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O solo como musa inspiradora

Compartilhe:     |  25 de julho de 2020

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Por Adriana de Fátima Meira Vital*

A verdadeira beleza da vida está bem abaixo de nossos pés, sob a superfície, no solo. Todavia, é fácil ignorar esse extraordinário e precioso recurso ambiental, desconhecer suas características, funções e potencialidades, exceto quando se trabalha diretamente como ele, como os profissionais da Ciência do Solo, agricultores e jardineiros ou quando se pisa numa poça de lama ou se faz uma escavação.

Para os profissionais da área é natural dizer que há uma singular beleza nas camadas paralelas que compõem um barranco de solo. Os horizontes do solo, como são chamadas essas camadas, apresentam cores incríveis e mudam sutil ou nitidamente, à medida que o barranco se aprofunda. É uma exuberância de tons que revelam situações referentes aos elementos formativos do solo, a sua posição na paisagem ou ao manejo adotado nas práticas agrícolas. É muito mais do que o tradicional marrom com que as crianças costumam pintar a terra em seus desenhos: os solos apresentam um arco-íris de cores, uma verdadeira colcha de retalhos ou um mosaico, que inclui tons de amarelo, alaranjado, cinza azulado, preto, rosa e vermelho.

Usar as cores do solo pra promover o diálogo sobre a importância desse valioso recurso natural é uma estratégia adotada por pesquisadores da área de muitos países, pois a popularização do solo é uma urgência frente ao avanço da degradação e perdas de terra no mundo inteiro e à ausência de conhecimentos que a maior parte da população tem desse valioso recurso natural. Além disso, pode proporcionar alternativa de trabalho e renda.

Para encorajar abordagens mais holísticas à proteção do solo é fundamental abrir as portas para desenvolver novas perspectivas, com atividades que ofereçam às pessoas uma lente diferente para apreciar o solo. E a arte e a cor são dois mecanismos poderosos através dos quais as pessoas podem desenvolve conexões com o solo.

Considerando que que o solo está presente no cotidiano das pessoas desde os primórdios da história humana quando as práticas de pintura usavam o solo como pigmento e que na atualidade essa atividade continua fazendo parte da rotina de muitas pessoas, como os artesãos e oleiros, nada mais simples do que trazer essas experiências para disseminar conceitos sobre o solo, buscando sua valorização, conservação e proteção.

Certamente que as pessoas não podem se importar com o que não conhecem e valorizam, por isso o Projeto Geotinta, vanguardeiro na Paraíba, com atividades iniciadas em 2011, alia a arte da pintura com tinta a base de solo com a proposta pedagógica para disseminação de conceitos do solo.

A tinta de solo é um produto ecológico, considerado como um pigmento barato, de fácil acesso e obtenção, que se presta para pintura de diferentes materiais e pode ser aplicada em áreas internas ou externas, diminuindo. o custo da tinta e contribuindo para sustentabilidade ambiental. Importa ressaltar que a tinta de solo produzida com cola branca tem um custo expressivamente reduzido e que, além de ecológica é atóxica e inodora, resistente às intempéries, de longa durabilidade e não impacta negativamente o ambiente e tem mais qualidade e acabamento diferenciado.

É essa beleza que os artistas do Ateliê da Geotinta do Espaço de Educação em Solos e a equipe do Grupo de Pesquisa Educação em Solos, da Universidade Federal de Campina Grande, no Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido, campus de Sumé, usam para enfatizar a importância do solo para estudantes, agricultores e leigos.

As peças pintadas com tinta de solo, que compõem o acervo do Ateliê da Geotinta, são verdadeiras obras de arte em tela, papel, madeira ou barro. E o mais importante, é que por trás de tudo isso há o interesse em desvendar os segredos e compartilhar a maravilha do solo com os outros.

O banco de cores do Ateliê da Geotinta é composto por amostras de terra oriundas de diversos locais e estados e já foram catalogados mais de 40 tons das cores. Além das amostras, a sala de exposição das telas e peças pintadas com geotinta apresenta uma riqueza de cores e texturas do solo, expressas nas diferentes formas e criações.

Pelo Ateliê da Geotinta já passaram muitos estudantes universitários, ligados ao Projeto Solo na Escola/UFCG bem como estudantes do ensino médio ligados aos programas de iniciação científica, em atividades de pesquisa-ação que misturam solo, água e cola branca em proporções iguais ou segundo a textura do solo, para produzir a tinta e usar a criatividade, criando belas imagens.

A proposta do Projeto Geotinta do CDSA/UFCG evoluiu, tendo sido disseminada para diversas instituições no Estado, entre universidades, faculdades e escolas públicas e da rede particular de ensino básico, apresentada em eventos, locais, regionais, nacionais e internacionais, sendo organizadas oficinas nos mais diferentes locais e com diversos públicos.

Em 2014 o projeto foi selecionado para o XXIV Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 2018 foi destaque em reportagem na TV no Programa Paraíba Rural (JPB 1ª edição).

Unir os estudos do solo com a arte é uma maneira importante de despertar o interesse de crianças e jovens e da sociedade em geral, ajudando a ver o solo não apenas do ponto de vista científico, mas também na perspectiva de suas características únicas e beleza inerente, revelando a interconectividade existente entre o solo, a cultura e a vida. O solo é a musa inspiradora na arte da pintura com tinta de terra.

Conheça mais nas nossas redes sociais: @projeto_geotinta @solonaescolaufcg

*Adriana de Fátima Meira Vital, professora da Universidade Federal de Campina Grande, Centro de Desenvolvimento Sustentável do Semiárido – Sumé PB



Fonte: Espaço Ecológico



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