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Painel reúne ambientalistas e debate sobre a Paraíba e o meio ambiente

Compartilhe:     |  16 de abril de 2019

A ambientalista, bióloga, mestre em Sociologia e presidente da Associação Paraibana dos Amigos da Natureza (APAN), Paula Frassinete, coordenou um painel de debates, durante o Fórum Espaço Ecológico 15 Anos, no Dia Mundial da Água, em João Pessoa, e que contou coma a participação de Daniele Siqueira e Caroline Dias, do Projeto Tartarugas Urbanas, da Associação Guajiru; Mestra Doci, da Escola Olho do Tempo; Ivanildo Santana, coordenador da Campanha Rio Gramame – Quero viver com águas limpas; Edvaldo Nunes da Silva filho, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Tabatinga (AMATA).

Durante o painel, Paula Frassinete ressaltou a importância do Programa Espaço Ecológico para o desenvolvimento da educação ambiental na Paraíba, no Brasil e em todo o mundo. Ele comparou o programa radiofônico a um curso sequenciado. “Se acompanharmos toda semana o Programa Espaço Ecológico ficaremos inteirados sobre a situação do meio ambiente e como anda o nosso planeta Terra, do que ele precisa o que nós podemos fazer sobre isto”, afirmou.

A proposta do painel, segundo Paula, foi trazer uma ideia do que está acontecendo nos diversos aspectos do meio ambiente. “A luta ambiental não deve ser feita de forma isolada. Dom Helder Câmara dizia numa frase muito linda: sonho que se sonha só é somente um sonho, mas sonho que se sonha junto se transforma em realidade”, exortou Paula Frassinete.

No entendimento de Paula Frassinete, todas as questões ambientais levam em consideração a união, a partilha e a solidariedade. “Na discussão ambiental, mais do que em qualquer uma outra, se não estivermos juntos, se não entendermos que cada um de nós tem o seu papel dentro deste trabalho, se não entendermos que devemos pensar localmente e agir globalmente, como se dizia no slogan da Eco-22, não conseguiremos caminhar, porque, como acontece na natureza, são várias as atitudes que têm que ser feitas para que consigamos minimizar todas as agressões que são feitas a nossa mãe Terra”, aconselhou.

Paula explicou que a Terra é toda viva. Todos os elementos da Terra compõem a vida do nosso corpo, do corpo das plantas, onde estão todos os sais minerais. Temos cálcio dentro de nós, temos ferro e eles fazem parte da vida, ou seja, são vida. Isso demonstra muito bem o papel que cada um de nós tem no planeta terra é este papel de nos considerarmos parte dela e não de sermos os exploradores da Terra. No entanto, estamos fazendo da Terra um verdadeiro lixo, nós que deveríamos seguir as leis da natureza”, lastimou.

Mestra Doci falou do trabalho que a Escola Viva Olho do Tempo executa o ano inteiro em favor do Rio Gramame. “Infelizmente, as pessoas não sabem que aquela água que sai na torneira de casa, que a gente toma banho, faz a comida, lava a roupa, é a água que o Rio Gramame oferece a todos nós. É muito triste você ter um rio daquele porte, que não seca, que é eternamente benfazejo, totalmente perdido, porque ninguém pode tomar um banho, pescar um peixe por conta do agrotóxico, conforme estudo da Universidade Federal da Paraíba. Mesmo assim, se você for agora na beira do rio, verá que tem muitos pescadores levando o peixe para suas casas, a fim de alimentar suas famílias. É preciso que as pessoas cuidem daquele rio, para que a gente possa continuar bebendo água e tendo saúde”, ressaltou.

Ivanildo Santana, aprendiz da Mestra Doci e que atua na Escola Viva Olho do Tempo, apresentou um recorte da campanha que a entidade realiza em favor do Rio Gramame. “A campanha “Rio Gramame quer viver em águas limpas” tem o objetivo de fazer com que todas as pessoas de João Pessoa e das cidades circunvizinhas conheçam o que está acontecendo com o rio Gramame, que vem sofrendo algumas poluições, algumas agressões ambientais, e a gente precisa fazer com que as pessoas tenham conhecimento, para que elas possam se juntar a nós que estamos defendendo o rio”, explicou.

Caroline Dias, da Guajiru, voluntária do Projeto Tartarugas Urbanas, falou do trabalho diário desenvolvido junto à comunidade. A ONG Guajiru foi criada em maio de 2002, pela bióloga Rita Mascarenhas. “As últimas praias urbanas do mundo onde ainda existe desova de tartarugas marinhas ficam aqui em João Pessoa. fazemos um monitoramento diário dos trechos de praia, atendimentos de chamadas e sensibilização da comunidade, além do incentivo à produção científica. Em contato com os rastros da tartaruga pente, identificamos na câmara de ovos onde as tartarugas desovam, cercamos e identificamos com placas os ninhos para protegê-los”, detalhou.

Daniele Siqueira, outra voluntária da ONG Guajiru, lamentou a poluição dos mares, principalmente pelo lixo plástico, que está matando as tartarugas que engolem esse resíduo. “O lixo das ruas vai parar nos rios e, depois, vai acabar no ambiente marinho. É uma reação em cadeia que acaba ameaçando a vida marinha. Entretanto, há sempre uma esperança e a gente vai executando esse trabalho de formiguinha, fazendo o que pode para salvar as tartarugas”, reiterou.

Edvaldo Nunes, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Tabatinga, disse que a AMATA, fundada em 1985, faz constantes alertas em defesa do meio ambiente. Ele informou que membros da entidade participam do Projeto Orla. “A praia de tabatinga, precisa de apoio, como toda praia, mas ela tem uma feição mais fragilizada em função das agressões que o homem provoque, se não houver uma constante vigilância. É uma praia praticamente urbana. Vivemos num paraíso, mas em constante alerta e as denúncias são uma marca da AMATA”, afirma.

Após a participação da entidades convidadas, que elencaram uma séria de problemas, lutas e desafios, Paula Frassinete encerrou o painel, reiterando o que Honorata, também da diretoria da AMATA, falou, ao ressaltar o perigo para o meio ambiente da urbanização das praias, com calçadões e iluminação que muitas vezes afeta a vida dos animais, nesses locais preservados. “Cada vez mais, a gente tem que pensar que a natureza é ela mesma, bela por ela só. Que encerrar com uma frase do livro “Saber cuidar”, de Leonardo Boff: tudo o que existe e vive precisa ser cuidado para continuar a existir e a viver, uma planta, um animal, um idoso, uma criança, o planeta Terra”, conclui a ambientalista.



Fonte: Revista Espaço Ecológico



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