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O petróleo e as energias renováveis foi tema de debate no Fórum Espaço Ecológico 15 Anos

Compartilhe:     |  12 de abril de 2019

A Petrobrás está vendendo todos os campos de exploração de petróleo do Nordeste. o alerta foi feito pelo engenheiro de Petróleo, Fernando Lucena, durante palestra proferida no Fórum Espaço Ecológico 15 Anos, em João Pessoa, no último dia 22 de março.

“A ideia é essa. Acabou de sair, agora, a informação da venda das plataformas marítimas no Rio Grande do Norte e Ceará. Na verdade, a Petrobrás resolveu vender agora, mas já parou de investir há mais de três. Com isso, a produção despencou de 60 mil barris, quando ela decidiu vender, para 45 mil hoje, na área do Rio grande do Norte e Ceará.

Fernando detalha como está a produção do país hoje. Segundo ele, o Brasil tem uma produção total de 3.342.911 barris de óleo equivalente por dia (boe/d), em 313 Campos produtores, que deixa o país exportador de petróleo bruto e importador de gasolina e óleo diesel e a gente paga por isso com os altos preços dos postos de combustíveis. “Existia uma campanha de ampliação de nossas refinarias. Tinha a refinaria de Suape, ia ser construída uma refinaria do Ceará e uma no Maranhão. Se os projetos dessas refinarias tivessem tido continuidade, a gente iria se tornar também exportador de derivados”, lamentou.

Na opinião de Lucena, a grande descoberta no mundo dos últimos 20 anos é o pré-sal do Brasil, e pouca gente sabe disso, porque não há interesse em divulgar. Ele acrescenta que ainda não está delimitada a extensão de toda bacia produtora do pré-sal. “Muita gente pensa que quem só produz petróleo hoje no Brasil é a Petrobrás, mas não é. A Petrobrás é a maior, mas existem diversas empresas que produzem petróleo e que somam com a Petrobrás um elenco de ao menos 32 empresas”, informou.

Fernando Lucena observou que no Brasil há uma propagação de que o petróleo não deve ser estatal, mas a Equinor Brasil é uma antiga estatal da Noruega que está comprando o que é possível comprar na área de petróleo. A Shell Brasil é uma multinacional conhecida, a Total E&P do Brasil é estatal francesa e a Chevron Frade que é americana, só para citar algumas dessas empresas. E, há uma previsão de vários leilões, a partir deste ano. “Antes o pré-sal era praticamente nosso, agora, eles estão abrindo e, por decisão do governo, vão vender áreas de exploração do pré-sal. No Brasil, a expectativa é de receber em torno de 100 bilhões nos próximos leilões e isso vai trazer um alívio para o governo, mas essa reserva enorme que deveria ser o futuro da gente vai ser exportada, como a Shell já vem fazendo”, acrescentou.

Fernando Lucena informou que, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, desenvolveu uma maneira de aproveitar o resíduo de perfuração de petróleo e transformá-lo em tijolos e telhas. “A gente envolveu no projeto dois engenheiros que estavam fazendo mestrado e o resultado foi excelente, porque evita que você deixe esses resíduos no meio ambiente e possibilita aproveitá-los o máximo possível”, comentou.

Energias Renováveis

Fernando Lucena é presidente do Sindicato dos Petroleiros e Petroleiras do RN (SINDIPETRO/RN) e diretor na área de exploração e produção de petróleo do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), instituição que é sustentada pelas empresas que produzem energia eólica e energia solar. “Somos privilegiados. Maior parte da nossa energia é gerada pelas quedas d’águas, ou seja, as hidrelétricas. E hoje estamos numa velocidade enorme na produção de energia eólica, área em que também somos privilegiados. Além disso, descobrimos recentemente que somos extremamente privilegiados na área de energia solar”, constatou.

Ele explica que a Paraíba tem elipse que começa em Belém do Brejo do Cruz e vai até Coremas, que é uma área de maior isolação do país. E estão sendo construídos grandes parques solares em Coremas e Malta. Também tem um parque eólico em Santa Luzia. “O petróleo gera uma energia suja, mas as fontes renováveis geram uma energia limpa. O Brasil devia ter créditos enormes, em nível mundial, pela quantidade de créditos de carbono que gera”, acentuou.

Fernando esclareceu que o petróleo é uma energia finita e que vai acabar, é só uma questão de tempo. “É tanto que já temos campos de petróleo, no Rio Grande do Norte, descobertos na década de 1970, que já não produzem mais. Daí a importância das fontes limpas de energia renovável, como o sol, vento, rios e correntes de água, mares e oceanos, matéria orgânica e calor da terra”, detalhou.

