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Novidades tecnológicas ajudam a baratear e popularizar as orquídeas

Compartilhe:     |  15 de junho de 2015

Uma flor que custava caro e só colecionador tinha: a orquídea, mas você já deve ter reparado que hoje ela está em quase todo lugar.

A repórter Priscila Brandão foi conhecer as novidades tecnológicas nas estufas dos produtores e tentar descobrir porque a orquídea, principalmente a do gênero phalaenopsis, virou um grande negócio e a queridinha dos brasileiros.

Holambra é daquelas cidades em que se respira o ar do país de origem dos colonizadores. A Holanda está em todos os cantos, como no orelhão em forma de tamanco. O moinho de quase 40 metros de altura é uma réplica fiel de um moedor de grãos dos Países Baixos.

A 130 quilômetros da capital paulista, a principal atividade econômica do município é a floricultura, tanto que muitas técnicas usadas foram inspiradas no jeito holandês de cultivar flores.

No Brasil, Holambra se tornou o centro de um pólo formado na região, onde muitos produtores se dedicam à produção de flores. No município de Santo Antônio de Posse fica o Veiling, uma cooperativa de mais de 300 fornecedores de todo tipo de flor e planta ornamental. O pregão é diário e começa às 7 horas da manhã, em ponto.

O relógio anda para trás. O preço começa alto e vai caindo de R$ 0,10 em R$ 0,10, às vezes, em um ritmo alucinante. Não há gritaria, apesar do nervosismo de alguns.

O dedo fica estrategicamente posicionado no botão da mesa, e como em qualquer leilão, vence aquele que consegue perceber o momento exato de dar o lance.

Perto de datas comemorativas são mais de 10 mil transações por dia. Cerca de 350 pessoas se acomodam em uma sala que lembra a plateia de um teatro e começa o desfile de cores e formas.

No painel digital gigante, além do relógio, surgem todas as informações daquele lote: tipo de flor, nome do produtor, data de cultivo e de corte. Em 2014, 6,5 milhões de unidades foram comercializadas e a previsão para este ano é de um aumento de 25%, ou seja, chegar a 8 milhões de unidades com um faturamento de R$ 120 milhões.

Só de rosas vermelhas chegam a ser vendidas 40 mil unidades em um único dia, mas um outro tipo de flor faz muito sucesso: a orquídea. Principalmente a do gênero phalaenopsis.

Ela é de origem asiática e o nome quer dizer mariposa, em grego. As phalaenopsis parecem mesmo borboletas, daquelas bem coloridas. Podem ser brancas, amarelas, rajadinhas e até azuis, mas nesse caso, a cor não é natural. A tinta é adicionada artificialmente na orquídea branca e, na próxima florada, as pétalas surgem brancas de novo.

Fácil de cuidar: irrigação duas vezes por semana. Longa duração e florescimento a cada seis meses.

Se antes ninguém comprava uma orquídea com R$ 100, hoje a gente encontra vasos por menos da metade desse preço em supermercados e até em pet shoppings.

De acordo com a gerente de marketing do Veiling, Tamara d’Angieri, o que está estimulando a comercialização da phalaenopsis é a queda no preço para o consumidor, por causa do aumento do número de produtores.

O número de produtores de phaleanopsis vem aumentando mesmo, apesar de não haver um dado oficial. Até quem estava acostumado a produzir outros tipos de flores se rendeu ao charme delas.

Gino Jun Shinkawa é um tradicional produtor de crisântemos em Atibaia. Percebendo o interesse dos consumidores, há seis anos ele decidiu investir em orquídeas.

Hoje, 1/4 da área total de cultivo é reservado a elas, são dois hectares de estufas com 20 tipos diferentes. Uma produção de 30 mil vasos por mês.

Ele conta que resolveu cultivar orquídeas para diversificar a produção e que o valor agregado é melhor que o do crisântemo, mas que de dois anos para cá, começou a sentir uma diferença no mercado.

Gino está preocupado com o aumento no número de  produtores de orquídeas porque quanto mais oferta no mercado, a tendência é de queda no preço. E quem pode investe pesado no setor.

Uma das maiores produtoras de bromélias e orquídeas do país, a Ecoflora, com sede em Holambra, iniciou o cultivo de orquídeas há 15 anos. São quatro sítios, no total de 18 hectares plantados, sete deles com orquídeas.

As mudas clonadas de phalaenopsis são importadas da Holanda e de Taiwan. Depois de uma semana, elas são plantadas em bandejas com substrato. Passam por diferentes estufas, com temperaturas que variam de 19 a 22 graus e umidade relativa do ar de 70%.

Só depois de 26 semanas vão para o vaso definitivo e atingem o ponto de corte, em média, com 30 semanas.

O responsável pela produção da Ecoflora, Carlos Marangon, explica que, apesar de mais popular, o mercado de orquídeas está cada dia mais exigente.

A nova unidade da empresa foi inaugurada há pouco e grande parte do processo de produção é automatizado. Quase não circulam funcionários pelas estufas. A mão de obra tradicional se concentra em um grande galpão, interligado com as estufas por meio de esteiras rolantes.

O momento mais impressionante é o de classificação dos vasos, de acordo com o tamanho da planta. Numa espécie de carrossel, os vasos caem sozinhos na esteira. A muda é plantada no substrato, só essa etapa é feita por pessoas, e os potinhos seguem para uma cabine fotográfica que vai classificar os lotes, analisando as folhas.

Os potes com plantas maiores seguem para um lado, os com as menores, para outro. Depois, um braço robô recolhe os vasos em fileiras de oito, já classificados, e os encaminha para a estufa.

As estufas novas seguem os padrões de tecnologia da Holanda. Elas são mais altas, reproduzem três tipos de sombreamento e comportam 15% a mais de plantas por metro quadrado, no mesmo espaço da estufa tradicional.

Com essas condições, eles estão conseguindo encurtar o ciclo da planta: de 10 para 8 semanas. Nas estufas antigas são produzidos 10 mil vasos por semana, nas novas, 25 mil e a meta é chegar a 35 mil por semana até o fim do ano.



Fonte: Globo Rural - Priscila Brandão



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