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Obesidade: documentário brasileiro alerta sobre a maior epidemia infantil da história

Compartilhe:     |  6 de agosto de 2014

— Nós, adultos das últimas gerações, abençoamos nossas crianças com uma expectativa de vida menor do que a nossa. Seu filho vai viver dez anos a menos do que você, por causa do ambiente alimentar que construímos — aponta chef Jamie Oliver, conhecido internacionalmente por encabeçar uma campanha de revolução alimentar nas famílias e restaurantes mundo a fora.

A fala de Jamie Oliver aconteceu em uma apresentação sobre alimentação na conferência da fundação americana TED, em 2010. A cena foi incluída no documentário brasileiro Muito Além do Peso, lançado em 2012, destinado a pais e mães preocupados com a saúde de seus filhos.

Apoiado pelo Instituto Alana, o filme de Estela Renner entrevista crianças, pais e especialistas tentando entender porque um terço das crianças brasileiras estão acima do peso. A pesquisa encontra no consumo excessivo de alimentos de má qualidade nutritiva e no sedentarismo passado de pai pra filho alguns dos principais motivos para este contexto. Mas o resultado da pesquisa vai além e traz à tona também a responsabilidade do governo, da indústria e da publicidade de alimentos para a manutenção deste estilo de vida.

 

Frame do filme
Frame do filme “Muito além do peso” Foto: Divulgação / O Globo

Com dificuldades de desfrutar da infância por conta de seus problemas de saúde, algumas das crianças entrevistadas pela equipe do filme relatam situações de discriminação que sofrem na escola, diante dos amigos. A irritabilidade e chantagens feitas em torno da comida são os principais motivos de brigas e preocupação entre pais e filhos.

— Ele chora porque eu boto pouco. Daí ele diz assim: eu vou chamar a polícia, vou mandar prender vocês, porque vocês estão me matando de fome — conta uma das mães em entrevista à diretora do filme, ao lado do filho, que ri da situação. — Ele chega a trocar as coisas de material dele do colégio pela merenda dos colegas — completa.

A maior parte das crianças retratadas no documentário não sabe identificar legumes e frutas corriqueiros, mas reconhecem facilmente pacotes de biscoitos, salgadinhos e refrigerantes. Além disso, colecionam com alegria os brinquedos distribuídos pelas marcas responsáveis por alimentos pouco saudáveis para estimular o consumo.

— É uma indústria que vive em torno desse tipo de exploração, desse apelo. Eu me sentia uma traficante, trabalhando lá com os vendedores de crack, tendo um viciado em casa — diz uma das mães de criança com sobrepeso, que trabalhou por um tempo no setor de marketing de uma rede de fast-food.

Em adultos, a obesidade vem aumentando o número de casos de distúrbios metabólicos que matam 2,8 milhões de pessoas por ano no mundo. A previsão é que, se a rotina alimentar, de atividades físicas e do cuidado com a saúde não mudar, é que, em 20 anos, 50 a 60% da população mundial adulta esteja acima do peso.

Com respostas alarmantes, o documentário indica que as crianças de hoje formam a primeira geração que apresenta em massa algumas doenças antes restritas a adultos, como diabetes, problemas cardíacos e depressão. Esta situação fica clara em várias entrevistas do documentário: uma das meninas, ao ser perguntada sobre o que falta em sua vida, responde “sentido”.



Fonte: Extra - Luiza Toschi



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