Outro fator importante na produção das energias renováveis é a geração de emprego. “O Rio Grande do Norte disparou na frente e hoje é o maior produtor de energia eólica do Brasil, e é independente em termos de energia, ou seja, não precisa da energia de Paulo Afonso, mas a Paraíba está caminha para isso também. Então precisa ter gente treinada. Eu vivo numa briga contínua porque a universidade precisa oferecer cursos aonde está o emprego. Onde você vai gerar a energia solar, por exemplo, também vai gerar emprego”, sustentou o engenheiro.

Ele revelou que os parques solares e os parques eólicos estão cada vez mais sendo implantados. Também já estão sendo gerados empregos pelos fabricantes de componentes para a montagem dos sistemas de energia solar, principalmente os residenciais. O especialista explicou que as fontes de geração de energia elétrica renováveis representaram, em junho, 81,9% da capacidade instalada de geração de energia e 87,8% da produção total verificada no país.

Os dados constam do Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico divulgado pelo Ministério de Minas e Energia. No período de um ano, a geração hidráulica registrou aumento de 3,5% na capacidade instalada, atingindo 102.228 MW. A fonte eólica cresceu 20,7% e corresponde por 12.931 MW. A biomassa teve elevação de 3,7% e soma 14.657 MW.  A solar, apesar do volume total menor, cresceu 577% e alcançou 1.602 MW.

O palestrante

Fernando Antônio Lucena Soares é engenheiro civil e de petróleo, aposentado pela Petrobras, com 42 anos de experiência na área de exploração e produção, e diretor-presidente do Grupo Luso, composto por Cril Soluções Ambientais e Luso Consultoria de Petróleo Ltda. Ele é paraibano, embora suas empresas funcionem no Rio Grande do Norte. “Saímos daqui da Universidade Federal da Paraíba, em 1976, direto para a Petrobrás, junto com um grupo de 20 amigos que também concluíram o curso de engenharia. Há 18 anos atrás, com 25 anos de Petrobrás, me aposentei e criei uma empresa de consultoria de petróleo, para dar apoio às empresas que estavam chegando ao país, a Luso Consultoria, que prestou serviço para Petrobrás, a nível de Brasil, até o início de 2019, quando encerrou meu contrato, devido às restrições que a Petrobrás tem. Mas a gente continua ativo e com isso a gente ganhou experiências e criou o mercado. Nós estimulamos, principalmente, no Rio Grande do Norte, a criação do curso de Engenharia de Petróleo”, revelou.

Como empresário, Fernando Lucena foi um dos estimuladores da criação dos cursos de petróleo, tanto na área técnica, no IFRN, com o primeiro Curso de Operador de Petróleo e, depois, na parte da universidade, quando ajudou informalmente e até hoje continua ajudando. Dia 29 de abril proferirá uma palestra sobre o mercado de trabalho na área de petróleo.

“Depois criamos a Cril Soluções Ambientais que visava dar destino inicialmente aos resíduos criados pelas empresas de petróleo, porque, além da Petrobrás, tínhamos entrando no mercado de petróleo, de exploração, várias empresas no Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia. Procuramos um lugar para destinar, principalmente, os fluidos de perfuração, ou seja, resíduos de perfuração.  Foi o nosso mercado inicial e nós escolhemos um lugar, entre muitos lugares no Brasil, de maior insolação, que se chama Belém do Brejo do Cruz, no Sertão paraibano, já perto do Rio Grande do Norte e mais próximo da área de prospecção, mas na área de maior insolação, aonde a gente teria ganhos por evaporação dos resíduos líquidos. Isso foi em 2008, quando criamos a Cril Soluções Ambientais”, relatou.

A Cril Soluções Ambientais faz gerenciamento de resíduos, coleta, transporte licenciado. “Trabalhamos desde São Paulo, onde gerenciamos os resíduos da Transpetro em São Sebastião, até no Amazonas, onde coletamos resíduos e botando em Balsa para incinerar, para não ficar lá expondo o Amazonas aos riscos de poluição do meio ambiente. Temos um aterro industrial, em Belém, uma base em Mossoró, o escritório central em Natal, uma base em Macaíba, na Grande Natal, aonde centralizamos a geração de resíduos hospitalares, que são incinerados. Hoje, estamos ampliando a nossa área de atuação”, concluiu.



Fonte: Revista Espaço Ecológico



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