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O uso de pílulas anticoncepcionais aumentam risco de trombose

Compartilhe:     |  26 de setembro de 2014

Corre com mais 2 milhões de visualizações nas redes sociais o relato em vídeo da professora Carla Simone Castro, que diz que sofreu uma trombose venosa cerebral após o uso de pílula anticoncepcional por seis meses. A página criada pela professora para divulgar o caso dela e outros parecidos não para de crescer e já tem mais de 7 mil curtidas. O caso serve como alerta para as mulheres que tomam o medicamento sem conhecer os seus riscos.

Em pessoas suscetíveis, o uso de anticoncepcionais aumenta a viscosidade sanguínea e acelera os processos de formação de coágulos. Este processo normalmente acontece em uma veia profunda das pernas, mas também pode ocorrer nos braços e abdômen. Quando esse coágulo se desloca pode causar embolia pulmonar, AVC e outros danos graves, que podem ser fatais.

— Para evitar este problema, todas as pacientes que tenham a necessidade de fazer uso de anticoncepcionais devem ser avaliadas do ponto de vista de sua circulação sanguínea, já que o medicamento serve como um gatilho para o aparecimento de coágulos — afirma o Dr. Julio Cesar Peclat, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro.

Metade dos casos de tromboses venosas profundas de membro inferiores não são provocam sintomas como dores, inchaço ou vermelhidão nas pernas e são difíceis de diagnosticar. Para avaliar o risco de trombose e então poder receitar a pílula, o ginecologista deve conversar com a paciente, avaliar seu estado clínico e pedir exames laboratoriais, diz a Dra. Marta Curado Finotti, presidente da Comissão de Anticoncepção da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

— O anticoncepcional combinado de progesterona e estrogênio tem um risco de trombose sim e as pacientes devem ser avaliadas antes de serem medicadas. O problema é que muitas conseguem comprar pílulas na farmácia sem receita médica e sobre isso é difícil ter controle — diz Dr. Silvio Silva Fernandes, o vice-presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estados do Rio de Janeiro.

Atualmente, para comprar a pílula anticoncepcional, é preciso apresentar o receituário médico assinado e carimbado. Não é necessária que a receita seja retida pelo farmacêutico, como acontece com os antibióticos.

Reações não estão sendo notificadas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária afirma que menos de dez casos de trombose relacionados ao medicamento tomado por Carla Simone Castro foram notificados nos últimos cinco anos à Gerência de Análise de Avaliação de Risco da Agência. Neste contexto, a Anvisa entende que o perfil de risco desta pílula não está para além da porcentagem afirmada na bula e que pode ser controlado no atendimento médico. O mesmo acontece com outros medicamentos semelhantes. Por isso, a Agência não detectou a necessidade de tomar medidas sanitárias em relação à uma nova regulamentação de venda deste tipo de remédio. Qualquer modificação nestas medidas dependeria de uma mudança no perfil de notificações em relação às pílulas.

A Anvisa indica que a notificação de reações adversas às pílulas deve ser feita pelo médico no site da agência.



Fonte: Extra - Luiza Toschi



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