já temos uma geração mais fraca desde o nascimento. Não podemos deixar que isso aconteça… Gostaria de ver muitos outros profissionais da saúde engajados e cobrando leis que ajudem a combater as consequências devastadoras do aquecimento global para a saúde|, declarou o Dr. Bruce Bekkar, obstetra aposentado e co-autor do estudo, em entrevista ao The Guardian.

Bekkar diz esperar que os profissionais de saúde alertem suas pacientes grávidas a respeito dos riscos que as mudanças climáticas representam e as peçam para a evitar locais poluídos e altas temperaturas ao máximo. Enquanto isso, este conhecimento precisa ser convertido em ativismo, para que nossos representantes imponham limites mais rígidos e evitem que a situação fique ainda pior do que já está.

É importante ressaltar que é preciso combater também o racismo estrutural que afeta desproporcionalmente comunidades marginalizadas. “Precisamos de políticas que garantam igualdade de oportunidades para comunidades negras. Pelo combate ao racismo estrutural vai acabar indo de encontro a estas questões|, explicou o Adrien Hollis, da União de Cientistas, que estuda Justiça Climática e Saúde  ao jornal The New York Times.



Fonte: CicloVivo - Natasha Olsen



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