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NASA descobre variações incomuns nos níveis de oxigênio em Marte

Compartilhe:     |  14 de novembro de 2019

Já sabíamos que o comportamento do gás metano é um tanto peculiar em Marte, desaparecendo e reaparecendo de acordo com as estações do ano. Agora, os astrônomos descobriram que o oxigênio também apresenta concentrações atmosféricas diferentes com o passar dos meses marcianos — e eles não sabem porquê.

A descoberta, feita graças à sonda Curiosity, foi compartilhada pela NASA em um comunicado à imprensa. “Estamos nos esforçando para explicar [essas variações]”, disse Melissa Trainer, líder da pesquisa, na declaração.

Os dados coletados pela Curiosity permitiram que a equipe percebesse como as moléculas se misturam e circulam pela atmosfera do Planeta Vermelho com as mudanças na pressão do ar ao longo das estações marcianas. Segundo os especialistas, essas mudanças são causadas quando o gás CO2 congela nos polos durante o inverno, diminuindo a pressão do ar em todo o planeta.

Esse congelamento faz com que o restante das moléculas tenha de se redistribuir para manter o equilíbrio da pressão atmosférica. Aí, quando o CO2 evapora na primavera e no verão, a pressão volta a aumentar.

Os cientistas também descobriram que o nitrogênio e o argônio seguem um padrão sazonal previsível, aumentando e diminuindo a concentração na Cratera Gale, onde as medições foram realizadas, ao longo do ano. Sendo assim, a equipe esperava que o oxigênio se comportasse da mesma maneira — mas isso não aconteceu.

As análises da sonda indicam que os níveis de oxigênio não seguem os mesmos padrões sazonais que os outros gases presentes em Marte: a quantidade de O2 tem um aumento muito maior que o previsto. Esse padrão se repetiu em todas as primaveras observadas e, em todos os invernos, a quantidade de substância no ar voltou a baixar, dessa vez de acordo com as previsões científicas.

Os astrônomos já investigaram várias explicações possíveis para o fenômeno, mas não encontraram uma que seja satisfatória. Para Melissa Trainer, “o fato de o comportamento do oxigênio não ser perfeitamente repetido a cada estação nos faz pensar que essa não é uma questão que tem a ver com a dinâmica atmosférica”, afirmou.

Isso quer dizer que algum outro aspecto deve estar causando essas variações — e uma das possibilidades a ser considerada é a existência de microrganismos. Entretanto, antes de sairmos comemorando por aí a descoberta dos primeiros marcianos, muitos estudos ainda são necessários.

“Estamos começando a ver essa correlação tentadora entre metano e oxigênio durante boa parte do ano em Marte”, afirmou Sushil Atreya, membro da pesquisa. “Eu acho que há algo aí. Ainda não tenho as respostas. Ninguém tem.”



Fonte: Galileu



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