Geografia Ambiental

O vale do Rio Tejo, em Portugal

Compartilhe:     |  14 de novembro de 2020

A REGIÃO DO TEJO SE RENOVA | Consulado Geral de Portugal em São PauloA curta distância da bela capital Lisboa, próxima ao centro de Portugal, encontra-se a surpreendente e promissora região vitivinícola do Tejo

O majestoso Tejo, o maior rio de Portugal, interliga uma enorme área com cerca de 12.500 hectares recobertos de vinhedos que se estendem por 21 municípios. Ele é o mais destacado e importante elemento no cenário, e sua magnitude influencia, ano após ano, a fertilidade, as condições climáticas e o terroir dos vinhos lá produzidos, nas mais variadas microrregiões ao longo de seu curso. Manhãs frescas e dias longos e quentes asseguram a boa maturação dos frutos, mas a amplitude térmica também contribui para a obtenção de uvas ricas em aromas e sabores, elevando a média de qualidade dos vinhos do Tejo, conferindo-lhes um caráter “spice” e proporcionando para alguns rótulos um notável potencial de guarda.

Enoturismo entre Lisboa e Porto vai muito além das provas de vinho - Jornal  O GloboDos 12.500 hectares plantados, 2.500 hectares são de vinhas em propriedades abrangidas pela Denominação de Origem Controlada (DOC), que regula rigidamente as condições de plantio e produção na região. Outros 5 mil hectares são de vinhedos de classificação IG Tejo, ou seja, Origem Geográfica, uma classificação menos rígida que a DOC, mas que garante a procedência e a autenticidade geográfica dos vinhos.

No Tejo, a arte de produzir vinhos remonta a cerca de 2.000 a.C., quando os tartessos iniciaram a plantação da vinha junto às margens do grande rio. No passado, a região tinha uma enorme produção que abastecia o mercado interno com vinhos de baixo custo e as colônias portuguesas na África.

ctv-avg-foto-2Ponte D. Luís sobre o Rio Tejo, ponte que liga Santarém a Almeirim Foto: CVR – Tejo

No ano de 1765 teria acontecido, por razões desconhecidas, o desaparecimento dos vinhedos nos campos do Tejo, por uma ordem supostamente imposta pelo marquês de Pombal. Foi ele que, em 1756, criou a primeira região demarcada de vinhos do mundo, o Douro, onde até hoje são produzidos vinhos de excepcional qualidade, como o célebre vinho do Porto. A região demarcada do Tejo é mais jovem: em 1997, foi criada a Comissão Vitivinícola Regional do Ribatejo, à qual se sucede a constituição por lei da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, em 2009, seguindo-se a rota dos vinhos do Tejo.

Hoje, o respeito às tradições associado a uma visão enológica mais moderna, praticada principalmente por uma nova geração de jovens enólogos, vêm transformando o cenário vitivinícola nessa linda região, a ponto de os vinhos do Tejo serem considerados promissoramente uma nova geração de vinhos emergindo do país. A produção é variada e democrática: há desde vinhos simples, jovens e frutados, de preço combativo e feitos para serem bebidos ainda jovens, passando por vinhos de média gama, chegando a rótulos sofisticados e com potencial de guarda. Independentemente das microrregiões de onde vêm os vinhos brancos do Tejo, eles são aromáticos, de ótima acidez e frescor. Os tintos, por sua vez, têm muito equilíbrio, são frescos e de taninos muito polidos, com destaque para seu caráter frutado. São elaborados ainda no Tejo vinhos rosés, espumantes, frisantes, licorosos e rótulos de colheita tardia. A produção anual, que não para de crescer, atingiu em 2019 cerca de 60 milhões de litros.

ctv-o9z-foto-3Vinhedos no terroir da charneca Foto: CVR – Tejo

Rota dos vinhos do Tejo

Alguém já ouviu falar do gado Mertolengo? Achigã grelhado? Açorda de Sável, Fataça na Telha, Torricado, Filhoses Ribatejanas? Essas são apenas algumas das iguarias da saborosa culinária do Ribatejo, à espera dos viajantes que por lá se aventuram. Na paisagem, vilas medievais paradas no tempo, floresta de sobreiros, vastos olivais, castelos góticos, mosteiros manuelinos, propriedades seculares mantidas por sucessivas gerações, muitas hoje convertidas em acolhedores hotéis e restaurantes, dedicadas ao enoturismo e a oferecer a imbatível e calorosa hospitalidade portuguesa e a pujante gastronomia do Ribatejo. Uma experiência para viver e reviver – uma vez que é impossível ir a Portugal e não morrer de saudade.



Fonte: Estadão - Media Lab - CVR - TEJO



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