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Nova espécie de pterossauro é descoberta em Santana do Cariri, no Ceará

Compartilhe:     |  5 de outubro de 2014

Uma espécie de pterossauro que viveu no Nordeste há 111 milhões de anos acaba de ser apresentada em Recife por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco. Identificado como Maaradactylus kellneri, o fóssil foi encontrado com 95% do crânio preservado, no Sítio São Gonçalo, no município de Santana do Cariri, a 500 quilômetros de Fortaleza. Para os cientistas, o grupo ao qual ele pertence, tinha “a chamada anatomia perfeita”.

A nova espécie é da era Mesozoica, e viveu na região da Bacia Sedimentar do Araripe, no sul do estado, e alcança parte de Pernambuco e do Piauí. A área tem 10 mil quilômetros quadrados e abriga o sítio São Gonçalo, um dos cinco mais importantes depósitos de pterossauros do mundo, onde já foram encontradas 23 outras espécies desde a década de 1970. O último foi descoberto em 2003.

O fóssil comporá o acervo do Museu de Paleontologia de Santana do Cariri, da Universidade do Cariri (Urca). A reconstituição do crânio e da mandíbula a partir do fóssil também será doada à instituição.

O Maaradactylus kellneri foi localizado em 2010, sobre o solo, sem necessidade de escavação, segundo informou a professora da UFPE, Juliana Sayão, que destacou ser esta a primeira vez que um pterossauro é descrito por um grupo de pesquisadores do Nordeste. Por coincidência, o terreno pertence ao Professor Plácido Cidade Nuvens, diretor do Museu da Urca, o que facilitou a coleta. O pterossauro foi descrito por Renan Bantin, mestrando da UFPE. Também participaram da investigação os pesquisadores Gustavo Oliveira e Antônio Saraiva. O trabalho de identificação foi publicado na edição de outubro da revista científica neozelandadesa “Zootaxa”.

O crânio do animal tinha 75 centímetros e a envergadura da asa chegava a seis metros. O pterossauro tinha uma grande crista à frente do crânio e 35 pares superiores de dentes, sendo que os últimos eram dispostos em três trios. Os dentes frontais eram alongados e posicionados para frente, formando estrutura para capturar peixes — uma característica comum aos pterossauros, segundo Sayão.

— Esse grupo dos Anhangueridae não só tinha os ossos mais adaptados ao voo do que as aves atuais, como também apresentavam uma aerodinâmica perfeita. E quando interagiam com o meio aquático contavam uma dinâmica de bico perfeita — afirmou o professor Álamo Saraiva, da Urca.

Segundo o professor Gustavo de Oliveira, a linhagem evolutiva do Maaradactylus kellneri vincula-se aos Anhangueridae, pois compartilha características, apesar de não ser do mesmo gênero:

— Essa descoberta amplia a diversidade do Araripe e mostra que ainda temos muito a conhecer — disse ele.

O fóssil não só pertence ao gênero novo dos Maaradactylus, como também é uma espécie nova. A denominação Maara foi inspirada em uma figura mítica da região sul do Ceará, a filha do Cacique Manacá, da Tribo Kariri. Conta a lenda que ela teria sofrido um feitiço, sendo obrigada a viver como serpente no fundo de um lago. Já a terminação dactylus vem do grego, e é uma característica marcante dos pterossauros, que têm o quarto dedo modificado em asa. E kellneri é uma homenagem ao paleontólogo e geólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ, que há 30 anos estuda vertebrados fósseis no Brasil, especificamente os pterossauros, e que também colaborou com a pesquisa.

— Fiquei muito contente, a gente fica agradecido e envaidecido. É muito bom perceber que fiz uma contribuição para a paleontologia que transcende a pesquisa científica — afirmou Kellner.

O estudioso explicou, ainda, que os ossos dos pterossauros em geral são extremamente finos. Assim, quando são encontrados, costumam estar quebrados, amassados.

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— É a regra geral. Assim ocorre na China, nos Estados Unidos, na Alemanha — disse e complementou que nos depósitos do Brasil normalmente é diferente. — O fóssil aqui é preservado em três dimensões, então conseguimos estudá-lo bem e recuperar quase a totalidade de sua anatomia.

Para Kellner, “está na hora do santo de casa fazer milagre”, isso é, de o Brasil mostrar que tem material especial. Um dos principais fatores que poderiam impulsionar ainda mais isso seria, segundo o paleontólogo, a criação de um Museu Histórico Nacional de qualidade.

Fósseis de pterossauros já foram encontrados nas Américas do Norte, do Sul, Eurásia e África. Mas a nova espécie está restrita ao Brasil, sendo a vigésima quarta espécie descrita desde 1971 entre os localizados na Bacia do Araripe.



Fonte: O Globo



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