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O barulho provocado por fogos , vuvuzelas e gritos pode gerar problemas de saúde para os animais

Compartilhe:     |  20 de junho de 2018

A Copa do Mundo não chega sozinha – o principal torneio de futebol do planeta traz com ele fogos de artifício, vuvuzelas e gritos de comemoração.

Para tutores de animais domésticos, a preocupação aumenta, pois os animais se incomodam muito com o barulho. Os tutores, portanto, precisam ter mais cuidado para que o animal não fuja.

A sensibilidade auditiva de um animal é mais que o dobro daquela de um ser humano, segundo a professora veterinária Marina Zimmermann: ser humano: 20 mil Hertz, cachorros: 40 mil Hertz e gatos: 45 mil Hertz.

Após ouvir o barulho, o animal aumenta a produção de cortisol – hormônio do estresse – e diminui a produção de serotonina – hormônio do prazer. Em curto prazo, essa desregulação pode causar gripe, diarreia, descontrole urinário e, em casos mais graves, até epilepsia.

De olho na reação

Cada animal reage de forma diferente aos estímulos sonoros, mas especialistas apontam alguns sinais que podem indicar o estresse. Em geral, gatos costumam pular de onde estão para fugir do barulho – e podem acabar caindo de janelas ou sacadas, por exemplo.

Os cães, por sua vez, costumam latir muito e tentar cavar buracos, além de tentar fugir para uma área protegida. Segundo Marina, tentar reduzir a mobilidade dos animais pode “gerar ainda mais estresse”.

O conforto do lar

Aos 18 anos, a pinscher Amine é uma “senhorinha”. Ela mora em um apartamento no Guará, no Distrito Federal, e sofreu na Copa do Mundo do Brasil com a balbúrdia das comemorações. Para quem se assusta até com a queda de objetos em casa, o barulho das vuvuzelas e dos fogos de artifício só tem uma solução: o colo da tutora, Juliana Carmozina.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Além do pedido de socorro, o estresse de Amine causa tremedeira e aumento do ritmo cardíaco. Juliana diz que tenta fechar portas e janelas, mas a medida é insuficiente para isolar o som que vem da área externa.

“Teve um dia que me desesperei vendo ela tremer que enrolei um cobertor tapando as orelhas dela.”

Antes dos jogos, Juliana passou a dar um calmante natural para a pinscher, na tentativa de reduzir o susto. Durante a Copa, ela também tenta ficar mais próxima de Amine, em casa, para que a cachorra se sinta protegida.

“Sempre procuro ficar bem perto dela, abraçar. Não saio com ela na rua”, diz. Na Copa da Rússia, Juliana diz que vai tentar assistir a alguns jogos com amigos. “Em alguns momentos, vou precisar sair. A solução é deixar ela no ‘porto seguro’, em casa.”

Cantinho de nascimento

Aos 14 anos, o gato Elvis também sofre com os barulhos excessivos. Segundo a tutora, Luzia de Sousa, os sustos já fizeram o animal ter vômitos e diarreia, além do nervosismo “normal”.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Quando começa a tremedeira, Luzia sabe que Elvis precisa de atenção reforçada. Ela afirma que os sintomas não preocupam tanto porque são “passageiros”, mas indicam o medo do animal. Conforme o gato fica mais velho, o cuidado também se intensifica.

“A cada quatro anos, é uma reação diferente. Ele está quatro anos mais velho, né, isso me preocupa”, diz.

Petisco e tranquilidade

Enquanto alguns sofrem, tem animal que não dá a mínima para os ruídos da Copa – e ainda aproveita para ganhar um mimo extra. A cachorra Nina, moradora de Ceilândia Sul, aprendeu a conviver com o barulho.

Segundo a tutora, Viviane Fernandes, houve um tempo em que a cadela ficava estressada e agitada com os fogos de artifício. Com petiscos e brincadeiras, a família cortou a tensão e evitou o trauma. “Quando ela começa a ter medo, eu pego os brinquedos e distraio”, resume.

(Foto: Arquivo Pessoal)

Cuidados domésticos

A pedido do G1, a veterinária Marina Zimmermann montou um guia rápido com dicas para evitar o susto de cães e gatos – e para acalmar os animais, se o barulho for inevitável. As sugestões também se aplicam ao réveillon, às finais de clássicos e a qualquer ocasião que exponha os animais a barulho alto e estresse.

Além do som, Marina recomenda cuidado especial dos tutores com os enfeites. Em algumas pet shops, até cola quente é usada na hora de embelezar gatos e cães. A orientação é dar preferência a tintas, roupas e acessórios formulados especificamente para animais. Confira as dicas.

Para evitar acidentes

Não prender o corpo do animal com pano ou faixa: a técnica é usada na tentativa de imobilizar o animal, mas pode aumentar a sensação de pânico. Se o animal tentar se soltar, pode acabar se machucando ou mordendo o tutor.

Evitar cordas, correntes e espaços pequenos: como reação natural ao barulho, os animais despertam instinto de fuga. Obstáculos mecânicos podem gerar ferimentos ou até o enforcamento do animal.

Fechar bem janelas e portas: o mesmo instinto de fuga pode fazer com que o animal saia em disparada. Há risco de atropelamento, por exemplo, ou sumiço do animal.

Colocar tela protetora nas piscinas: ainda durante a fuga, animais que não sabem nadar podem cair na água e se afogar.

Para acalmar os animais

Muito ligados ao cheiro, os cães podem ficar mais tranquilos se estiverem perto das roupas do tutor. Quando a família precisa sair, espalhar peças pela casa é uma boa estratégia.

Borrifar infusões com óleos calmantes – camomila, lavanda e capim-limão, por exemplo – também ajuda a acalmar os animais. O cheiro ajuda, mas é importante evitar que o animal consuma as essências, que podem tem álcool ou óleos sintéticos.

Para a alimentação, há vegetais com efeito calmante que não fazem mal a cães e gatos. As folhas de alface e as bebidas com camomila são exemplos.

Músicas relaxantes – as mesmas usadas para ninar bebês ou acalmar adultos – também surtem efeito nos animais. Além disso, ajudam a abafar o barulho externo.

Com orientação veterinária, também é possível administrar gotas de essências florais na água dos animais, ou fazer tampão nos ouvidos com algodão. Nestes casos, é importante consultar um especialista.



Fonte: Anda - G1



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