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Não aguenta, bebe leite: veganos e intolerantes à lactose podem brindar o sucesso da Perfect Day

Compartilhe:     |  11 de julho de 2020

Startup americana que desenvolve em laboratório uma solução idêntica ao leite da vaca acaba de levantar US$ 160 milhões em investimentos. Produtos servem para abastecer a indústria de laticínios, viabilizando opções veganas de sorvetes, manteigas, iogurtes e outros itens. Seu fundador conta a estratégia ao NeoFeed.

Otimista até no nome, a Perfect Day viu seu copo, sempre meio cheio, transbordar. A startup, que fabrica uma solução proteica vegana idêntica ao leite, levantou US$ 300 milhões em uma rodada liderada pela Canada Pension Plan Investment Board.

No total, a empresa com sede em Berkeley, na Califórnia, acumula US$ 361,5 milhões em investimentos provenientes de fundos como Temasek Holdings e Horizons Ventures.

Com o dinheiro, a companhia pretende ganhar mais escala, mas com o crescimento, por enquanto, focado no mercado americano. “Estamos com o pé no acelerador e agora que a pandemia do novo coronavírus mostrou o quão frágil é nosso sistema de alimentos, fica mais evidente nosso comprometimento com mudanças reais, que priorizem a resiliência”, disse ao NeoFeed o cofundador e CEO da companhia, Ryan Pandya.

O executivo diz ainda que não está surpreso com os investimentos, mas confessa que não esperava chegar “tão longe, tão rápido”. Ao lado do sócio Perumal Gandhi, Pandya fundou a Perfect Day em 2014, para “matar a fome” de laticínios, como queijos e sorvetes – delícias excluídas da dieta vegana que ambos seguem por questões éticas.

Engenheiros por formação e unidos por esse mesmo apetite, os empresários e sócios resolveram “cozinhar” a solução no único ambiente que dominam: o laboratório. Descobriram que, através de um processo de fermentação em microflora, era possível criar as duas principais proteínas do leite: a caseína e o chamado whey, que é um conjunto de proteínas globulares isoladas.

O empresário explica, porém, que a intenção não é substituir o copo de leite matinal de cada um, mas ser uma alternativa aos fabricantes de laticínios. Em outras palavras, a Perfect Day quer transformar o seu brigadeiro, seu requeijão e seu patê em delícias veganas, mas preservando o sabor e a consistência das receitas originais.

Além de ampliar o cardápio de quem não come nada de origem animal, a startup devolve o sabor às pessoas intolerantes à lactose, uma vez que esse açúcar não faz parte da fórmula desenvolvida pela empresa.

Mas não se pode ir com muita sede (ou fome) ao pote: a Perfect Day trabalha na base de parceria. As empresas interessadas em desenvolver um produto usando esse leite de laboratório têm de se cadastrar no site da startup, explicando brevemente qual produto final gostaria de ter.

Isso acontece porque a aplicação do leite na receita de um chocolate acontece de uma maneira diferente da aplicação na manteiga, por exemplo. Assim, é como se a Perfect Day precisasse “ajustar” sua fórmula a cada receita.

Por enquanto, o único produto disponível ao público está à venda no site da empresa – trata-se de um sorvete desenvolvido pela sorveteria californiana Smitten Ice Cream. Por US$ 59, os interessados podem comprar uma caixa com quatro potes de sorvete: chocolate com açúcar mascavo, morango, cacau com avelã e um de, acredite, cerveja.

Sorvete com “leite” da Perfect Day pode ser consumido por veganos e intolerantes à lactose

“Estamos trabalhando com pequenas e grandes fabricantes de alimentos para expandir esse leque de produtos”, confirma Pandya, sem revelar com quais marcas mantém diálogo e negociação. O empreendedor, entretanto, diz que a capacidade de produção, nos últimos meses, foi de “poucas gramas para caminhões”.

Mais do que comemorar a sustentabilidade do negócio diante desse aumento de produção, Pandya e sua equipe celebra a sustentabilidade do mundo. “O consumo de água para a fabricação de um galão de leite de vaca equivale a um banho de dois meses”, afirma. O ‘leite’ da Perfect Day economiza 98% de água e 65% de energia em seu processo.

A trilha sonora do “dia perfeito”

Quando nasceu, a Perfect Day tinha o nome de Muufri – numa brincadeira que juntava o mugido das vacas, com a sonoridade do “free”, de “livre” em inglês. Mas o feedback de amigos, clientes e investidores ecoou mesmo na empresa em agosto de 2016, quando a companhia assumiu a alcunha que tem agora.

“Perfect Day” é uma música do cantor nova iorquino Lou Reed, falecido em 2013. Mas o título da canção virou nome de startup por motivos que vão além de preferências musicais. Anos atrás, os pesquisadores Catherine Douglas e Peter Rowlinson, da Universidade de Newcastle, descobriram que vacas calmas e felizes produziam mais leite.

Mais do que isso, verificaram que os bichos experimentavam mais felicidade quando ouviam música – e uma das trilhas que mais “embalava” a produção de leite era justamente a “Perfect Day”, de Reed. “Como a missão da empresa é fazer vacas, pessoas e o planeta mais feliz, parecia que encaixava bem”, lembra.

Hoje, a companhia explora seu nome de maneiras criativas, sendo uma das mais famosas dela: “é um dia perfeito para mudar o mundo”.



Fonte: Neo Feed



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