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OMS combate desinformação sobre coronavírus; Guterres alerta contra estigmatização

Compartilhe:     |  7 de fevereiro de 2020

Organização Mundial da Saúde (OMS) tomou medidas para garantir que a epidemia de coronavírus que custou centenas de vidas na China central não provoque uma epidemia de desinformação, alimentada por informações falsas.

Diante das preocupações de que as pessoas de descendência chinesa estejam sendo discriminadas à medida que crescem os temores sobre a disseminação do vírus, o chefe da ONU, António Guterres, pediu solidariedade internacional e o fim de qualquer discriminação.

A diretora da OMS para a Prevenção Global de Riscos Infecciosos, Sylvie Briand, disse a jornalistas em Genebra na terça-feira (4) que a agência já está trabalhando para dissipar boatos online segundo os quais o vírus seria disseminado por uma “nuvem” infecciosa.

“De repente, as pessoas tiveram a impressão de que o vírus estava no ar e que existiria uma ‘nuvem’ de vírus” que poderia causar infecção, disse ela. “Essa não é a situação. Atualmente, o vírus é transmitido através de gotículas (de saliva), e é necessário um contato próximo para ser infectado. Portanto, tentamos esclarecer o que sabemos a partir da ciência, o que ainda é desconhecido e fornecemos recomendações que podem ajudar as pessoas a proteger a si e às suas famílias.”

Os comentários de Briand ecoam os do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que disse na segunda-feira (3) que a agência estava trabalhando com as principais plataformas da Internet para garantir que as informações da agência das Nações Unidas sobre o coronavírus apareçam primeiro nas pesquisas online.

Até o momento, a doença respiratória provocada pelo vírus matou 425 pessoas, segundo a OMS; existem mais de 20 mil casos relatados na China e 158 casos fora do país.

Em um apelo à cooperação global para combater o fenômeno, Briand disse que era importante não censurar as informações, mas sim comunicar o que se sabe e o que não se sabe sobre o vírus.

Ela disse que as pessoas sob maior risco são aquelas com imunidade reduzida devido a doenças subjacentes, como câncer e outras doenças crônicas, além de idosos.

Nas duas semanas desde que o vírus foi declarado uma emergência de saúde global pelo Comitê de Emergência da OMS, Briand disse que não há evidências de que o vírus tenha sofrido uma mutação significativa.

Também disse ser muito cedo para avaliar o quão perigoso é o vírus, reiterando os conselhos da OMS de que lavar as mãos e usar máscaras faciais ao entrar em contato com indivíduos infectados continua sendo a prática recomendada.

Destacando a disposição das autoridades chinesas em combater o surto, Briand disse que os cientistas desejam obter mais informações sobre os que morreram.

Isso ajudaria a entender as principais condições de saúde subjacentes que colocam as pessoas em risco, disse ela, acrescentando que os pesquisadores estão atualmente se concentrando em mulheres grávidas e crianças pequenas para ver se os padrões de infecção são semelhantes aos da gripe.

Guterres pede que países deem apoio à China

Em uma entrevista coletiva na sede da ONU em Nova Iorque, na terça-feira (4), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse que a OMS decidiu declarar a emergência global sobre o novo coronavírus “no momento certo” e tem sido muito ativa no apoio à China e a outros países que registraram casos da infecção.

“Estamos tentando mobilizar nossas melhores capacidades e melhores recursos”, disse ele a jornalistas, acrescentando que nenhum funcionário da ONU até agora foi infectado.

Ele pediu “um forte sentimento de solidariedade internacional, um forte sentimento de apoio à China nessas circunstâncias difíceis e em todos os países que podem ser afetados, e uma forte preocupação em evitar a estigmatização de pessoas inocentes e vítimas da situação.”

Plano de resposta

A OMS lançou na última quarta-feira (5) um Plano Estratégico de Preparação e Resposta ao Coronavírus. O anúncio foi feito pelo diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus.

Para isso, a OMS pediu um total 675 milhões de dólares para responder ao surto de coronavírus, 2019nCoV, pelos próximos três meses.

Tedros explicou que 60 milhões de dólares serão usados para financiar as operações da OMS e “o restante é para os países que estão especialmente em risco”. Tedros enfatizou que a “mensagem para a comunidade internacional é: invista hoje ou pague (caro) mais tarde”.

O objetivo do plano é “apoiar os países a prevenir, detectar e diagnosticar a transmissão subsequente.”

O chefe da OMS afirmou que “675 milhões de dólares é muito dinheiro, mas é muito menos do que a conta” que o mundo terá de arcar se o investimento na preparação contra a doença não for feito agora.

Ele afirmou que, mais uma vez, não será possível “derrotar esse surto sem solidariedade, solidariedade política, solidariedade técnica e solidariedade financeira.”



Fonte: ONUBr



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