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O mapa de um Brasil doente

Compartilhe:     |  11 de janeiro de 2015

Crédito: Arte Marcos TakamatsuPesquisa Nacional de Saúde (PNS) aponta que quase 40% dos brasileiros têm pelo menos uma doença crônica. Alimentação inadequada é uma das causas

Por Alana Grana, da Agência Brasil

A primeira edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada no final do ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), identificou que 39,3% dos brasileiros adultos, com 18 anos ou mais, foram diagnosticados com pelo menos uma das 11 doenças crônicas não transmissíveis citadas no levantamento – câncer, depressão, colesterol alto, diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, Acidente Vascular Cerebral (AVC), asma, insuficiência renal, problemas de coluna e problemas osteomoleculares. Juntas, essas doenças respondem por mais de 70% das mortes no país.

Os pesquisadores visitaram 80 mil casas em 1,6 mil municípios de todas as regiões durante o segundo semestre de 2013 e expandiram os resultados obtidos para um universo de 146,3 milhões de pessoas. A pesquisa mostrou que a situação é preocupante, a começar pela alimentação inadequada e o sedentarismo, responsáveis por grande parte dessas enfermidades.

A PNS estimou que o Brasil tem 31,3 milhões de hipertensos (21,4% do total), 27 milhões de pessoas com problemas na coluna (18,5%) e 2,2 milhões que já sofreram um AVC. Parte da população (12,5%) foi diagnosticada com colesterol alto, enquanto 6,2% têm diabetes e 4,2% apresentam alguma doença cardiovascular.

A Região Sudeste liderou os diagnósticos de hipertensão, com 23,3%. Entre as mulheres adultas, a prevalência da doença foi maior (24,2%) que entre os homens (18,3%). Em todo o Brasil, 69,7% dos hipertensos disseram receber assistência médica nos 12 meses anteriores à pesquisa. As unidades básicas de saúde foram responsáveis por 45,9% dos atendimentos aos hipertensos.

Colesterol, depressão e alcoolismo

No que se refere ao colesterol elevado, a proporção maior foi encontrada também nas mulheres adultas (15,1%). Entre os homens, o percentual foi 9,7%, sendo que, para ambos os sexos, a principal recomendação médica para baixar a taxa de colesterol é uma alimentação saudável (93,7% dos casos).

Outra vilã da saúde no Brasil é a depressão, doença que acomete 11,2 milhões de adultos. Desse total, somente 46,6% tiveram assistência médica nos 12 meses anteriores à pesquisa.

A PNS identificou que 24% da população adulta costumava ingerir bebida alcoólica pelo menos uma vez por semana, sendo que esse hábito é mais frequente entre os homens (36,3%) do que entre as mulheres (13%). “Quando se associa a bebida à direção, verifica-se que a proporção de homens (27,4%) supera a de mulheres (11,9%)”, afirma Maria Lúcia Vieira, gerente da pesquisa. Entre os brasileiros acima de 18 anos que dirigem veículos no trânsito, 24,3% admitiram ter dirigido automóvel ou motocicleta após ingerir bebida alcoólica.

Tabagismo

Do total de adultos pesquisados no Brasil, 12,7% eram fumantes diários e 17,5%, ex-fumantes, em 2013. Entre os fumantes diários, os homens foram a maior parcela: 16,2%, contra 9,7% de mulheres. O cigarro industrializado foi o produto do tabaco mais consumido por 14,5% dos fumantes.

A PNS mostrou ainda que 46% dos adultos consultados não costumavam praticar atividades físicas em nível satisfatório tanto no lazer quanto no trabalho, em casa ou no deslocamento para o trabalho. No lazer, considerado mais importante pelos técnicos do IBGE, 27,1% dos homens acima de 18 anos praticavam o nível recomendado de atividades físicas em 2013. Entre as mulheres, o índice foi de 18,4%.

Entre os adultos, 28,9% admitiram assistir à televisão por um período acima de três horas por dia. Conjugado ao fato de não praticarem atividades físicas suficientes no tempo livre, principalmente, isso amplia a possibilidade de se tornarem obesas e, em consequência, sujeitas a outras doenças, alerta a pesquisa.

Em 2013, 37,3% da população relataram seguir a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) no que se refere ao consumo de frutas e hortaliças, que envolve a ingestão diária de, pelo menos, 400 gramas desses alimentos. São destaques as regiões Centro-Oeste e Sudeste, onde o consumo de frutas e hortaliças atingiu 43,9% e 42,8%, respectivamente. Maria Lúcia chamou a atenção, em contrapartida, para o fato de 37,2% dos brasileiros adultos terem admitido consumir carne vermelha ou frango com excesso de gordura, principalmente na Região Centro-Oeste (45,7%). O consumo desses alimentos foi maior entre os homens (47,2%) do que entre as mulheres (28,3%).

Maria Lúcia avaliou que, embora as mulheres fumem menos e bebam menos do que os homens, elas ficam mais doentes, de forma geral. A diferença, segundo esclareceu a gerente da PNS, é que a pesquisa abordou as doenças crônicas e não o fato de  as pessoas terem ou não a doença. “A gente sabe que as mulheres frequentam mais os consultórios médicos, elas procuram mais que os homens, por isso têm mais diagnóstico. Além disso, elas atingem idades mais avançadas e essas doenças crônicas ocorrem em maior proporção conforme a idade aumenta. Essas seriam as justificativas para as mulheres terem uma prevalência maior dessas doenças.”  

Fonte: Revista Ecológico

 

 



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