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Órgãos de porcos são implantados em macacos para testar viabilidade em humanos

Compartilhe:     |  18 de junho de 2019

A startup eGenesis tem planos tão ambiciosos quanto inusitados: a empresa quer criar porcos geneticamente modificados para que os órgãos desses animais possam ser transplantados em humanos. Para avaliar a efetividade do projeto, os órgãos dos porcos estão sendo testados em macacos no Massachusetts General Hospital, localizado nos Estados Unidos.

O objetivo é abastecer bancos de órgãos, já que as doações são escassas e há mais de 100 mil norte-americanos na lista de espera por um transplante. No entanto, os resultados com os macacos ainda estão em fase inicial e não se sabe ao certo quando começarão os primeiros testes em humanos.

Ainda assim, as modificações genéticas em porcos feitas pela eGenesis foram as maiores em quantidade que já existem até agora: em 2015, a co-fundadora da empresa, Luhan Yang, mostrou ser possível fazer 62 edições genéticas, usadas para inibir um vírus comum no genoma dos porcos que impediria um possível transplante nos humanos.

Alguns babuínos que passaram por transplantes de órgãos de origem suína chegaram a viver por meses, mas muitos animais morrem rapidamente. “Acreditamos que deve haver uma explicação biológica. Estamos investigando e tentando concertar isso”, afirma Yang.

A empresa não divulgou quais órgãos e quais espécies de primatas estão sendo estudados. A ONG que se dedica aos direitos dos animais, PETA ( do inglês, People for the Ethical Treatment of Animals), condena as pesquisas: para um porta-voz, “os porcos são indivíduos e não meras partes avulsas”.

Muhammad Mohiuddin, diretor do programa de transplante cardíaco da Universidade de Maryland, nos EUA, acredita que a remoção de genes pode ter prejuízos aos animais caso resulte em efeitos colaterais não intencionais. Ainda assim, ele está otimista que no futuro os porcos possam ser usados para obter órgãos compatíveis com humanos. “O fato que há órgãos de porcos sobrevivendo por seis meses ou um ano, ou por alguns anos, é algo extraordinário”, afirma Mohiuddin.



Fonte: Revista Galileu



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