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Os níveis de mercúrio na superfície dos oceanos triplicaram desde a Revolução Industrial

Compartilhe:     |  6 de janeiro de 2015

De acordo com um novo estudo publicado na revista Nature, a atividade humana desde o início da Revolução Industrial triplicou os níveis de mercúrio nas superfícies oceânicas.

Atividades como a mineração de ouro e a queima de combustíveis fósseis estão relacionadas a grandes quantidades do metal tóxico e seu aumento gradativo.

No oceano, o mercúrio inorgânico é convertido em metil mercúrio, composto altamente tóxico, que pode envenenar peixes e, consequentemente, as pessoas, em última instância. “Parece que, se quisermos regular as emissões de mercúrio no ambiente e na comida que comemos, então devemos primeiro saber a quantidade dele que existe e quanto a atividade humana está produzindo a cada ano”, diz Carl Lamborg da Woods Hole Oceanographic Institution, em um comunicado à imprensa.

As estimativas atuais de mercúrio presente no oceano são baseadas, principalmente, em estudos de modelagem por computador, mas os cientistas continuam incertos sobre esses valores. Assim, para uma estimativa com base na observação de mercúrio antropogênico, Lamborg e seus colegas mediram os níveis de mercúrio em dados recolhidos a partir de 12 expedições de amostragem para os Oceanos Atlântico, Pacífico, Sul e Ártico ao longo dos últimos oito anos.

Primeiro, eles precisavam encontrar uma maneira de separar as contribuições em massa de fontes naturais das humanas. Lamborg explica: “Não há nenhuma maneira de olhar para uma amostra de água e dizer a diferença entre o mercúrio que veio de poluição e o mercúrio que veio de fontes naturais”. Assim, sua equipe analisou dados sobre os níveis de fosfato nos oceanos, que se comportam como o mercúrio, mas são melhores estudados. Por determinação da relação de fosfato de mercúrio em águas mais profundas que 1.000 metros – que não tenha estado em contato com a atmosfera da Terra desde o século 19 – o grupo foi capaz de estimar o mercúrio no oceano que se originou a partir de fontes naturais, tais como a desagregação das rochas.

Em seguida, para determinar a contribuição de mercúrio antropogênico em águas mais rasas, a equipe usou o dióxido de carbono como marcador. O gás de efeito estufa, se for bem documentado, pode ajudar a descobrir as principais atividades que lançaram mercúrio no ambiente.

Seus resultados mostram que as águas do Atlântico Norte mais profundas e intermediárias (entre 100 e 1.000 metros) são “anormalmente enriquecidas” em mercúrio, em comparação com as águas profundas do Atlântico Sul e Pacífico. Isso significa que, desde a industrialização, efeitos humanos levaram a um aumento de 150 % na quantidade de mercúrio em águas intermediárias.

De acordo com as estimativas, a quantidade total de poluição por mercúrio presente na massa oceânica global é de 60.000 a 80.000 toneladas – com quase dois terços residentes em águas mais rasas (menos de 1.000 metros de profundidade).

“Os próximos 50 anos podem muito bem adicionar a mesma quantidade aos oceanos que vimos nos últimos 150”, diz Lamborg, mostrando como a situação é realmente preocupante. “A boa notícia é que agora temos alguns números sólidos para que possamos fundamentar um trabalho”, concluiu.



Fonte: Jornal Ciência - Bruno Rizzato



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