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O que aconteceria se todos os vulcões da Terra entrassem em erupção ao mesmo tempo?

Compartilhe:     |  5 de dezembro de 2016

Um vulcão em erupção com sua lava brilhante causa temor e admiração. No Planeta, especialistas estimam que haja cerca de 1.500 vulcões na superfície, dos quais cerca de 10 a 20 entram em erupção em algum lugar da Terra, diariamente.

Agora imagine se todos os 1.500 vulcões entrassem em erupção de uma só vez. A Terra sobreviveria? Mesmo que, segundo cientistas, a chance de tal evento acontecer é mínima, a Terra não suportaria.

Segundo o geólogo, Parv Sethi, da Universidade de Radford, na Virgínia nos Estados Unidos, mesmo que apenas os vulcões em terra entrassem em erupção ao mesmo tempo, isso provocaria um efeito dominó ambiental muitas vezes mais poderoso do que um inverno nuclear – fenômeno que seria provavelmente produzido caso ocorresse uma guerra nuclear em larga escala. “As coisas vão se tornar tão ruins que eu não quero sobreviver em uma Terra como esta”, disse Sethi ao site Live Science.

vulcao-em-erupcaoOs dois grandes perigos de um cataclismo vulcânico mundial são as cinzas geradas na erupção e os gases vulcânicos. Embora as erupções e as lava sejam mortais para as pessoas perto de vulcões, o número de mortes não se resumiria a isso: muitas pessoas morreriam pela consequente mudança climática.

“O planeta ficaria na escuridão completa, e isso iria devastar a fotossíntese, destruir as plantações e fazer com que as temperaturas despencassem”, disse Sethi, acrescentando que as cinzas permaneceriam na atmosfera por até 10 anos. No entanto, nem todo vulcão na Terra está preparado para dissipar grandes quantidades de cinzas. Alguns vulcões, como os do Havaí, costumam dissipar fluidos de lava “suavemente”.

Mas a lista de 1.500 vulcões ativos, compilada pelo Serviço Geológico dos EUA, inclui formações como o supervulcão Yellowstone, que poderia cobrir os Estados Unidos em uma fina camada de cinzas. O frio e a chuva ácida acabariam com todas as plantações que sobrevivessem, segundo Sethi.

Gases vulcânicos incluem substâncias nocivas como ácido clorídrico, fluoreto de hidrogênio, sulfeto de hidrogênio e dióxido de enxofre, que podem causar chuva ácida quando se condensam na atmosfera. A chuva ácida contaminaria águas subterrâneas e a superfície do oceano. A acidificação do oceano mataria corais e criaturas marinhas. As extinções chegariam até a cadeia alimentar do mar, eliminando peixes e outras espécies marinhas.

Os pesquisadores documentaram uma conexão semelhante entre a acidificação do oceano, as extinções em massa no passado da Terra e as erupções vulcânicas de grande porte, que são chamadas de basaltos de inundação. Por exemplo, esses enormes derramamentos de lava foram correlacionados com extinções no final do Período Permiano há 252 milhões de anos, no Período Triássico há 201 milhões de anos e no fim do Período Cretáceo há 65 milhões de anos.

“Basaltos de inundação e eventos de extinção em massa estão ligados”, disse Paul Renne, geólogo do Centro de Geocronologia de Berkeley na Califórnia, nos EUA. Explosões vulcânicas também soltam cinzas, poeira e gás na estratosfera. Estas partículas refletem a luz solar para longe da Terra e podem esfriar significativamente o Planeta.

Por exemplo, a erupção do Monte Pinatubo, na ilha Luzon, nas Filipinas em 1991, uma das duas maiores erupções do século 20, esfriou partes do mundo em até 0,7 grau Celsius por dois anos. Erupções vulcânicas liberam dióxido de carbono, um dos gases de efeito estufa, o que poderia ajudar a compensar o resfriamento global das cinzas e partículas estratosféricas.

“Vai ser como girar o botão de um fogão a gás para assar. A única questão é se realmente vai mudar a composição da atmosfera, teremos intoxicação por dióxido de carbono na atmosfera. De qualquer forma, vamos ser cozidos”, disse Sethi. Antigos xistos pretos, um tipo de rocha metamórfica marinha, indicam calamidades semelhantes ocorridas na história da Terra, disse Sethi, que estuda essas rochas do Período Cretáceo.

O registro da rocha sugere níveis do dióxido de carbono altos no Cretáceo, matando a vida marinha em algumas partes do oceano e interrompendo a circulação de água. Durante o fim do Período Cretáceo, cerca de 90 milhões de anos atrás, os níveis de dióxido de carbono na atmosfera eram cerca de 2,5 vezes maiores que os níveis de hoje, acreditam os cientistas. Então, que vida poderia sobreviver a essa explosão vulcânica mortal?

“Será o tempo dos extremófilos”, prevê Sethi. Extremófilo é o organismo que consegue sobreviver em condições geoquímicas extremas, prejudiciais à maioria das outras formas de vida na Terra, sendo os micróbios os mais conhecidos desse tipo de ser vivo.

“Seria como uma lousa limpa para esses organismos fazerem a sua história evolutiva.” A estratégia vista em filmes de ficção científica também é possível: alguns humanos viveriam em órbita ou em bunkers subterrâneos construídos por governos ou magnatas ricos, esperando a atmosfera voltar ao normal.

“Os sortudos seriam os mortos neste cenário”, finalizou Sethi.



Fonte: Jornal Ciência - Gustavo Teixera



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