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Os dilemas do uso de inteligência artificial em traduções imprecisas

Compartilhe:     |  7 de junho de 2019

Em parceria com o Tech Top Ten , portal desenvolvido pela pesquisadora da ética na ciência e doutora em história e filosofia da ciência, Jessica Baron, ÉPOCA publica com exclusividade em português os debates selecionados pela autora sobre as tendências e dilemas que devem ocupar o mundo das ciências pelos próximos meses. Nesta quinta-feira 6, a discussão é sobre tradução autônoma.

Antes de tudo, vamos deixar claro que, ainda que serviços de tradução como o Google Tradutor original ou o botão de tradução do Facebook levantem suas próprias questões, aqui nós vamos falar sobre sistemas movidos à Inteligência Artificial. Na maior parte do tempo, traduções automáticas não são boas o suficiente nem para te ajudar a colar no seu trabalho de espanhol, enquanto as traduções assistidas por inteligências artificiais estão sendo aplicadas em situações de vida ou morte.

Pesquisas sobre essa tecnologia não são novas. A DARPA e outros setores das Forças Armadas dos EUA têm desenvolvido algo nas linhas do tradutor universal de “Star Trek” e o Babelfish do “Guia do Mochileiro das Galáxias” há uma década. Baidu, o gigante da internet chinesa, também desenvolve seu tradutor simultâneo de bolso desde 2015. Já vimos o lançamento do “Google Buds”, que dizia conseguir realizar tradução simultânea, e o anúncio recente de que a Microsoft teria criado a tecnologia mais próxima possível da tradução feita por humanos, mas a maioria das pessoas ainda concorda que falta muito para conseguirmos chegar nesse objetivo.

As linguagens humanas são extremamente complexas. Nós não usamos as palavras com precisão, nossas gírias mudam ao longo do tempo e do espaço, usamos expressões para nos comunicar, e se tornou regra aceitarmos pronúncia e gramática erradas. Uma boa tradução requer mais do que ter uma noção de uma conversa, em especial se tratando de negócios e interações militares. É quase impossível ensinar um computador todos os detalhes de uma linguagem. E ensiná-lo quando usar um termo específico.

Novos programas de inteligência artificial baseados em deep learning são pensados para resolver os problemas da tradução imediata para quem precisa se comunicar e lidar com informações importantes quando um tradutor não estiver disponível.

Painel de propaganda do Tradutor do Google durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016 Foto: Brazil Photos / LightRocket via Getty Images
Painel de propaganda do Tradutor do Google durante as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016 Foto: Brazil Photos / LightRocket via Getty Images

Atualmente, nossos programas de reconhecimento de voz têm dificuldade em lidar com falas distorcidas, com barulhos no fundo ou mal gravadas, então ainda precisamos alocar bastante recursos humanos para essas tarefas em situações importantes, como missões diplomáticas. E não há fim da linha em vista nessa corrida para criar inteligências artificiais de tradução mais inteligentes, mas há algumas coisas a se considerar enquanto continuamos a desenvolver essas tecnologias:



Fonte: Época - Jessica Baron e traduzido por Daniel Salgado



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