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Neandertais foram pioneiros em atividades marinhas, conclui pesquisa

Compartilhe:     |  1 de abril de 2020

Estudos recentes na Gruta de Figueira Brava, em Portugal, evidenciam algo que os historiadores já suspeitavam: os neandertais foram pioneiros em atividades marinhas. A equipe, liderada por João Zilhão, da Universidade de Barcelona, na Espanha, publicou dois artigos sobre suas descobertas na revista científica Science.

Segundo os pesquisadores, eles encontraram provas de que os neandertais que habitavam a região 80 mil anos atrás já se baseavam na pesca e na coleta de mariscos para sobreviver. Isso indica que a dieta dos nossos antepassados incluía mexilhões, crustáceos e peixes, além de aves aquáticas e mamíferos marinhos, como golfinhos e focas — ricos em ômega-3 e outros ácidos graxos reconhecidos por promover o desenvolvimento cerebral.

Os especialistas explicam que sempre existiu a suspeita de que o consumo dessas substâncias tenha aumentado as habilidades cognitivas das populações humanas na África. “Entre outras influências, isso poderia explicar o surgimento precoce de uma cultura de pessoas modernas que usavam artefatos simbólicos, como pintura corporal com ocre, uso de ornamentos ou decoração de recipientes feitos de ovos de avestruz com motivos geométricos”, afirmou Dirk Hoffmann, coautor da pesquisa, em declaração à imprensa.

De acordo com ele, esse comportamento reflete a capacidade humana de pensamento e comunicação por meio de símbolos, “o que também contribuiu para o surgimento das sociedades mais organizadas e complexas dos humanos modernos”, disse Hoffmann.

Os estudos ainda fornecem evidências de que a população da área complementava a dieta caçando veados, cabras, cavalos e outras pequenas presas, como tartarugas. Além disso, restos de plantas carbonizadas, como oliveiras, trepadeiras, figueiras e outras espécies típicas do clima mediterrâneo, foram encontradas, o que indica que os neandertais também faziam fogueiras e aqueciam os alimentos.

Para os especialistas, essas descobertas indicam que, diferentemene do que se pensava, essa espécie não baseava sua alimentação apenas em grandes animais e alimentos crus. Nossas pesquisas “sustentam uma visão da evolução humana na qual as variantes fósseis conhecidas, como os neandertais na Europa e seus contemporâneos de anatomia africana, devem ser entendidos como nossos ancestrais, e não como espécies diferentes [de nós]”, afirmou Zilhão em comunicado.

Saber que os neandertais já eram capazes de utilizar os recursos marinhos amplamente é essencial para compreendermos a evolução da espécie — e como ela influenciou os humanos modernos. “[Essa capacidade] pode ajudar a explicar como, entre 45 mil e 50 mil anos atrás, os seres humanos puderam atravessar o Mar de Timor para colonizar a Austrália e a Nova Guiné e, então, cerca de 30 mil anos atrás, as ilhas mais próximas do Pacífico ocidental”, ponderou Zilhão.



Fonte: Revista Galileu



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