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Os novos animais-símbolo da ameaça de extinção, segundo cientistas

Compartilhe:     |  27 de fevereiro de 2020

Já ouviu falar da cabra gnu, do macaco de orelhas vermelhas ou do monstro de Gila?

Eles podem ser os futuros ícones da conservação ambiental, de acordo com um estudo.

Os cientistas acreditam que estes animais pouco conhecidos são fundamentais para arrecadar dinheiro para proteger ecossistemas vulneráveis.

As imagens de tigres e elefantes, que têm grande apelo junto ao público, são frequentemente selecionadas para campanhas de arrecadação de fundos.

Mas essa abordagem tem sido criticada por negligenciar muitas outras espécies que precisam da nossa ajuda.

“É hora de colocarmos alguma ciência por trás das espécies que usamos para comercializar e arrecadar fundos para conservação — em vez de limitar nossa abordagem em torno do que é popular ou visto como ‘fofo’ pelo público”, argumenta Hugh Possingham, cientista chefe da ONG The Nature Conservancy.

Filhote de urso andino em zoológico na Alemanha
O urso andino, fotografado em um zoológico na Alemanha, é o único urso nativo da América do Sul

Para testar se uma abordagem mais científica poderia trazer benefícios mais abrangentes para ecossistemas vulneráveis, os pesquisadores compilaram dados sobre áreas protegidas, impacto humano e variedade de espécies.

Eles identificaram lugares prioritários para conservação no mundo e “espécies emblemáticas” que seriam adequadas para angariar fundos para eles.

“Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar um único dólar em conservação”, diz Jennifer McGowan, da Universidade Macquarie, na Austrália.

“Dada a situação da crise da biodiversidade, precisamos ser estratégicos, eficazes e eficientes no trabalho de conservação que fazemos.”

As “espécies emblemáticas” são uma boa maneira de “tocar corações e mentes”, acrescenta ela, citando imagens dos recentes incêndios na Austrália que mostram coalas feridos.

“Milhões de dólares foram arrecadados — porque ninguém é capaz de olhar para essas fotos e não ficar com o coração partido”.

Serpentário desfila em meio ao capim alto do deserto de Kalahari, na África
Serpentário desfila em meio ao capim alto do deserto de Kalahari, na África

O estudo, publicado na revista científica Nature Communications, compilou uma lista de centenas de mamíferos, aves e répteis que podem atuar como novas “espécies emblemáticas”. Eles são carismáticos por si só, mas muitas vezes são deixados de lado em prol de alternativas mais icônicas.

Entre os animais da lista, estão:

– O urso-de-óculos, também conhecido como urso-andino, que habita as florestas montanhosas dos Andes, na América do Sul;

– A fossa, felino carnívoro encontrado em Madagascar;

– O calau-rinoceronte, pássaro do sudeste asiático;

– O secretário, ou serpentário, ave que vive nas savanas da África Oriental;

– O monstro de Gila, encontrado nos desertos do México e dos EUA.

Monstro de Gila no sul do Arizona
Monstro de Gila fotografado no sul do Arizona, nos EUA

O ano de 2020 é considerado crítico para a natureza e vai culminar com um encontro em Kunming, na China, em outubro, para definir uma nova estrutura global para a biodiversidade.

Nesta semana, representantes dos países da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) fazem sua primeira reunião em Roma, na Itália, para elaborar o tratado internacional, no estilo do “Acordo de Paris”, que deve ser assinado em outubro.

No ano passado, um painel intergovernamental de cientistas afirmou que um milhão de espécies animais e vegetais estão ameaçadas de extinção.

Estimativas recentes sugerem que o orçamento anual necessário para atender às metas globais de biodiversidade é de pelo menos US$ 100 bilhões por ano.



Fonte: Ambiente Brasil - BBC Brasil



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