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No Recife, paisagista que idealizou jardins filtrantes visita Rio Capibaribe

Compartilhe:     |  3 de setembro de 2014

Ver o Rio Capibaribe revitalizado e integrado com os espaços urbanos do Recife é o desejo não apenas de paisagistas e ambientalistas, mas também dos moradores da cidade. É com objetivo de discutir a limpeza do rio que o paisagista francês Thierry Jacquet se reúne com coordenadores do Parque Capibaribe, projeto da Prefeitura do Recife em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em debate aberto ao público nesta terça (2), no Museu Cais do Sertão, no Centro do Recife. Thierry Jacquet é o idealizador da tecnologia chamada de “jardins filtrantes”, tratamento ecológico da água, solo e ar feito através das raízes de plantas locais. O método foi utilizado no tratamento das águas do Rio Sena, na França, e está sendo estudado para implantação em trechos do Rio Capibaribe.

Também conhecida como um tipo de paisagismo funcional, uma das principais características da tecnologia é que ela utiliza a raiz de flores e plantas para filtrar os poluentes químicos da água. Desse modo, a água pode ficar semi-potável, com aspecto de piscina, dependendo da área em que o método for aplicado. Segundo Jacquet, que é o presidente da Phytorestore, empresa que aplica os jardins filtrantes, a ação também tem efeito educacional. “O nome é importante, ele se chama jardins filtrantes por causa do espaço público que nós criamos. Muitos tipos de plantas locais podem ser utilizadas, além de flores. O problema de esgoto atinge todas as cidades do Brasil, e isso é uma reconquista desse rio. O que fazemos é tratar uma parte dessa água. Não podemos mudar tudo porque é algo muito grande, é preciso conectar tudo para [conseguir] isso”, explica.

Marcelo Ferraz e Thierry Jacquet, da Phytorestore (Foto: Moema França / G1)Marcelo Ferraz (E) e Thierry Jacquet estão no Recife, onde visitarão o Rio Capibaribe (Foto: Moema França / G1)

Nesta terça, os coordenadores do Projeto Parque Capibaribe, Circe Monteiro e Roberto Montezuma, fazem um passeio de barco com Jacquet e o presidente da Phytorestore no Brasil, Marcelo Ferraz, por dois trechos do Rio Capibaribe — nas ilhas do Zeca (Zona Sul do Recife) e do Bananal, em Apipucos (Zona Norte). “Os rios são nossas latrinas. Queremos discutir a complementaridade de soluções, a funcionalidade do paisagismo. O objetivo do Parque é trabalhar com essas soluções para recuperar a diversidade que temos, porque em alguns trechos nós vemos capivaras e até mesmo lontras. Quando as pessoas virem os rios com os jardins, elas vão enxergar a relação com a cidade e o rio de outra maneira”, explica Circe.

Para Roberto Montezuma, os dois trechos que fazem parte da visitação e a Lagoa do Araçá são bons exemplos de onde o método poderia ser aplicado. “É uma tecnologia educacional, com muito retorno para o ambiente e para a sociedade. As pessoas acham que não é possível limpar o rio, mas é. Elas poderão repensar antes de jogar um sofá ou outros objetos nas águas”, complementa.

Características e benefícios
No Brasil, de 30 a 40 tipos de plantas poderiam ser usadas como filtro, dependendo de sua capacidade de filtragem. Para o presidente da Phytorestore no Brasil, Marcelo Ferraz, não adianta pensar que dá para tratar uma bacia hidrográfica de uma só vez. “O que a gente preconiza com experiências em rios em Xangai, em Paris, é que você consegue tratar o rio por setores. Dá para melhorar a qualidade da água nesse setor e isso gera um exemplo positivo para que você amplie para outros setores do mesmo rio”, aponta.

“A Phtytorestore é uma empresa que se utiliza da força da raiz das plantas para tratar os efluentes mais diversos, sanitários, orgânicos, que é o esgoto que a gente conhece, e uma gama de esgotos industriais. Nós damos uma funcionalidade suplementar aos espaços verdes; ao invés deles serem somente espaços de lazer, eles captam a poluição difusa para evitar que ela entre nos rios, nos canais da cidade, tudo feito através da ação radicular das plantas”, afirma Ferraz.

Tecnologia dos jardins filtrantes foi aplicada nas margens de três rios, na China (Foto: Reprodução / Phytorestore)Tecnologia dos jardins filtrantes foi aplicada nas margens de três rios, na China (Foto: Reprodução / Phytorestore)

Para isso são utilizados filtros em diferentes tamanhos e tipos. Entre as particularidades da tecnologia é que ela não apresenta cheiro e não incomoda quem mora perto de onde o método é aplicado. “Todo mundo quer ter tratamento de esgoto, mas ninguém quer ter uma estação de tratamento perto da sua casa, porque o bairro fica poluído. A parte folhar das plantas também não acumula poluição”, aponta Marcelo Ferraz. Segundo ele, a raiz é podada após filtrar a poluição.

Outro ponto positivo é que a manutenção dos jardins filtrantes é semelhante a de um jardim comum, chegando a 20% do valor dos métodos tradicionais de limpeza de afluentes. Há três anos em atividade no Brasil, a empresa já implantou o projeto em empresas, uma delas de cosméticos, para despoluir a água usada na produção industrial. Segundo os ambientalistas, no entorno das áreas públicas em que os jardins foram montados, houve uma revitalização inclusive das moradias. “Na França, no local onde o Sena foi restaurado, tinham áreas ruins de morar, com muitos pontos de consumo de droga. Depois da limpeza dos rios, houve uma diminuição imediata do mal cheiro, um resgate e uma melhoria na qualidade de vida enorme”, comenta Ferraz.

Laboratório farmacêutico com sede em Campinas (SP) também adotou tecnologia francesa (Foto: Reprodução / Phytorestore)Laboratório farmacêutico com sede em Campinas (SP) também adotou tecnologia francesa (Foto: Reprodução / Phytorestore)


Fonte: G1 - PE - Moema França



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