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Multinacionais buscam startups para dar um outro fim a embalagens

Compartilhe:     |  5 de setembro de 2018

Pressionadas pelas leis e pelos consumidores, multinacionais estão buscando a ajuda de startups para solucionar o problema das embalagens e seu descarte incorreto no ambiente.

Ágeis para desenvolver inovações tecnológicas, essas empresas iniciantes prometem ajudar a desenhar um futuro com menos lixo e materiais mais ecológicos.

No Canadá, a Loop Industries, startup de Montreal criada em 2015, vem ganhando destaque graças ao sistema inovador que desenvolveu.

Diferentemente dos processos usuais de reciclagem mecânica, a Loop desconstrói o plástico em blocos construtivos básicos (monômeros), que são separados das impurezas por um processo químico.

Depois, os monômeros são recombinados para criar um novo PET, de qualidade idêntica à da resina virgem, que pode ser utilizado em embalagens de alimentos, bebidas e cosméticos -o que nem sempre é permitido quando se trata de materiais pós-consumo reciclados.

A tecnologia atraiu companhias que buscam desvincular suas imagens da poluição causada pelas embalagens. Em julho deste ano, o grupo de cosméticos L’Oréal fechou um acordo com a Loop para incorporar a resina pós-consumo nas embalagens dos produtos comercializados na Europa e nos EUA.

A Evian, marca de água mineral da Danone, também assinou com a startup para utilizar a resina PET reciclada em suas garrafas. O objetivo é usar apenas plástico reciclado até 2025. A marca de isotônicos Gatorade, da PepsiCo, implementará a tecnologia da startup em um programa de reciclagem de garrafas.

Uma das vantagens da técnica é que ela permite reinserir como matéria-prima na indústria até os plásticos que estão abandonados no ambiente, sujos e degradados pela ação de agentes externos.

“Muitos recicladores não coletam resíduos, porque eles podem contaminar o produto final. A tecnologia que desenvolvemos elimina esse problema”, afirma Nelson Switzer, diretor de crescimento da Loop Industries.

Ele explica que as empresas estão buscando alternativas para produzir riqueza a partir do que seria descartado. “Essa é a espinha dorsal da economia circular: gerar valor econômico e ambiental a partir do que hoje é considerado lixo”, diz Switzer.

No Brasil, o casamento entre grandes empresas e startups também tem sido bem-sucedido. A New Hope Ecotech, no mercado há três anos, criou um sistema de rastreabilidade que conecta as companhias que precisam fazer a logística reversa de suas embalagens com as cooperativas e recicladores aptos a coletar os materiais recicláveis.

Os fabricantes reportam à startup a quantidade de embalagens que é colocada no mercado, e a New Hope Ecotech comunica cooperativas e recicladores cadastrados em sua base de parceiros o total que deverá ser reciclado. Um software mapeia o fluxo de resíduos.

Na etapa seguinte, a startup emite um certificado de compensação ambiental. Com o selo, batizado de Eureciclo, as empresas podem comprovar suas ações de logística reversa junto ao governo e ao Ministério Público, que vem aumentando a fiscalização.

“Foi mais pela dor do que pelo amor, mas o fato é que a cobrança sobre as empresas fez aumentar a demanda pela nossa tecnologia, que traz segurança jurídica ao processo”, afirma Thiago Pinto, 33, um dos fundadores da New Hope Ecotech.

Hoje cerca de 400 empresas e associações setoriais utilizam o selo. A startup não divulga faturamento, mas a expectativa é que sua receita quadruplique neste ano graças ao aumento da demanda.

A Wise, de Itatiba (a 85 quilômetros de São Paulo), nasceu com a ideia de desenvolver e dar escala comercial à chamada madeira plástica, material de alta resistência fabricado com plástico reciclado que substitui a madeira em aplicações como dormentes de ferrovia.

Por ser um mercado limitado, a empresa passou a produzir também resinas a partir do plástico pós-consumo para substituição do material virgem. Chega a utilizar plásticos recolhidos em mutirões de limpeza de praias e mares, e também recolhe materiais por meio de centrais de triagem em aterros sanitários.

Os clientes estão nos setores de eletroeletrônicos, automotivo e de bens de consumo -entre eles a Unilever, que utiliza as resinas da Wise na produção de embalagens de marcas como Omo e Seda.

“A demanda pelo uso da resina reciclada é crescente, o consumidor quer ver material reciclado nos produtos que consome”, diz Bruno Igel, diretor-geral da Wise.

A dificuldade é fazer com que os plásticos que estão no ambiente sejam reinseridos no processo produtivo, já que não há incentivos fiscais. A resina de plástico reciclado paga o mesmo imposto que a resina virgem.

Os materiais pouco valorizados pelas cooperativas são alvo da Boomera, startup que se especializou em soluções para resíduos difíceis de reciclar.

A empresa criada em 2011 pelo engenheiro de materiais Guilherme Brammer patenteou tecnologias para transformar materiais como cápsulas de café expresso e BOPP, um tipo de plástico revestido com alumínio, e opera um projeto piloto de reciclagem de fraldas descartáveis.

O salto foi dado quando Brammer procurou grandes empresas para propor que trabalhassem em soluções para esses resíduos.

Para o BOPP, por exemplo, a startup engajou cooperativas na coleta do material pagando um valor acima do mercado e desenvolveu uma resina, que passou a ser utilizada pela PepsiCo na fabricação de displays de divulgação de produtos. Com a Dolce Gusto, marca de café em cápsulas da Nestlé, desenvolveu outro tipo de resina a partir das cápsulas trituradas, que pode ser utilizada para confecção de novos produtos relacionados com o universo do café, como porta-cápsulas.

“As startups não vão inventar a roda, mas sim acelerar a roda, já que detêm o conhecimento específico que as grandes empresas não têm”, diz Brammer. Ele conta que as companhias já consultam startups na etapa de desenvolvimento de um novo produto ou escolha de uma embalagem, o que era impensável há cinco anos.

“Eles querem saber qual material utilizar na embalagem, se é fácil de reciclar, como podem incorporar resíduos pós-consumo na fabricação. É um salto”, diz. Com as tecnologias que desenvolve, a Boomera vê seu faturamento crescer mesmo em um cenário de economia retraída: faturou R$ 20 milhões em 2017 e prevê dobrar a receita neste ano. Com informações da Folhapress.



Fonte: MSN - Notícias ao Minuto



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