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Nos períodos de seca, parasita da malária se esconde no sangue de hospedeiros

Compartilhe:     |  28 de outubro de 2020

A malária é uma doença infecciosa conhecida por causar febre, fadiga e dores de cabeça. A maior parte dos casos ocorre nos períodos chuvosos, já que seu parasita – uma das cinco espécies do gênero Plasmodium – infecta hospedeiros com ajuda dos mosquitos. Estes, como já sabemos, são mais abundantes em épocas quentes do ano, pois precisam da água para se reproduzir.

Mas uma coisa sobre a doença intriga os cientistas. Durante os períodos de seca, há menos mosquitos transitando e, consequentemente, o plasmodium encontra dificuldades para se reproduzir. Se considerarmos ambientes que enfrentam a falta de chuva por muitos meses, é esperado que o parasita suma do mapa – mas não é isso que acontece. Então, para onde vai o causador da malária, que infecta cerca de 200 milhões de pessoas por ano?

De acordo com um estudo feito por cientistas do Hospital Universitário de Heidelberg, na Alemanha, e publicado na revista Nature Medicine, o plasmodium se esconde no próprio corpo humano. Na pesquisa, o parasita estudado foi o Plasmodium falciparum, responsável por causar a malária em sua versão mais grave.

P. falciparum infecta os glóbulos vermelhos de seu hospedeiro. Quando ele está dentro das células, produz proteínas que tornam as células mais pegajosas, fazendo com que elas grudem nos vasos sanguíneos e não sejam transportadas para o baço. O baço, por sua vez, é o órgão incumbido de filtrar o sangue, removendo quaisquer sinais de impurezas. Se a célula não chega até ele, o parasita também não é eliminado do corpo e causa a doença.

Mas, nos períodos de seca, os cientistas notaram que essa aderência não acontece. Isso porque o P.falciparum altera a expressão de seus genes, fazendo com que as tais proteínas não sejam produzidas. Com isso, as células infectadas viajam até o baço e são eliminadas. As poucas que sobram fazem os parasitas permanecerem no organismo, mas sem conseguir desenvolver a doença ou gerar resposta imune. É como um estado de hibernação.

Os cientistas observaram a mudança de comportamento do parasita em diferentes estações após analisar 600 pessoas infectadas com malária no Mali, país da África, em 2017 e 2018. Durante a temporada de chuva, foram registrados, respectivamente, 386 e 347 casos de malária com febre. Na estação seca, foram 12 e cinco casos com febre nos dois anos. No entanto, 20% desses voluntários tinham sinais do parasita escondido em seus organismos, mas não desenvolveram sintomas.

Como o parasita faz para diferenciar as estações de chuva e seca permanece um mistério. Entre as hipóteses, está o fato do parasita ser submetido ao estresse, reação parecida com a gerada por medicamentos. O parasita se transforma em gametócito, estágio do ciclo de vida sexual que permite que eles sejam ingeridos pelos mosquitos e transportados para outro hospedeiro. Outra hipótese é que na saliva dos mosquitos exista uma proteína que alerta os parasitas de que eles podem sair da toca. Nenhuma delas foi comprovada.

A pesquisa também não analisou os parasitas em estágios de vida semelhantes. Sendo assim, ainda é preciso fazer mais estudos para comprovar que há realmente uma mudança no comportamento do P. falciparum. Compreendê-la pode ajudar os cientistas a criar maneiras de combater o parasita quando este se encontra em seu nível mais inofensivo.



Fonte: Superinteressante



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