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Mulheres têm até três vezes mais chances de ter intestino preso na gravidez

Compartilhe:     |  16 de outubro de 2020

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Finlândia Oriental aponta que mulheres têm de duas a três vezes mais chances de ter intestino preso durante a gravidez do que em qualquer outra fase da vida. Para a pesquisa, publicada em 8 de outubro no International Journal of Obstetrics & Gynecology (BJOG), foi avaliada a incidência de constipação e outros problemas gastrointestinais em mais de mil mulheres em idade fértil, entre elas grávidas, puérperas e não grávidas.

De acordo com o levantamento, a prevalência de constipação intestinal foi de 40% nas gestantes e 52% nas puérperas, índices superiores ao registrado no grupo de controle (não grávidas), onde 21% apresentavam constipação.

Poucos dias após o parto, a prevalência de constipação foi menor após o parto vaginal (47%) do que a cesárea (57%). Um mês após o parto, a prevalência de constipação intestinal foi baixa: 9% após o parto vaginal e 15% após a cesárea.

“Nossos resultados mostram que a constipação e outros problemas gastrointestinais são muito comuns. É por isso que é importante investir em sua prevenção e tratamento, e no aconselhamento relacionado, tanto durante a gravidez quanto após o parto”, escreveram os autores.

Intestino preso na gravidez: por que isso acontece?

De acordo com o Dr. Alberto d’Áuria, ginecologista e obstetra da Maternidade Pro Matre, em São Paulo, a gravidez por si só tende a causar alterações na composição do estômago, boca, intestino e vagina da mulher, visando à preparação do microbioma da mãe para o momento do parto. “A progesterona, considerada o hormônio da gravidez, reduz a velocidade do intestino e do fluxo de esvaziamento gástrico. Além disso, ao engravidar, a mulher muda naturalmente a composição do seu microbioma. Ela precisa estar mais sensível a tudo que come para detectar, por exemplo, alimentos que não estão próprios para consumo, e o corpo começa a se preparar para o momento do parto, onde o microbioma da mãe terá um papel fundamental para formar o microbioma do bebê. Tudo isso tende a afetar o funcionamento do intestino da mãe”, explica.

Alguns sinais desse desequilíbrio intestinal, chamado de disbiose, são odor forte ao defecar, fezes ressecadas e fragmentadas, e menor frequência de idas ao banheiro. Além do desconforto, o impacto da constipação interfere no equilíbrio de todo o corpo, já as fezes ficam mais tempo do que o ideal dentro do intestino, que reabsorve parte do que deveria ter sido eliminado.

Para prevenir ou reverter o quadro, o obstetra sugere uma alimentação rica em fibras, evitar o consumo de alimentos muito ácidos ou com fermentação, priorizar a ingestão da proteína e peixes e frango (evitando carne vermelha), e manter uma dieta pobre em farinhas e sem açúcar. “Em casos específicos, também é possível que o médico manipule um pool que permita que a mulher consiga construir uma microbiota mais saudável, com lactobacilos específicos para esse momento”, indica.

A importância de olhar para o intestino da mãe também está relacionada à saúde do bebê. “O microbioma da mãe vai contribuir para o microbioma do bebê. Ele começa a formar o seu microbioma com a ingestão de líquido amniótico – que deve estar bem composto; depois ao passar pelo canal vaginal no momento do nascimento; ao nascer, quando tem o primeiro contato com o mamilo da mãe; e finaliza esse processo na amamentação, durante os seis primeiros meses de vida. Um bebê que passou por todas essas etapas tem uma imunidade muito melhor”, explica.

Outro benefício destacado pelo especialista tem relação com a serotonina – molécula relacionada ao nosso estado de bem-estar. “90% da serotonina do corpo é produzida no intestino. Sem serotonina, essa mão tem mais chance de desenvolver depressão. Embora não tenha dados de estudos robustos sobre isso, tenho feito essa associação com bastante clareza na prática. Mais um motivo para corrigir a disbiose o quanto antes”, conclui.



Fonte: Revista Crescer



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