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Oceano subterrâneo da lua Europa seria capaz de sustentar vida, reforça estudo

Compartilhe:     |  12 de julho de 2020

Não é impossível que exista algum tipo de vida no oceano subterrâneo da lua Europa, de Júpiter. Estudos anteriores já levantavam essa possibilidade e, para desvendar esse mistério, a NASA recentemente oficializou a missão Europa Clipper, que deve ser lançada em 2023 para analisar as plumas de água que são expelidas acima da superfície por meio de rachaduras na crosta desta intrigante lua joviana. Agora, mais um estudo apoia essa ideia de que o oceano subterrâneo de Europa é capaz de sustentar a vida como a conhecemos.

Cientistas da NASA fizeram um novo modelo computacional e calcularam que as águas interiores de Europa podem ter sido formadas pela decomposição de minerais contendo água, o que teria acontecido devido às forças das marés ou à deterioração radioativa existente ali. O trabalho, contudo, ainda não foi revisado por pares e, portanto, ainda não foi publicado em um periódico científico.

Conceito imagina as plumas de água saindo por meio de gêiseres na superfície de Europa (Imagem: NASA)

O estudo foi baseado em dados coletados pela missão Galileo, que passou pelo sistema de Júpiter em 1995. Mohit Melwani Daswani, principal pesquisador do estudo, disse que ele e sua equipe conseguiram “modelar a composição e as propriedades físicas do núcleo, da camada de silicato e do oceano” de Europa. Eles então descobriram “que diferentes minerais perdem água e voláteis em diferentes profundidades e temperaturas” e então adicionaram esses voláteis que teriam se perdido do interior e descobriram que “são consistentes com a massa prevista do oceano atual, o que significa que provavelmente estão presentes no oceano”.

A equipe também concluiu que tal oceano teria sido levemente ácido, rico em concentrações de dióxido de carbono, cálcio e sulfato. Contudo, as simulações, aliadas a dados do telescópio espacial Hubble, mostraram cloreto na superfície de Europa, sugerindo “que a água provavelmente se tornou rica em cloreto”. Isso significa que sua composição pode ter se tornado mais parecida com os oceanos da Terra; portanto, capaz de sustentar algum tipo de vida.

Daswani ainda acrescentou que Europa, hoje, é um dos objetos do Sistema Solar com maiores chances de abrigar vida além da Terra em nosso quintal espacial. Por isso, se mostra empolgado com a missão Europa Clipper, com seu trabalho possivelmente servindo como preparativo para as análises que acontecerão no futuro. Além disso, o cientista também entende que seus modelos podem ser aplicados para analisar a potencial habitabilidade de outras luas do Sistema Solar, como Ganimedes, outra lua de Júpiter, além de Titã, lua de Saturno — esta que também receberá uma sonda da NASA com a missão Dragonfly, que deve ser lançada em 2026.



Fonte: Canal Tech - Patrícia Gnipper



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