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Nova lei vai proteger animais usados como isca na Amazônia

Compartilhe:     |  7 de julho de 2014

O extermínio do boto cor-de-rosa — que ganhou até música de advertência da apresentadora Xuxa nos anos de 1990 — e de jacarés na Amazônia pode estar com os dias contados. Após denúncias de ambientalistas e do Ministério Público, o governo federal criou uma lei para proteger estes animais, dizimados por pescadores locais que usam sua carne como isca para a pesca de outro peixe, a piracatinga, conforme O DIA mostrou em março.

Por isso, decreto vai suspender por cinco anos a pesca da piracatinga, também conhecido como douradinha. A nova lei passará a valer a partir de janeiro do ano que vem. Instrução Normativa foi assinada pelos ministros da Pesca e Aquicultura, Eduardo Lopes, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

A medida vai permitir, como compensação, que pescadores artesanais capturem até cinco quilos de douradinha por dia, para seu consumo e da família. Barcos pesqueiros não poderão levar essa espécie para o porto.

Gestor de planejamento ambiental, Sérgio Ricardo vê a medida com ressalvas e critica o tempo para entrar em vigor. “Quantos botos e jacarés serão sacrificados até lá? Esse é um dos graves problemas envolvendo as questões ambientais no país: a morosidade, desde a investigação até a tomada de providências”, adverte o ambientalista.

Segundo ele, na Amazônia brasileira, há 300 mil pescadores artesanais que vivem da atividade. “É preciso criar alguma alternativa, como pagamento de seguro-defeso no período. Do contrário, vão continuar com a prática. Proibir só não basta”, conclui.

O defeso da piracatinga é resultado de inquérito instaurado em 2012 pelo Ministério Público Federal do Amazonas, para apurar as causas de matança de botos e jacarés. Estimativas dão conta de que até 140 botos sejam sacrificados por ano para servir de isca.

Uma ‘história de pescador’ em torno da douradinha

Curiosidade à parte sobre a douradinha. O peixe não aprecia somente carne de boto e jacaré. Ele é necrófago. Ou seja, come tudo que é carne morta, incluindo de seres humanos. Por isso, também é conhecido como urubu d’água.

Tanto que, em torno desse apetite voraz, existe uma história escabrosa. Foi graças ao peixe que a Justiça concedeu o atestado de óbito à família do médico Paulo Alberto Marques, 57 anos, desaparecido no Rio Amazonas após naufrágio em outubro de 2011.

Atrás de evidências da morte de Paulo Jennings, seu sobrinho, também médico, Erick Jennings, organizou uma expedição com pescadores e bombeiros na busca de douradinhas próximo ao local do desaparecimento do tio.

De nove piracatingas pescadas pelo grupo da expedição, cinco tinham vestígios de pele humana. Amostras foram levadas para a perícia científica em Brasília. Após exames, foram encontrados vestígios de pele do médico. O óbito de Paulo Jennings foi confirmado oficialmente, abrindo caminho para que a família recebesse o seguro.

Depois dessa história, vai uma douradinha frita aí?



Fonte: O Dia



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