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Padeiros têm emprego garantido na cidade que mais consome pão no país

Compartilhe:     |  28 de setembro de 2014

Ah, se o cheirinho do pão fresquinho, feito na hora, passasse pela internet… É de dar água na boca. Há séculos, o homem faz a mágica de produzir pão, e os campos dourados de trigo viram alimento na mesa de milhões de pessoas.

A semente dessa paixão nacional veio de longe, atravessou o oceano, trazida pelos colonizadores. No Brasil não existia o trigo, mas pelas mãos dos portugueses encontrou terra fértil. E hoje, um dos grãos mais consumidos no mundo inteiro também tem lugar de destaque nas casas brasileiras. De Norte a Sul.

Quando o sol se põe e a madrugada avança eles já estão com a mão na massa: os padeiros. E até São Paulo, a cidade que não dorme nunca, só desperta depois do primeiro pãozinho.

“Tem que ser o pão. A variedade a gente vai mudando, mas todo dia tem que ter o pão”, explica o advogado Hevaldo Adorno.

“Servido?”, brinca uma médica ao tomar café da manhã em uma padaria.

“O pão, ele é o representante mais conhecido e universal do carboidrato. E a gente sabe que uma dieta saudável, ela preconiza pelo menos 50%, 60% das calorias como carboidratos. Então o pão tem essa vantagem porque ele é um carboidrato fácil de ser obtido pela população, fácil de fazer. Então, por isso que ele é muito importante”, Jacqueline Alvarez-Leite, nutróloga – UFMG.

Globo Repórter: Pão engorda?
Jacqueline: Tudo engorda, ou nada engorda. Depende da quantidade que você come.

Rogério e Adriana são filhos do seu Alfredo, o português da padaria. Admirado pela família e pelos funcionários, ele deixou saudade desde que morreu, há dez anos. E, acima de tudo, deixou o exemplo de quem trabalhou duro para vencer na vida.

Rogério Campos, comerciante: Meu pai trabalhava de segunda a segunda na padaria, não tinha folga. Então quando ele queria ficar um pouquinho com a gente, era na padaria. Eu ficava brincando nas máquinas de padeiro, fazendo bolinhas de pão, fazendo bonequinho.
Adriana Campos, comerciante: Quando ele fazia agrado, ele fazia pombinha. Pão em formato de pombinha.
Rogério: Passarinho, coelho, jacaré
Adriana: Botava a cereja para ser olhinho.
Rogério: A brincadeira da gente era na padaria.

Os irmãos botaram a mão na massa e o negócio deu certo. Já são quatro padarias.

Rogério: Ele ensinou o que a gente tem de mais sagrado na vida, que é uma profissão digna. Acho que uma das mais antigas. Meu vô era padeiro em Portugal. Meu pai veio de lá com 11 anos e chegou aqui sempre mexendo com pão.

Globo Repórter: Quando você vê a padaria hoje, o pão saindo quentinho… O que te toca o coração?
Rogério: Saber que a gente faz o que a gente gosta. É o que a gente mais ama. É a frase do pai, né?
Adriana: Aqui se faz o que se gosta.
Rogério: Aqui se faz o que se gosta. Adoro isso aqui. Não consigo ficar longe não.
Globo Repórter: É mais do que o ganha pão de vocês?
Adriana e Rogério: É! É amor.

Trabalho não falta. E mão-de-obra qualificada não fica sem emprego. Os números do setor indicam 800 mil empregos diretos e 1,5 milhão indiretos em todo o Brasil.

“Meu nome é Hallyson, eu vim de Natal e sou padeiro”, diz Hallyson.

“Meu nome é Robson, eu vim de Araçatuba e eu sou padeiro”, conta Robson.

“Eu sou o Rui, sou de São Paulo e sou padeiro”, afirma Rui.

E também são professores. Na escola do Sindicato das Panificadoras, eles ensinam tudo que aprenderam.

Com a palavra, quem entende do assunto:

Hallyson César Souza, técnico em panificação: É um mercado bom, principalmente aqui em São Paulo.
Globo Repórter: Se sair daqui você não fica desempregado?
Hallyson César Souza: Não. Como padeiro, não tem como ficar. Ó: eu comecei nessa área com 16 anos, agora, tenho 27. De lá pra cá, nunca fiquei parado.

Robson Gonçalves, técnico em panificação: Tudo que eu tenho hoje foi conquistado depois que eu entrei para essa área. Minha casa, meu carro, minha história de vida, minha família.
Globo Repórter: E você consegue resistir fazendo tanto pão?
Robson Gonçalves: Não resisto! Eu engordei 20 quilos depois que eu entrei para esta área.
Globo Repórter: E aí?
Robson Gonçalves: E aí, é caminhar de vez em quando. Mas faz parte! Qual é o padeiro, qual é o confeiteiro que não degusta aquilo que ele faz? É muito difícil!

O Ruy, emocionado, ainda vai mais longe…

Rui Ribeiro Cruz, técnico em panificação: Você procura um norte na vida e você encontra em uma profissão.
Globo Repórter: O pão te deu isso?
Rui Ribeiro Cruz: O pão me deu isso. Um orgulho, um sentimento. Quem sabe um dia eu vou ser um Zezinho… Um Zezinho da vida. Dessa vida de padeiro.

O Zezinho é o José, mestre de todos. Foi do interior de Pernambuco para São Paulo ainda menino. A mãe era empregada doméstica. E foi, então, que ele viu e provou, pela primeira vez, o pãozinho… “Então, esse pão, que era do Sul, não existia. Não conhecia”, conta o mestre padeiro José Silva.

Nem imaginava que ali estaria a sua profissão. Ele começou a trabalhar fazendo limpeza em um grande buffet da capital.

“Quando acabavam as festas três, quatro horas da madrugada, me chamavam: fulano, vem contar a roupa”, lembra José.

O jovem que começou na faxina queria aprender mais. E se precisassem de alguém na cozinha lá estava José.

José: Quando alguém faltava, essa mão de obra. Você era que misturava o doce. E eu acabava misturando o doce. Eu não tinha um curso… Não! A oportunidade era você trabalhar e começar de baixo e aprender.
Globo Repórter: E o pão?
José: Nas grandes festas, como até hoje, nos jantares, tem que ter o pão. Seja qual for: pão preto, pão branco, pão integral e tudo mais. Tem que ter o pão. E a partir daí você tinha confeitaria e panificação. E eu comecei em confeitaria e mais tarde eu vim para a panificação.

José foi contratado por grandes empresas, viajou para o exterior e aprendeu muito. Pão combina com quase tudo! Menos com dieta, detox, emagrecimento. Nunca se ouviu falar em dieta do pão. A menos que a ideia seja engordar. Mas, afinal, por que ele tem essa fama?

“O vilão não é o pão. O vilão é a quantidade de pão ou do trigo que a gente come. Então, se a gente mantivesse um pãozinho de manhã, outro à tarde acho que isso não é problema nenhum. O problema é a gente colocar o pão várias vezes ao dia, junto com outras coisas que tem trigo”, afirma a nutróloga Jacqueline.



Fonte: Globo Repórter



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