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Número de focos de incêndio é maior que dobro do mesmo período de 2013

Compartilhe:     |  15 de setembro de 2014

Em um ano de pouca chuva, as queimadas se espalham pelo país. Dezoito mil focos de incêndio foram registrados, mais do que o dobro de 2013, nesta época do ano. Nossos repórteres acompanharam os brigadistas na luta contra o fogo. Foi uma semana, dia e noite, o tempo todo ao lado de quem luta para apagar os incêndios e salvar milhares de plantas e animais.

Vários focos de incêndio ameaçam o cerrado na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, no Tocantins. A área é do tamanho do estado de Sergipe. Brigadistas do Ibama sobrevoam o Parque Nacional do Araguaia para conter focos de queimadas. Na rota, um ninho de tuiuiú. A ave parece esperar ajuda. O helicóptero pousa e começa a operação de salvamento.

Por causa do vento, o fogo se aproxima rapidamente. De acordo com os brigadistas do Ibama, se trata de um filhote de tuiuiú. Os pais já abandonaram o ninho por causa da fumaça, mas ele ainda não sabe voar. Uma barreira é feita em volta do tronco para proteger a árvore. Lá de cima o filhote observa, a vida dele está por um fio. Todos os anos, milhares de bichos morrem porque não conseguem escapar das queimadas e por falta de alimentos.

Durante uma semana, o Fantástico percorreu mais de quatro mil quilômetros. Acompanhou de perto o trabalho de brigadistas do Ibama e do Instituto Chico Mendes que combatem incêndios em reservas ambientais.

Norte de Goiás, Reserva Indígena Ava Canoeiros. O fogo avança sobre uma área equivalente a 9 mil campos de futebol. “É crime, porque está provocando um incêndio florestal de grandes proporções dentro de uma área protegida, que é uma terra indígena”, afirma um brigadista.

É mais uma ameaça à essa etnia que está à beira da extinção. São apenas 27 índios em todo o país. “Essa área aqui para nós é como se fosse um ouro”, conta o chefe da comunidade indígena Capitu Main.

Ao chegar a Barreiras, no interior da Bahia, os fiscais do Ibama querem saber quem pôs fogo em uma área equivalente a dez campos de futebol, bem perto da cidade.

Uma das maiores dificuldades da fiscalização, em caso de incêndio criminoso, é identificar o responsável pelo fogo. Hoje os técnicos do Ibama usam imagens de satélite na investigação. Elas indicam o provável local de origem da queimada. Localizada a propriedade, o dono confirma que o filho tocou fogo na área.

“Ele botou de manhã cedinho. Aí quando deu meio-dia, o fogo avançou”, conta o quilombola Antonio Bispo.

E o tuiuiú mostrado no início da reportagem? Continua no topo da árvore respirando fumaça. Os brigadistas ainda não conseguiram salvá-lo.

Fantástico: Isso é que você chama de contrafogo.
Brigadista: É isso mesmo, a gente vai colocar o fogo daqui para lá. O fogo de lá vai puxar ele para que não pegue fogo no tronco e não derrube a árvore onde está o ninho.

Mas será que o vento vai ajudar? O clima seco desta época agrava as queimadas. No Parque Nacional do Araguaia, em Tocantins, até os índios entram na luta contra o fogo. Ganham do Ibama um salário mínimo por mês, e o ritmo do trabalho lembra um ritual.

Quando não há incêndio por perto, continua o esforço para salvar os animais. Na Ilha do Bananal, o trabalho agora é dentro da água. Sem chuva, as lagoas secam. Se os peixes não forem retirados, morrem. E para transportá-los, é preciso montar uma piscina improvisada na carroceria da caminhonete. Um a um, os pirarucus são resgatados. Tem que ser muito rápido esse processo, porque ele é um peixe muito sensível. A água é captada no lago, e o capim é o que ele já está acostumado. Os peixes chegam extremamente cansados e provavelmente iriam morrer. Eles são levados para um outro rio e são salvos.

Segundo o Ibama, as queimadas vão até o fim de outubro. Este ano, até agora, o número de focos de incêndio é maior que o dobro do que foi registrado neste mesmo período do ano passado.

“O Brasil vive uma situação crítica, porque isso vai ter uma consequência de longo prazo na biodiversidade do cerrado”, afirma o climatologista Carlos Nobre.

E será que os brigadistas conseguiram salvar também aquele filhote de tuiuiú? A barreira envolta do tronco funcionou. O fogo foi apagado, e os pais, que tinham fugido da fumaça, voltaram para o ninho.

“Ah, dá pena. A gente acaba depositando um pouco mais de esforço para salvar porque acho que vale a pena”, diz o brigadista Rodrigo.



Fonte: Fantástico



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