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Museus de história natural se mobilizam para salvar as espécies ameaçadas

Compartilhe:     |  19 de maio de 2019

Uma semana após a publicação de um relatório alarmante da ONU sobre os danos à natureza e a ameaça de extinção que paira sobre milhares de espécies, os diretores de vários museus de história natural se reuniram no Vaticano numa mobilização em favor da biodiversidade.

No encontro, organizado pela Pontifícia Academia das Ciências, intitulado “Ciências e ações para a proteção das espécies – Novas Arcas de Noé para o Séc. XXI”, os especialistas manifestaram sentimentos comuns, entre a esperança e o pessimismo.

“Precisamos de um argumento sólido para convencer as pessoas da importância da biodiversidade”, reconheceu Peter Raven, professor de botânica da Universidade de Saint Louis, Missouri, Estados Unidos.

Quando falamos sobre a importância crucial dos microorganismos para a vida na Terra, inclusive para os seres humanos, as pessoas “perdem o interesse”, lamenta o especialista em vida vegetal.

“Sem as bactérias não existiríamos”, ressalta o diretor do Museu de História Natural de Paris, Bruno David, recordando que em nossos corpos as bactérias são dez vezes mais numerosas do que as células humanas e são essenciais para a digestão.

Esses argumentos são insuficientes para sensibilizar as pessoas sobre a necessidade de defender a biodiversidade, algo que é percebido como distante.

Quando se fala de natureza, a maioria das pessoas imagina um mundo selvagem, que não diz respeito ao seu meio ambiente, explica Lori Bettison-Varga, que dirige o Museu de História Natural de Los Angeles.

Para ela, é fundamental mudar essa ideia e transmitir “o prazer de viver na natureza”.

É por isso que desenvolveu um programa para enviar jovens e adultos para atividades de campo, para que compreendam que o ser humano não é a única espécie que vive na Terra, mesmo dentro de uma cidade grande como Los Angeles.

O projeto identificou trinta novas espécies dentro e ao redor da cidade. Por que então proteger a biodiversidade se constantemente descobrirmos novas espécies? É a pergunta que muitas vezes é feita à especialista em geologia e pedagogia.

– ‘Como os parafusos da Torre Eiffel’ –

“A biodiversidade é como os parafusos da Torre Eiffel: se retirarmos um, nada acontece, ou mesmo dois, e assim por diante até a torre cair, e nunca se sabe qual era o mais importante”, explica David.

Também é importante formar as pessoas mais ignorantes, “porque elas votam”, sustenta Richard Larivière, que dirige o Field Museum, o Museu de História Natural de Chicago.

Esses líderes, amantes da natureza e ardentes defensores de sua diversidade, relutam em se apresentar como militantes.

Especialmente nos Estados Unidos, explica Bettison-Varga, onde os museus são entidades altamente respeitadas precisamente porque são neutras e fora da arena política.

Sua função é fornecer conhecimento para servir de base para a ação, assegura Larivière.

Apesar disso, a tarefa vislumbrada à frente é urgente, segundo o especialista.

“O que não é salvo hoje, nunca será salvo”, diz ele. “Sou muito pessimista”, conclui.

Um milhão de espécies estão ameaçadas de extinção e o ritmo está se acelerando, de acordo com um relatório da ONU divulgado em 6 de maio, que pede uma “profunda mudança” da sociedade para reparar os danos à natureza.



Fonte: MSN - AFP.com



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