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Novas pesquisas levantam controvérsias sobre os efeitos da maconha

Compartilhe:     |  25 de maio de 2019

Um livro com pesadas advertências ao consumo de maconha tornou-se, recentemente, uma das obras mais vendidas nos Estados Unidos e eriçou as comunidades médicas e acadêmicas especializadas na investigação das drogas. Ex-repórter do New York Times , o autor Alex Berenson inflamou um debate até tão considerado superado em razão da popularização do uso medicinal e recreativo da Cannabis . “A maconha causa paranoia e psicose. Paranoia e psicose causam violência. Há evidências esmagadoras que ligam transtornos psicóticos à violência”, escreveu ele em Conte a seus filhos: a verdade sobre a maconha, doenças mentais e violência , publicado em janeiro passado.

Berenson opina que não se deveria mais dourar a pílula sobre o uso da maconha, apregoando a importância de sua função medicinal, realçando seu papel relaxante ou enumerando as possibilidades de negócios decorrentes desse novo filão. “Talvez eu seja muito cínico, mas acredito que a maioria das pessoas fuma maconha pela mesma razão que elas bebem álcool ou usam qualquer outra droga: porque gostam de ficar chapadas.”

Ele ainda argumenta que os defensores do uso de maconha ignoram evidências científicas de que o composto ativo da droga, o THC (tetra-hidrocanabinol, principal ingrediente ativo da Cannabis ), pode precipitar o início da esquizofrenia e provocar atos de violência em indivíduos que experimentam “surto” psicótico.

Contudo, 75 acadêmicos e profissionais da área médica americana classificaram o livro como exemplo de “alarmismo” projetado para despertar o medo do público “com base em uma leitura errada da ciência”. Os especialistas negam que haja evidências científicas comprovadas da vinculação entre consumo de maconha e violência como pregou Berenson. Se fosse assim, a Holanda seria o país mais sanguinário do mundo.

Mas a polêmica havia sido instaurada. Berenson conseguiu levar o assunto aos holofotes mais uma vez. Havia alguns consensos importantes que foram reafirmados pelos especialistas. Um deles, de que, sim, fuma-se muita maconha por aí. Outro, de que o uso excessivo pode, excepcionalmente, ter consequências graves. Existem casos documentados em que usuários foram levados a praticar atos violentos depois do consumo. A experiência da maioria, porém, é relativamente benigna e previsível; ainda que a de outros possa não ser. Ninguém contesta também que o uso ocasional de maconha por pessoas com mais de 25 anos é geralmente seguro. Não há evidências científicas de que a maconha possa ser “mais perigosa do que acreditamos”.



Fonte: Época



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