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Nova espécie de dinossauro descoberta em Santa Maria é apresentada em revista científica

Compartilhe:     |  16 de fevereiro de 2019

Uma nova espécie de dinossauro brasileiro, descoberto em Santa Maria, foi apresentado por um grupo de pesquisadores no periódico Journal of Vertebrate Paleontology. O animal é um carnívoro adolescente, que media entre 1 metro e 1,5 metro, e pode ser o terópode, linhagem de dinossauros bípedes a qual pertencem os tiranossauros, mais antigo a viver no Brasil.

O animal ganhou o nome de Nhandumirim waldsangae, que vem da combinação de nhandu, ema em Tupi-Guarani, e mirim, pequeno em Tupi-Guarani, em referência ao tamanho e à semelhança do dinossauro com animais como a ema e o avestruz.

Estudiosos estimam que ele tenha vivido há 233 milhões de anos, no sítio paleontológico Sanga da Alemoa, onde hoje está localizado o município de Santa Maria, na Região Central do Rio Grande do Sul. É neste local que foi encontrado um dos dinossauros mais antigos do mundo, o estauricossauro.

Os fósseis do dinossauro foram encontrados em 2012 por equipe da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Da pesquisa, participaram especialistas de Ribeirão Preto, Minas Gerais, Pernambuco e Birmingham, do Reino Unido, além de Átila da Rosa, pesquisador de Santa Maria.

Por ser um animal juvenil, conforme a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), não é possível ter certeza do tamanho da espécie quando adulta. Dos traços anatômicos, os mais marcantes estão na região do tornozelo, que indicam a relação com outros terópodes, como o Coelophysis, dos Estados Unidos, e o Zupaysaurus, da Argentina. Para os pesquisadores, o Nhandumirim possivelmente é o membro mais antigo dessa linhagem de dinossauros carnívoros que viveu no Brasil.

Importância do sítio paleontológico

Segundo o professor e pesquisador Átila da Rosa, a descoberta mostra a importância do sítio paleontológico em que o Nhandumirim waldsangae foi encontrado. “É onde aparece muitas espécies, rincossauros, cinodontes, arcossauros, animais répteis que teriam dados origem aos dinos e os próprios dinossauros”, diz.

Ele destaca que são encontrados no RS linhagens muito antigas, e que indicam que o surgimento desses animais foi mais rápido do que se acreditava até então. “Isso ajuda a entender que o surgimento [das espécies] se deu de forma rápida, em tempos geológicos, cerca de 3 milhões de anos e não em 10, 15 milhões de anos, como se acreditava”, diz.

Além disso, a descoberta e o destaque da pesquisa em uma revista de prestígio mostra a importância do incentivo a esse tipo de estudo. “Se não tivesse prospecção, continuidade da pesquisa nos sítios, bolsa para os alunos irem a campo e procurar esse material, não teríamos esse resultado”, analisa.

Falanges do pé do dinossauro, que indicam familiaridade com os terópodes, espécies de dinossauros bípedes — Foto: Divulgação/UFSM

Falanges do pé do dinossauro, que indicam familiaridade com os terópodes, espécies de dinossauros bípedes — Foto: Divulgação/UFSM

Novas espécies em 2018

No ano passado, pelo menos duas novas espécies encontradas no Rio Grande do Sul foram anunciadas por pesquisadores. Em novembro, o dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo foi descoberto em Agudo, também na Região Central do estado.

O animal, que recebeu o nome de Macrocollum itaquii, foi descrito a partir de três esqueletos fossilizados escavados em rochas triássicas, com 225 milhões de anos. Os esqueletos foram coletados no início de 2013 e o estudo foi publicado recentemente na revista acadêmica britânica Biology Letters.

E em maio, o fóssil de um réptil que viveu há 230 milhões de anos foi encontrado em Candelária.

Desenho esquemático do esqueleto de Macrocollum (ilustração por Rodrigo Temp Müller) — Foto: Rodrigo Temp Müller/Ilustração

Desenho esquemático do esqueleto de Macrocollum (ilustração por Rodrigo Temp Müller) — Foto: Rodrigo Temp Müller/Ilustração



Fonte: G1



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