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Os efeitos da Covid-19 na nossa pele; Conversamos com especialistas para nos inteirar mais sobre o assunto

Compartilhe:     |  27 de abril de 2021

Uma sociedade estressada e com altos índices de problemas de saúde mental provocados por um denominador comum: a pandemia da Covid-19. Este é o cenário que vivemos, que ainda é somado, talvez, ao alto contato com a luz azul, maus hábitos alimentares e pouca mobilidade. Tudo isso leva ao aumento do sedentarismo, e são fatores têm influência na saúde mental, do organismo, e também na saúde da pele.

Isso porque uma rotina com essas características e a convivência constante com altos níveis de cortisol tem como efeito o aumento do nível de inflamações. Os radicais livres provocados agem intensificando o envelhecimento precoce, a aparição de acne, vermelhidão e até mesmo manchas, devido a maior incidência de hiperpigmentação pós-inflamatória.

Para saber mais sobre esses problemas e arranjar soluções, conversamos com a Dra. Joyce Rodrigues, farmacêutica bioquímica especialista em cosmetologia e presidente da Mezzo Dermocosméticos, e também Adriana Volpe, farmacêutica e CEO Divinitè Nutricosméticos, que nos esclarecem mais sobre as causas dos maiores índices de inflamações, suas consequências e como tratá-las em casa.

Confira:

Dra. Joyce Rodrigues, farmacêutica bioquímica especialista em cosmetologia e presidente da Mezzo Dermocosméticos

GQ Brasil: O que causa a inflamação?

Dra. Joyce: Diversos fatores estão associados à inflamação da pele, desde fatores internos como a má alimentação, ingestão rica de açúcar e carboidratos, álcool entre outros; e a questão dos fatores externos também como a poluição, estresse e este último quero abordar melhor.

O estilo de vida estressante de hoje nos afeta física e mentalmente, impactando nosso bem-estar em geral. Só para se ter ideia, nos EUA os níveis de estresse relatados pela geração Z e pela  geração Y foram 40% mais altos do que aqueles percebidos como “saudáveis”. 84% dos consumidores brasileiros buscam ativamente formas de reduzir o estresse.
Hoje, vemos as mudanças nos níveis de inflamação do corpo como uma das consequências da Covid-19, que nos deixou, como sociedade, em um nível de alerta e insegurança por um longo período.

Sendo assim, nosso corpo está convivendo com altos níveis de cortisol a longo prazo, o que tem como uma das consequências a elevação nos níveis de inflamação correspondentes aos radicais livres gerados devido ao interno desequilíbrio oxidativo.
Outro motivo que vemos, é a atuação do próprio vírus no corpo, que ainda está sendo estudada, mas já demonstra consequências até mesmo para a pele com novas manifestações cutâneas como novas reações a tratamentos e o surgimento de condições como livedo e erupção vesicular.

GQ Brasil: Quais as alterações que esse alto nível de inflamação corporal causam na pele?

Dra. Joyce: Pequenas quantidades de cortisol são boas para controlar o estresse, porém o estresse crônico resulta em níveis de cortisol permanentemente altos e prejudiciais, promovendo impacto negativo na saúde e na aparência da pele.

A produção persistente de cortisol compromete a vitalidade da pele, resultando em sinais prematuros de envelhecimento: as células não podem reconstruir a elastina e o colágeno, gerando por consequência a aparência de rugas e perda de elasticidade, enquanto o comprometimento da renovação das células, leva a um tom de pele opaco e aparência cansada.

Podemos perceber um aumento na incidência de rugas, vermelhidão, coceira, secura, acne e manchas. Precisamos estar muito alertas e redobrar os cuidados, pois também é presente uma maior frequência no desenvolvimento de hiperpigmentação pós-inflamatória, sendo preciso sua prevenção e tratamento.

GQ Brasil: Quais ativos e produtos não podemos deixar de lado?

Dra. Joyce: Meu queridinho do momento é o ativo V-4s, novidade do mercado que combate as quatro principais espécies de radicais livres: reativas de oxigênio, enxofre, nitrogênio e carbonilo. Ele pode ser utilizado, por exemplo, em um sérum multi-corretor para prevenção e correção da hiperpigmentação pós-inflamatória, redução de manchas, uniformização do tom e aumento da luminosidade facial.

Adriana Volpe, farmacêutica e CEO Divinitè Nutricosméticos

GQ Brasil: Quais os efeitos na pele causados pelos radicais livres, que podem ser estimulados pelo sol ou pelo estresse, por exemplo? Como se proteger?

Adriana: Os efeitos negativos dos radicais livres, sejam causados pela luz solar e artificial ou pelo estresse, são principalmente o envelhecimento precoce da pele, mudanças na aparência, como falta de hidratação e luminosidade, e maior propensão ao câncer de pele.

Para nos protegermos, uma boa opção para incluir na rotina é a fotoproteção oral, que irá potencializar a ação do filtro solar. Enquanto os filtros solares tópicos atuam na reflexão e absorção da radiação incidente, evitando que ela atinja a pele, os fotoprotetores orais atuam em nível celular ou molecular, reduzindo os danos assim gerados. Além disso, por conter ativos antioxidantes em sua fórmula, este tipo de suplementação também irá auxiliar contra os radicais livres gerados pelo estresse e podem ainda ser complementados por nutracêuticos focados no bem-estar que ajudarão a regular o sono e o humor, e consequentemente os níveis de cortisol.

GQ Brasil: Quais mudanças percebemos que este alto nível de estresse e inflamações trazem em relação a beleza?

Adriana: Além da maior incidência de acne, resultado de uma pele inflamada, o excesso de hormônios ligados ao estresse pode agravar doenças como dermatite atópica, psoríase, rosácea, entre outras. Também podemos perceber uma influência em relação aos cabelos, principalmente quanto à queda capilar. O excesso de estresse é um dos principais motivos para a perda de cabelos. Falta e excesso de vitaminas, alterações hormonais, uso de alguns medicamentos como antidepressivos, certas doenças como hipotiroidismo e anemia, também são grandes causadores da queda de cabelo.

GQ Brasil:  O que fazer para manter o corpo e a pele desinflamados?

Adriana: Evitar outras fontes de radicais livres como poluição interna e externa, fumo e radiação solar. Indico utilizar o protetor solar somado a fotoproteção oral diariamente, além de produtos com ativos antioxidantes e que combatam os radicais livres. Também é importante lembrar de cuidar da mente, buscando uma diminuição nos níveis de cortisol. Já quando falamos da queda capilar também é necessário buscar equilíbrio hormonal, repor vitaminas e, em alguns casos, fazer o uso de remédios para o controle da queda.



Fonte: GQ



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