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Óleo de copaíba alivia inflamações, problemas de pele, feridas e machucados abertos

Compartilhe:     |  10 de novembro de 2014

Marcos Guião (*)

Foi numa época de muita seca que me dei com uma copaíba (Copaifera langsdorffii) das grossas durante uma andança no ermo do sertão. Desci do animal e dei reparo no seu porte majestoso, de copa enfeitada por milhares de folhas minúsculas de coloração vermelho-alaranjadas. Suas ramas estavam encarangadas de bagas escuras escondendo negras sementes recobertas por um belíssimo arilo alaranjado de sabor adocicado. O geraizeiro trata ela de pau-de-óleo, nome derivado do óleo que corre em suas entranhas de grande serventia medicinal.

Aboletado novamente na sela do animal, fiquei cismando de onde viria aquela força restauradora, já que a terra estava que nem um braseiro e a chuva sem sinal, há meses. Olhei pro céu e vi só uns “forro ramiado” nos barrados, sem esperança de água no breve, quem sabe no largo.

Aqui em nossas paragens, a copaíba se mostra acanhada. Mas lá no meio da floresta, no norte do Brasil, ela se agiganta numa enormidade pra mais de 30 metros. Me alembrei de uma passagem vivida há tempos no meio daquele matão, história que se deu durante trabalho de campo realizado beirando o Rio Capim, no interior do Pará, quando tínhamos como missão colher óleo de copaíba. Acompanhado de Raimundo Santinha, mateiro experiente, eu me esforçava em seguir suas passadas largas. Mas era grande a dificuldade, pois o calor e a umidade faziam minha roupa grudar no corpo e o suor escorrer pela testa embaçando a visão. Uma nuvem de maruim zoava a minha volta entrando no ouvido, grudando no suor, picando e coçando, pra completar minha fadiga.

Num demorou pra ele estancar e, com o desembaraço de quem tem força física privilegiada, destampou sua capanga, empunhou um trado dos grandes, que é uma ferramenta semelhante a um saca-rolha, e deu de furar o tronco de uma copaíba bem na minha frente. Eu já sabia que o óleo da árvore era muito usado antigamente para tratamento da gonorreia e acabou por ganhar fama como anti-inflamatório tanto interno quanto externo. Enquanto ele furava, fiquei ouvindo e admirando as recomendações na sua coleta, além de outras serventias do óleo:

– Num pode vir buscar óleo com muié, pois o óleo dá de se escondê e num baixa por nada. E tamém dispois que ocê arrodeou a árvore, num estica os zoios prá riba não, pois tamém dá de secá o óleo cá em baixo… Nóis aqui usa dele pra quarquer tipo de inframação. Pode sê dos peito, inté com chiado, que ele arresorve. Quando é caso de dor nas junta ele é bão tamém, num dilata muito e o resurtado se apresenta. Tem vez que esfrego ele nos braço e no pescoço pra maruim num montá por demais, mas pode tamém misturar ele com mel e limão nos casos de tosse braba e dor de garganta.

Fui anotando tudinho e agora passo pra vocês.

Inté a próxima lua! 

* Jornalista e consultor em plantas medicinais

 



Fonte: Revista Ecológico



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