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Ovos falsos de tartaruga com GPS acoplado ajudam a combater o tráfico de animais

Compartilhe:     |  19 de dezembro de 2020

Os ovos são feitos de um material emborrachado denominado NinjaFlex e pintados com um tinta texturizada em tom amarelado

Ovos falsos de tartaruga com GPS acoplado se tornaram aliados na luta contra o tráfico de animais silvestres. Desenvolvido pela ONG norte-americana Paso Pacifico, o “InvestEGGator”, como foi apelidado, é colocado dentro dos ninhos das tartarugas e servem de isca para os traficantes.

Um deles foi colocado em um ninho pela estudante de doutorado no Instituto Durrell de Conservação e Ecologia no Reino Unido Helen Pheasey. No dia seguinte, a pesquisadora acompanhou a movimentação do ovo, que foi levado por um traficante até um cais de carregamento de supermercado a 137 quilômetros de distância de onde foi roubado.

“Simplesmente continuou se movendo. Estou verificando a cada hora, e isso vai cada vez mais longe”, disse Pheasey em entrevista ao jornal CNN.

Os ovos são feitos de um material emborrachado denominado NinjaFlex e pintados com um tinta texturizada em tom amarelado que foi desenvolvida pela artista de efeitos especiais de Hollywood Lauren Wilde.

Durante um projeto iniciado em 2017, 101 ovos falso foram implantados em ninhos por Pheasey. Dentro deles, um cartão SIM emite o sinal de localização.”É como o seu telefone celular. Se você enterrar seu telefone na areia, não terá nenhum sinal. Mas, assim que forem descobertos, eles ficarão online”, explicou.

De acordo com estimativas da Paso Pacifico, mais de 90% dos ninhos de tartarugas marinhas em praias desprotegidas da América Central são destruídos por traficantes que levam os ovos para vendê-los. Os ovos falsos visam desvendar as rotas do tráfico e combater esse crime.

Dos ovos falsos implantados pela pesquisadora, um viajou menos de 50 metros até uma casa de praia, outro foi levado para um local a dois quilômetros de distância. Em um dos casos, o ovo foi levado a 137 quilômetros de distância. Um deles conseguiu, inclusive, desvendar toda a cadeia do comércio, desde o traficante até o comprador.

De acordo com Sarah Otterstrom, cientista e diretora executiva da Paso Pacifico, os ovos de tartaruga são considerados uma iguaria e um afrodisíaco. “Em muitos bares e restaurantes, as pessoas fazem sopa de ovo de tartaruga ou colocam um ovo de tartaruga cru em uma bebida”, disse à CNN.

Para combater essa prática, o uso dos ovos falsos é uma esperança. No entanto, há problemas a serem solucionados no projeto. Dentre eles, a vida útil da bateria, que dura poucos dias quando alertas são enviados de hora em hora.

Para Pheasey, a baixa recepção de sinal nas áreas costeiras também é um problema. Otterstrom, porém, discorda. “Embora possa haver praias remotas e sem tecnologia de celular, conforme os ovos vão chegando aos mercados, inevitavelmente se deparam com torres de celular”, explicou.

A entidade que produziu os ovos falsos os comercializa para outras instituições por cerca de US$ 60 o ovo. O objetivo é adaptar a tecnologia para que futuramente ela atenda às demandas de outros animais, como papagaios e crocodilos, que também têm seus ovos traficados.

No Equador, a Paso Pacifico também está desenvolvendo dispositivos de rastreamento que serão embutidos em tubarões para combater a caça à espécie.

“Inteligência é a chave para a prevenção”, disse Pheasey. “Isso significa que você está sempre à frente dos caçadores, e não atrás. Precisamos ser proativos, não reativos”, concluiu.



Fonte: Anda



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