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Os mercados de espécies silvestres são uma bomba-relógio para epidemias

Compartilhe:     |  15 de fevereiro de 2020

A afirmação é Neil D`Cruze, gerente global em vida silvestre da ONG World Animal Protection

“A criação intensiva de espécies silvestres, caçadas na natureza e mantidas enclausuradas, leva a um ambiente propício para o surgimento e proliferação de diversos vírus, como, por exemplo, a recente pandemia de coronavírus”, segundo a ONG World Animal Protection (Proteção Animal Mundial) que está presente em diversos países e inclusive no Brasil.

Neil D’Cruze, gerente global em vida silvestre da ONG diz que, apesar de a China anunciar que está revisando a sua lei de criação e comércio de vida selvagem, o ideal é que a prática seja combatida e acabe em todo o mundo. “Os mercados de compra e venda de espécies silvestres – lotados de pessoas e animais silvestres – são uma bomba-relógio para epidemias mortais de saúde. Como estamos vendo no surto de coronavírus, este é um problema global, pois, quando acontecem, esses vírus são extremamente difíceis de conter, colocando toda a população mundial em risco”, afirma.

“Essas espécies são colocadas em gaiolas apertadas e mantidas em condições precárias, sem nenhum tipo de higiene, com pouco acesso à alimentos, luz solar ou um ambiente similar com o seu habitat natural. Essa condição é um viveiro letal de doenças, além de causar enorme sofrimento aos animais”, explica D’Cruze.

Embora esteja em extinção, o pangolin é caçado para consumo em vários países asiáticos. Foto Site World Animal Protection

A ONG lembra que recente pesquisa da Universidade de Agricultura do sul da China, em Guangzhou, apontou o pangolim, pequeno mamífero em extinção semelhante ao tatu, como um possível “hospedeiro-intermediário” do coronavírus. O estudo constatou que o pangolim apresenta um tipo de coronavírus 99% compatível geneticamente com o que está causando a atual epidemia. Os pesquisadores acreditam ser possível que o pangolim possa ser o hospedeiro intermediário entre morcegos (hospedeiros naturais de coronavírus) e as pessoas.

“Apesar da ameaça, todos os anos mais de 100 mil pangolins são comercializados ilegalmente na Ásia e na África – sua carne é muito apreciada por chineses e vietnamitas e, suas escamas e órgãos, são utilizados para a medicina tradicional asiática”, diz D`Cruze.

Por isso tudo, a ONG se posiciona contra a criação intensiva de animais, além de recomendar a todos os governos leis mais duras contra o comércio e tráfico de animais silvestres. “Animais silvestres pertencem à natureza. A proibição permanente do comércio de animais é a solução para eliminar o sofrimento das espécies, mantendo-as em seu habitat natural e evitando assim, grandes epidemias de saúde”, finaliza a gerente da ONG.

Para saber mais sobre o pangolin, inclusive assistir vídeo sobre a dura realidade que esse animal enfrenta, acesse AQUI



Fonte: Anda - Fátima ChuEcco



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