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Múmia egípcia de 2,5 mil anos é identificada em cidade do interior do Brasil

Compartilhe:     |  2 de junho de 2019

Especialistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) confirmaram a identidade de um crânio de múmia que chegou ao Brasil na década de 1950 e está no acervo de um pequeno museu de Cerro Largo, cidade gaúcha com população estimada em 14 mil habitantes. Apesar de pouco conhecida, é uma das duas únicas múmias egípcias restantes no Brasil.

Iret-Neferet, como foi nomeada, tinha pouco mais de 40 anos quando morreu, e viveu em algum momento entre o período Intermediário III (1070-712) e o início do Período Tardio (Saíta-Persa: 712-332 a.C.) do Egito.

 

Embora tenha chegado ao Brasil nos anos 1950, o item raro só começou a ser estudado com atenção em 2017. Édison Hüttner, coordenador do Grupo de Estudo Identidade Afro-Egípcias da PUCRS, foi quem resolveu pesquisar o objeto após alguns anos vivendo na Europa. “Percebi a potencialidade do material”, contou em entrevista à GALILEU.

 (Foto: Bruno Todeschini/divulgação PUC-RS)

Segundo o especialista, não se sabe exatamente a origem da múmia, mas histórias que vêm sendo contadas há décadas indicam que o crânio chegou ao Brasil por meio de um egípcio. A cabeça acabou sendo deixada de herança para um advogado brasileiro, que a doou para os organizadores do Museu 25 de Julho, da cidade de Cerro Largo (RS), a 499 quilômetros de Porto Alegre.

Por dentro
Hüttner e sua equipe também realizaram uma tomografia na múmia, o que lhes permitiu constatar que seu olho é composto de uma rocha carbonática de composição calcítica: “Comparamos [as imagens] com as de outras múmias e descobrimos que isso não é tão incomum, o que foi importante para nós”, destaca.

 (Foto: Bruno Todeschini/divulgação PUC-RS)

A cabeça também apresenta uma perfuração sobre o osso etmoide (na altura do nariz), que foi realizada para a remoção do cérebro, procedimento próprio da mumificação. “Mas geralmente o furo não é tão demarcado”, relatou o especialista. Além disso, foram encontradas 90 faixas de linho envolvendo o crânio mumificado, além de seda e fios de cabelo.

Raridade
Hoje só se tem conhecimento de mais um exemplar de múmia egípcia no Brasil além de Iret-Neferet: Tothmea, que chegou dos Estados Unidos em 1995 e hoje está no Museu Egípcio Rosa Cruz de Curitiba (PR).

Outros objetos do tipo foram trazidos para o país pelos imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, mas foram destruídos ou perdidos no incêndio que ocorreu no fim de 2018, no Museu Nacional (RJ).



Fonte: Revista Galileu



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