Artigos

O desafio da sustentabilidade

Compartilhe:     |  8 de junho de 2019

Fernão Silveira*

A sustentabilidade é um desafio que exige planejamento e estratégia. Assunto recorrente também na agenda da ONU, a questão é anualmente discutida no Dia Mundial do Meio Ambiente. Diante desse tema, nós, como Indústria, também nos perguntamos: onde estamos e aonde queremos chegar? Antes de inaugurarmos o Polo Automotivo Jeep, em Goiana, Pernambuco, tínhamos um grande desafio pela frente, já que a fábrica foi construída em uma região que já tinha sido destinada à plantação de cana-de-açúcar. Durante séculos, esse cultivo substituiu a vegetação nativa e identificar quais eram as plantas originais do bioma Mata Atlântica não foi tarefa fácil. E assim surgiu o Programa de Biodiversidade Jeep, que ultrapassou o propósito inicial de um projeto paisagístico e, atualmente, é uma das mais relevantes iniciativas de conservação da Mata Atlântica do País.

Com capacidade para produzir 88 mil mudas por ano, o viveiro do Polo Automotivo Jeep vem transformando a paisagem da Zona da Mata pernambucana. Em 2014, antes mesmo da inauguração da fábrica, as sementes começaram a germinar e, hoje, cerca de 100 mil mudas de 295 diferentes espécies da Mata Atlântica crescem na região. A meta do Programa de Biodiversidade é alcançar, até 2024, o plantio de 208 mil mudas, com a criação de 304 hectares de área verde e corredores ecológicos.
Além de conservar a Mata Atlântica em diversas frentes, também contribuímos para a formação de uma nova geração que reconhece a importância da natureza. Para isso, recebemos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental de escolas públicas de Goiana em nosso viveiro, transformando-o numa sala de aula a céu aberto. Todos os alunos são convidados a plantarem as mudas que são produzidas no viveiro. De forma prática, com as mãos na terra, aprende-se ecologia, botânica e educação ambiental. Ao longo do projeto, também acontecem oficinas para capacitar professores e supervisores das escolas. Mais de 1,2 mil alunos já participaram do circuito.
Dentro de nosso empenho pela recuperação e preservação de toda a biodiversidade local, a Jeep também mantém viva uma parceria com o Projeto Tamar, uma das mais relevantes iniciativas em defesa da vida marinha do Brasil. A união reafirma uma história que teve início em 1982, quando, a bordo de três Jeep[CL(1]  doados pelo órgão ambiental brasileiro, os primeiros pesquisadores da iniciativa começaram o trabalho de proteção das tartarugas marinhas, espécies ameaçadas de extinção.
Diante desse programa integrado, que abraça todos os vetores para a preservação, também olhamos para a nossa água. O efluente gerado no Polo Automotivo Jeep é tratado em um sistema com capacidade de 150 mil litros/hora e que tem como diferenciais as tecnologias de Membrana – MBR, e Osmose Reversa. O efluente tratado é monitorado durante todo o processo em laboratório gerando um dos maiores índices de recírculo do Brasil: 99,5%. Em um mês, cerca de 28 mil metros cúbicos de água (equivalente a oito piscinas olímpicas) deixam de ser captados da rede pública de abastecimento. Com isso, o consumo de água por veículo produzido reduziu, em um ano, 45%.
Como resultado de todos estes esforços, o Polo Automotivo Jeep é a primeira planta do Nordeste a ser Aterro Zero. Desde outubro de 2015, 100% dos resíduos[CL(2]  gerados são enviados para reciclagem e reutilização. Todos os resíduos gerados na fábrica vão para a Ilha Ecológica, uma área de 3 mil metros quadrados com 82 profissionais, em três turnos de operação. Atualmente, são 29 contratos de destinação de resíduos. A maioria é de empresas da região. O “Aterro Zero” impulsionou no entorno do Polo o desenvolvimento da cadeia da reciclagem, com a criação de oportunidades de novos negócios.
*Fernão Silveira – Diretor de Comunicação e Sustentabilidade da FCA para a América Latina


Fonte: Diário de Pernambuco



Leia também:

Projetos ambientais
Aqui você é o Reporter

Espaço Animal

5 coisas horríveis que você não sabia que aranhas podem fazer com você

Leia Mais