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Mudanças climáticas provocarão ‘impactos irreversíveis’ nos ecossistemas, dizem cientistas

Compartilhe:     |  30 de outubro de 2014

Vinte e sete ecossistemas podem sofrer impactos “graves, invasivos e irreversíveis”, que atingirão seres humanos e outras espécies, se não forem tomadas providências imediatas contra o aumento de eventos extremos do clima. A maior preocupação são os corais, cuja presença não é muito marcante no Brasil. O tema marcou as discussões de 500 cientistas reunidos nesta quarta-feira em Copenhague, responsáveis por concluir nesta sexta o último relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

Os delegados de 120 países chegaram à Dinamarca no início da semana para cumprir uma árdua missão — cortar pela metade o conteúdo de três documentos, elaborados há mais de um ano. Além do “cientifiquês”, a tesoura também mexe de acordo com a vontade política de cada país. A versão final do relatório terá, no máximo, 50 páginas, e será um reflexo do que a comunidade internacional está disposta a fazer contra as mudanças do clima.

— Precisamos reescrever para sintetizar (os outros documentos). Revisamos linha por linha — descreve Suzana Kahn, vice-presidente do IPCC. — Todas as probabilidades são questionadas. Uma das coisas que considero bizarra é a substituição da palavra “medidas”, que têm conotação política, por “opções”.

TEXTO MAIS OBJETIVO

Segundo Suzana, é necessário abreviar o documento porque “quanto mais informação você passa, menor é o impacto do que se quer ressaltar”.

— Fica tudo muito diluído. Além disso, não há tomador de decisão que leia mais do que poucas páginas.

Até a classificação de “países em desenvolvimento” gera controvérsia. Algumas delegações alegam que o termo, que vem do Banco Mundial, não poderia ser usado como fonte científica. Sua revisão pode repercutir nas negociações do IPCC, já que as nações em desenvolvimento reivindicam metas menos rigorosas para o corte de emissões de CO2.

O relatório final do IPCC pautará as discussões da Conferência do Clima de Paris, em dezembro de 2015. Espera-se que o encontro seja encerrado com um acordo global, em que cada país comprometa-se legalmente a diminuir a liberação de gases-estufa. As emissões destas substâncias devem ser reduzidas entre 40% e 70% até 2050, para que a temperatura média da Terra suba menos do que 2 graus Celsius no fim do século. No cenário atual, ela poderia chegar a 7 graus Celsius até 2100.

Na semana passada, a União Europeia anunciou que reduzirá em 40% suas emissões de gases-estufa até 2030, comparadas aos índices verificados em 1990.



Fonte: O Globo



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