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Novo alerta sobre impacto da poluição do ar na saúde é divulgado, mas Brasil não escuta

Compartilhe:     |  20 de março de 2019

Cientistas do Instituto alemão Max Plank e da Universidade Johannes Guterberg, em Maiz, divulgaram, na última semana, estudo demonstrando que o número de mortes causadas pela poluição do ar em ambientes externos em todo o mundo chega a 8,8 milhões de pessoas por ano. Apesar de mais este alerta, o Brasil ainda se mostra muito moroso no combate ao problema, segundo especialista brasileiro.

O novo número divulgado é duas vezes mais alto do que as 4,2 milhões de mortes anteriormente estimadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Para colocar os dados em perspectiva, significa que a poluição do ar em ambientes externos – a qual todos estamos expostos – causa mais mortes por ano do que o cigarro, que é responsável por cerca de 7 milhões de óbitos anualmente.

Novo modelo

Para se chegar a tal número, os pesquisadores valeram-se de dois novos elementos. O primeiro é novo modelo de cálculo, conhecido como Global Exposure Mortality Model (Modelo Global de Mortalidade por Exposição, GEMM, na sigla em inglês), muito mais abrangente que o Global Burden of Disease, utilizado pela OMS no estudo anterior. Segundo os cientistas, o atual levantamento foi baseado em mais de 40 grandes estudos, incluindo importantes investigações na China.

Além disso, a pesquisa agora deu muito mais atenção aos impactos causados pelo material particulado 2,5 (MP 2,5) na saúde humana, e considerou um maior número de doenças causadas pela exposição a ele, como acidente vascular cerebral, doenças cardíacas, diabetes e pressão alta.

Ao comentar o estudo, o professor Thomas Münzel, médico e pesquisador na Universidade Johannes Guterberg disse: “Como médicos e pacientes nós não podemos alterar os limites para poluição atmosférica, por isso, os políticos devem sair à frente e nos dar um ambiente que nos mantenha seguros”.

Material particulado 2,5

O material particulado (MP) 2,5 é identificado pela OMS como um dos poluentes mais perigosos para a saúde humana. Este tipo de material particulado tem um diâmetro de até 2,5 micrômetros (µg), o que é apenas cerca de 3% do diâmetro de um fio de cabelo. E é aí que mora o perigo. Por ser tão pequeno e leve, essas partículas tendem a ficar mais tempo suspensas que outras partículas mais pesadas. Devido ao seu tamanho, elas podem passar diretamente pelo nariz e garganta e penetrar profundamente nos pulmões e sistema circulatório.

Desde 2000, a OMS traz recomendações para os limites do MP 2,5 e, atualmente, a organização recomenda que as emissões deste poluente não passem de 10 µg/m³ por ano ou 25 µg/m³ em 24h. No entanto, até o ano passado o Brasil não tinha estabelecido seus limites em nível nacional.

A determinação só veio com a aprovação da Resolução 491 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), em 19 de novembro de 2018. Mas ela não estabelece que o país deve seguir as recomendações da OMS de imediato. A redução das emissões do MP 2,5 será feita em etapas e o documento não estipula datas para que estas sejam concluídas.

“Haverá etapas intermediárias, com Padrões de Qualidade do Ar Intermediário, que serão adotados, de forma subsequente, levando em consideração os Planos de Controle e relatórios da Qualidade do Ar, elaborados pelos órgãos ambientais. Portanto, não há uma data definida ainda para adoção do padrão final”, explica a professora Adriana Gioda, pesquisadora do Departamento de Química da PUC-Rio que há 16 anos estuda o MP2,5 e é autora de vários estudos sobre o assunto.

Segundo ela, vários estados já monitoram o poluente. No Rio de Janeiro o monitoramento começou em 2011 e São Paulo estabeleceu padrões de qualidade estaduais em 2013 para o MP2,5. No entanto, os dados ainda são muito localizados. Além disso, é difícil estimar a média de emissão no país, pois as fontes são muito variáveis.

Apesar de o estudo e estabelecimento de limites para MP2,5 ser realidade para alguns municípios, ainda falta muito para que o Brasil veja as emissões do poluente diminuírem de forma efetiva. De acordo com o médico patologista Paulo Saldiva, coordenador do Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP, apenas 3% dos municípios brasileiros tem sistemas de monitoramento da qualidade do ar.

No Brasil, os últimos números divulgados indicam que 50 mil pessoas morrem anualmente por conta da poluição atmosférica. Para Saldiva, esse número pode estar subestimado, justamente porque falta interesse dos governos locais em se adotar medidas de controle e mitigação do problema. “E não vejo perspectiva a curto prazo de que [essa situação] vai mudar, infelizmente”, finaliza o professor.



Fonte: ((o))Eco - Cristiane Prizibisczki



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