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Na indústria, empresas como a Bayer já adotam a prática do reúso da água

Compartilhe:     |  11 de agosto de 2014

A água é um recurso fundamental para a vida na Terra. Para o Brasil, é especialmente estratégico, já que o país abriga mais de 17% de toda a água doce do planeta e tem sua matriz elétrica conectada à disponibilidade de recursos hídricos, alerta o WWF-Brasil, uma ONG nacional, participante de uma rede internacional e comprometida com a conservação da natureza dentro do contexto social e econômico brasileiro.

Nosso futuro como espécie depende de como gerenciamos e cuidamos desse bem precioso. Um das muitas formas de fazer isso é o reuso de água. Talvez você se surpreenda se dissermos que este não é um procedimento novo. E não é mesmo. Existem relatos de sua prática na Grécia Antiga, com a disposição de esgotos e sua utilização na irrigação. No entanto, a demanda crescente por água tem feito do reúso planejado da água um tema atual e de grande importância.

O Cirra (Centro Internacional de Referência em Reúso de Água) divide basicamente o reuso em quatro tipos: industrial, urbano, agrícola e no meio ambiente.

O reuso urbano pode ser feito de muitas maneiras, como na limpeza de quadras esportivas, torres de resfriamento, lavagem de carros, descarga de toaletes, reservas de incêndios, compactação de solo, controle de poeira e produção de concreto na construção civil, fontes e espelhos d’agua, entre outros.

No segmento agrícola brasileiro, a demanda por água é de cerca de 70% do total, de acordo com o Cirra. Essa necessidade significativa torna o reuso prioritário, com suas possíveis aplicações em irrigação de pastagens e diversas culturas, bem como em açudes e bebedouros para animais.

Reuso na indústria

No Brasil, as atividades industriais respondem por aproximadamente 20% do consumo de água. Diante da cobrança que vem sendo feita pela ANA (Agência Nacional das Águas), a reciclagem de água no setor passa a ser uma ferramenta de gestão fundamental em favor de práticas cada vez mais sustentáveis. Caldeiras, sistemas de resfriamento, lavagens são apenas algumas das formar de viabilizar o reúso, deixando-se assim as fontes de água de boa qualidade para o abastecimento público.

Muitas opções para reutilizar água
Muitas opções para reutilizar água

De olho no problema, a Bayer adotou em seu parque industrial em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, uma série de procedimentos com foco na redução do volume consumido e investiu no tratamento e reuso da água utilizada no processo industrial. Além disso, também utilizou sistemas para minimizar o desperdício da água potável, como a instalação de torneiras automáticas e medições mensais de consumo. Hoje, 85% da água consumida no complexo fabril é proveniente de reuso.

Tudo começou há sete anos, quando a Bayer implantou um moderno sistema que capta água do rio Sarapuí. O volume captado é tratado na ETA (Estação de Tratamento de Água) e utilizado nos processos industriais instalados no parque. Os resíduos líquidos resultantes deste sistema passam por uma série de etapas na ETDI (Estação de Tratamento de Despejos Industriais) e são descartados no rio com qualidade superior à do momento da captação.

Estação de Tratamento de Água

Medidas de melhorias e a instalação de um reservatório para armazenamento da água tratada propiciaram maior autonomia e ganhos em volume e eficiência ao sistema implantado, com o intuito de reduzir o consumo da água potável fornecida pela concessionária local, a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto).

“Além de modernização e otimização do sistema de osmose reversa, que é parte essencial no tratamento de água captada, instalamos um reservatório que dá maior autonomia, uma vez que temos água captada e tratada de reserva para alimentar as fábricas, em caso de aumento na demanda ou paralisação da captação, por conta de manutenções programadas”, destaca Ricardo Amaral, gerente de Energias da Bayer.

Com esse sistema e práticas de reúso, além de fechar o ciclo ecológico de gerenciamento de recursos hídricos, a Bayer deixa de consumir 78 mil m³ de água potável mensalmente, volume suficiente para suprir a necessidade mensal de consumo de cerca de 23 mil pessoas – levando em conta que a base do consumo per capita recomendado pela ONU (Organização das Nações Unidas) é de 110 litros diários por habitante. Em sete anos, a Bayer já deixou de consumir quase 4 bilhões de litros de água potável fornecida pela Cedae.

Do volume total captado e tratado, cerca de 65% é utilizado nos processos industriais e os outros 35% retornam ao rio Sarapuí, em qualidade visivelmente superior à que foi captada, sem uma série de resíduos e poluentes que impactam o meio ambiente. O sistema de tratamento de efluentes (ETE e ETDI), que utiliza também as mais modernas tecnologias, tem capacidade de tratar 150 mil litros por hora, ou seja, 108 mil metros cúbicos/mês.



Fonte: Bayer Brasil



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