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O que você precisa saber sobre brinquedos para gato

Compartilhe:     |  8 de fevereiro de 2020

Apesar de entreter os gatos, alguns brinquedos podem ser perigosos para eles

brinquedos para gato
Imagem editada e redimensionada de Manja Vitolic, está disponível no Unsplash

Brinquedos para gato são uma categoria muito ampla, afinal de contas, tudo pode se tornar brincadeira nas patinhas de um felino, de prendedores de cabelo a bolinhas de árvore de Natal. O fato é que até uma caixa de papelão velha e sem uso pode ser um playground felino. Mas alguns “pais” e “mães” de pet que gostam de mimar seus “filhos” optam por comprar brinquedos fabricados exclusivamente para gatos. O problema é que, dependendo do caso, o que seria uma forma carinhosa de prover entretenimento para o animal, pode ser um perigo para a saúde dele.

Eles podem ser perigosos

Brincar faz bem não apenas para crianças, para os gatos também. Enriquecer o ambiente com brinquedos melhora a qualidade de vida dos gatos, proporcionado bem-estar. De acordo com estudo, dar mais liberdade, capacitar e motivar os animais a expressarem seu comportamento natural, ou o mais próximo possível disso, pode ser muito benéfico para a saúde deles. Porém, não é qualquer coisa que pode ser brinquedo.

Infelizmente, no Brasil, a legislação ainda não trata com detalhamento os animais, de maneira geral. Basicamente, a proteção é contra maus tratos como caça, abandono e agressão. Não existe nenhuma regulamentação sobre brinquedos para animais de estimação. Isso significa que eles podem estar expostos a microplásticos, substâncias tóxicas e, como muitos brinquedos para gatos são feitos no exterior, não se sabe a forma pela qual foram fabricados, sendo difícil dizer se não envolveu até escravidão ou trabalho análogo ao escravo.

Tóxicos e microplástico

O mesmo material utilizado para fazer autopeças, canos, cortinas de chuveiros, forros de parede e móveis – chamado policloreto de polivinila (PVC) – é utilizado para fazer brinquedos para gatos. Na produção do PVC são gerados dioxinasfuranos e PCBs, substâncias químicas persistentes no meio ambiente (resistem à degradação natural), biocumulativas (penetram nos tecidos dos seres vivos) e tóxicas, podendo causar câncer, disfunção no sistema endócrino, lesões no cérebro, entre outras complicações em mamíferos.

Na finalização do processo de fabricação do PVC, é necessária a adição de plastificantes, pois, em sua forma pura, o PVC é rígido e quebradiço. Para fazer os produtos de vinil flexíveis – como brinquedos para gatos – precisam ser adicionados plastificantes em grandes quantidades. Esses compostos utilizados são normalmente os ftalatos, que representam consideráveis riscos à saúde e ao ambiente.

Nas embalagens dos produtos, principalmente nas de brinquetos para gatos, raramente há a descrição literal “ftalato”. Os nomes mais comuns listados são phthalates, dibutylphthalate (DBP), dimethylphthalate (DMP), diethylphthalate (DEP). Podem até aparecer os nomes em português também: butila, benzila, dibutila, diciclohexila, dietila, diisodecila, di-2-etilexila e dioctila.

Os ftalatos estão associados à ocorrência de problemas reprodutivos em animais silvestres e testados em laboratórios. A presença de ftalatos no organismo desses animais provocou a redução da fertilidade, aborto, defeitos congênitos, câncer de fígado e rins. Em humanos os efeitos foram: surgimento de câncer de mama, desregulação hormonal e diminuição da fertilidade masculina (redução do número de espermatozoides).

Outros materiais utilizados na fabricação de itens de plástico são os bisfenóis. Por serem disruptores endócrinos, o BPA, o BPS e o BPF têm a capacidade de interferir no equilíbrio hormonal dos organismos, sejam animais ou pessoas. Este tipo de interferência traz prejuízos significativos.

Nos animais, os disruptores endócrinos podem causar esterilidade, problemas comportamentais, diminuição da população, câncer, entre outros. Nos humanos, os disruptores endócrinos estão associados a diabetes, síndrome dos ovários policísticos e outras.

Da mesma forma, o chumbo pode estar presente na superfície dos brinquedos, sendo usado principalmente como uma forma de corante. No organismo de mamíferos, o chumbo é distribuído para o cérebro, fígado, rim e ossos. Dentre os problemas agudos causados pelo chumbo estão perturbações gastrointestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal), danos hepáticos e renais, hipertensão e efeitos alguns efeitos neurológicos.

Os efeitos a longo prazo mais comuns são anemia, distúrbios neurológicos, convulsões, fraqueza muscular, ataxia, tremores e paralisia.

Embora ainda não existam muitos estudos que testaram a exposição especificamente de brinquedos para gatos, por similaridade, pode ser que, em contato com essas substâncias, gatos estejam correndo o mesmo risco que os outros mamíferos estudados.

Além disso, ao morder os brinquedos, o gato pode estar ingerindo microplásico, um material com efeitos ainda desconhecidos no organismo dos mamíferos.

O que fazer

Seu gato não pode morrer de tédio. Mas como ainda não se tem certeza sobre a segurança dos brinquedos disponíveis no mercado, talvez seja melhor optar por brinquedos mais naturais. Uma caixa de papel sem tinta pode ser usada como uma casinha. Grama de gato também pode ser uma forma de entretê-lo. Uma folha de papel ou uma linha grossa de algodão podem virar bolinhas ou um “ratinho” para caçar. Use a criatividade para proteger seu pet. E certifique-se de que ele não tenha alcance a objetos perigosos como plásticos muito pequenos, plantas tóxicas e materiais cortantes. Assista, a seguir, um vídeo do canal Manual do Pet para se inspirar:



Fonte: Equipe Ecycle



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