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Nutricionista debate os principais desafios alimentares na infância

Compartilhe:     |  25 de abril de 2019

Dados de estudos demonstram que cerca de 50% das crianças na faixa etária pré-escolar apresentam alguma dificuldade alimentar. Em uma pesquisa com mães brasileiras, por exemplo, 91% procuraram o pediatra com a queixa “meu filho não come”.

As deficiências nutricionais da criança podem ser atribuídas a uma alimentação inadequada como um todo – e, consequentemente, com carência de nutrientes de modo geral – ou ao aporte inadequado de um nutriente específico (zinco, ferro, fibras). As causas vão de hábitos desequilibrados aos efeitos negativos deflagrados por alguma doença ou incapacidade.

Em todo o mundo, crianças com dificuldades alimentares representam um problema significativo. Ora, elas necessitam de energia e nutrientes para seu rápido desenvolvimento nos primeiros anos de vida.

Crianças que passam um tempo longo sem uma nutrição completa e balanceada não raro apresentam déficit de crescimento e comprometimento do desenvolvimento cognitivo, além de uma deficiência das funções imunológicas, com maior risco de doenças infecciosas.

Definindo os problemas alimentares na infância

Muitos termos já foram usados para determinar esses transtornos. O termo dificuldade alimentar engloba qualquer quadro que afete negativamente o processo pelo qual os pais ou responsáveis fornecem alimento ou nutrição às crianças.

Essa expressão pode ser considerada um termo “guarda-chuva”, que comprova a grande diversidade das condições que afetam o processo alimentar. Ela inclui todo o espectro de problemas alimentares leves a graves, além de uma ampla gama de causas (problemas orgânicos, do desenvolvimento, comportamentais de dinâmica familiar), e as consequências que impactam no estado nutricional, no crescimento, no relacionamento entre pais e filhos…

Na maioria das situações, as dificuldades alimentares têm vários fatores que desencadeiam seu aparecimento e a sua persistência. A interação entre a criança, a comida e a pessoa que a alimenta gera múltiplas combinações de fatores de risco:

• O alimento pode não ser apropriado para a etapa de desenvolvimento da criança ou não é balanceado do ponto de vista nutricional

• A criança tem um temperamento mais sensível, dificuldades sensoriais e doenças orgânicas

• As pessoas que alimentam a criança não atentam para os sinais de fome/saciedade nem criam um ambiente apropriado à alimentação. Elas podem também ser excessivamente controladoras ou, ao contrário, pouco envolvidas

Há, portanto, vários tipos de dificuldade alimentar:

1. Falta de apetite por doença orgânica: inapetência causada por alguma doença (alergias alimentares ou doença celíaca, por exemplo), com sinais e sintomas sutis que às vezes passam despercebidos em um exame de rotina.

2. Inapetência por interpretação equivocada dos pais: os familiares acham que a criança não come o suficiente, embora um apetite modesto possa ser apropriado ao tamanho e às necessidades nutricionais dela.

3. Falta de apetite em uma criança agitada: ela se distrai facilmente da refeição para brincar ou interagir com alguém. Essas crianças são espertas, ativas e curiosas, e estão mais interessadas no ambiente do que na comida.

4. Inapetência em uma criança apática e retraída: a perda do apetite faz parte do quadro geral de retraimento ou até depressão.

5. Alimentação altamente seletiva: objeção radical e persistente a certos alimentos. A recusa é relacionada a características particulares, como sabor, textura, odor ou aparência. Essa rejeição ultrapassa a resistência normal a novos alimentos.

6. Medo da alimentação: fobia intensa à simples perspectiva de se alimentar e forte resistência a qualquer tentativa nesse sentido. A criança pode desenvolver o medo da alimentação depois de passar por alguma experiência oral negativa ou assustadora, como um engasgo grave ou uma intubação oral.

Normalmente os perfis mais comuns são:

A família é a principal responsável pela formação do hábito alimentar da criança. Os pais devem ser o exemplo, mantendo uma rotina de refeições saudáveis e não utilizando barganhas e chantagens.

É importante saber que as dificuldades alimentares são comuns em crianças pequenas e podem persistir por toda a infância. A boa notícia: a maioria dos quadros é leve e costuma ser tratado com sucesso pelo pediatra e pelo nutricionista.

*Patricia Ruffo é nutricionista e 2ª tesoureira da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN)



Fonte: Saúde - Patricia Ruffo, nutricionista*



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