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Pandemia de Covid-19 encorajou um estilo de vida sustentável

Compartilhe:     |  12 de maio de 2021

A pandemia do coronavírus nos levou a reconsiderar nossos hábitos menos ecológicos, diz Olivia Petter

Desde o ano passado, a pandemia do coronavírus transformou nosso jeito de viver, impactando tudo desde como trabalhamos até como socializamos.

Um dos poucos resultados positivos da pandemia foi que muitas pessoas se tornaram mais conscientes das suas pegadas de carbono. Em abril de 2020, uma pesquisa da Ipsos mostrou que 71% das pessoas em 14 países sentiam que o aquecimento global era uma crise tão importante como a pandemia. Em julho de 2020, outra pesquisa realizada pelo fornecedor de energia renovável Bulb descobriu que um terço da população do Reino Unido vivia de maneira mais sustentável durante a quarentena. Enquanto isso, uma pesquisa dos Estados Unidos conduzida pelo Boston Consulting Group na mesma época concluiu que 70% das pessoas estavam mais conscientes do seu impacto ambiental do que antes.

“Eu acho que muitas pessoas em casa têm uma nova apreciação da natureza e do ambiente em que vivem”, disse um porta-voz do WWF ao The independent. A diretora executiva do WWF, Tanya Steele, acrescenta que esse ano marca o começo de uma “década crítica” quando se trata de tomar medidas contra a crise climática. “Nunca foi tão importante para as pessoas usarem suas vozes, seu próprio poder, para defender a natureza e mostrar aos líderes o porquê eles deveriam se importar”, diz ela.

Não é preciso dizer que passar mais tempo ao ar livre pode ter um grande impacto no relacionamento de alguém com o meio ambiente. “Uma coisa que todos notamos é a importância de nossas áreas verdes”, conta a ministra do meio ambiente Rebecca Pow ao The independent. “Sinto-me encorajada ao ver mais e mais pessoas usando-as para conectar com a natureza, o que é benéfico para ambas saúdes mentais e físicas.

Os benefícios da quarentena para o meio ambiente são claros de se ver, também. Em Abril, surgiram relatos de animais selvagens saindo de seus esconderijos e andando pelas ruas de repente vazias. Golfinhos foram de repente flagrados em Boshprosu, Istambul, uma das rotas marinhas mais transitadas do mundo, enquanto um javali vagava pelas ruas de Haifa, em Israel. Mais perto de casa, foram notados relatos de um aumento significativo de aparições de morcegos, abelhas e esquilos em 2020, no Reino Unido, comparado ao ano anterior.

Outros benefícios foram vistos na forma de relatórios de que a poluição do ar havia diminuído em quantidades recorde em países ao redor do mundo.

Mas como nos tornamos mais sustentáveis como indivíduos durante o confinamento? E podemos continuar assim quando as restrições forem suspensas? Aqui estão as lições climáticas que aprendemos durante a quarentena.

Mudando nossas dietas

Não é segredo que mudar para uma dieta baseada em vegetais e folhas pode ter um grande impacto positivo ao meio ambiente. Não só cerca de 14% de todas as emissões de gases de efeito estufa das atividades humanas vêm da pecuária, mas também um estudo publicado na Science em 2018 que listou os impactos ambientais de 40 alimentos populares descobriu que os nove primeiros eram todos produtos derivados de animais.

Algumas semanas depois da primeira quarentena, surgiram relatos de que milhões de britânicos estavam reduzindo seu consumo de carne e laticínios, enquanto os mercados relataram um aumento na demanda por produtos veganos. Enquanto isso, a The Vegan Society descobriu que um em cada cinco britânicos reduziu o consumo de carne durante a pandemia, enquanto 15% reduziram o consumo de laticínios. Então, em janeiro de 2021, o compromisso vegano anual de um mês da organização Veganuary relatou seu maior número de inscrições: 500.000.

Existem várias razões pelas quais as pessoas podem ter sido atraídas para o veganismo no confinamento. “Para alguns, é porque suas opções alimentares usuais não estavam disponíveis no mercado, para outros foi um exercício de economia de gastos”, disse um porta-voz da The Vegan Society para o The Independent.

“Porém, eu acho que mais do que tudo, a pandemia trouxe a saúde como preocupação principal na mente das pessoas e de repente nos tornamos muito mais conscientes do que estamos comendo, de onde vem e como nos faz sentir”.

“Os consumidores estão se tornando compradores mais conscientes e éticos, com muitos interessados em buscar alternativas baseadas em folhas e vegetais e livre de crueldade.”

Paramos de viajar

A pandemia acabou com as viagens internacionais durante a maior parte do ano passado.

O cancelamento em massa de voos em 2020 reduziu as emissões de CO2 da aviação em cerca de 60%, de acordo com o Global Carbon Project.

Em vez de viajar para o exterior em busca de climas mais quentes, os britânicos adotaram as férias em casa durante os meses de verão, e um especialista em acomodação de luxo, Hoseasons, relatou uma nova reserva a cada 11 segundos em junho, depois que o primeiro ministro levantou restrições para hospedagens noturnas. Enquanto isso, a empresa irmã de Hoseasons, cottages.com, relatou um aumento de 455% nas reservas anuais.

Mas, além dos feriados, devido às restrições que obrigavam os britânicos a permanecer em suas áreas locais, eles pararam de usar carros e trens para se locomover, preferindo caminhar ou andar de bicicleta: as vendas de bicicleta aumentaram 63% durante o confinamento.

Como resultado, de acordo com um estudo em Londres, a poluição do tráfego foi reduzida em até 50% durante o primeiro bloqueio. Enquanto isso, dados da London Air Quality Network, administrada pelo King’s College London, descobriram que a poluição do ar caiu substancialmente nas cidades do Reino Unido em março de 2020.

O professor Alastair Lewis, do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas da Universidade de York, explicou na época: “Isso é principalmente uma consequência dos menores volumes de tráfego, e algumas das reduções mais claras ocorreram no dióxido de nitrogênio, que vem principalmente do escapamento do veículo.”

Comemos mais em casa

Com a indústria da hospitalidade encerrada durante grande parte de 2020, os britânicos comeram em casa mais do que nunca. Embora isso tenha resultado em um grande impacto econômico para a indústria, cozinhar e comer mais em casa tem alguns benefícios ambientais. Em outras palavras, dá a você mais controle sobre a prevenção do desperdício de alimentos, o que a organização sem fins lucrativos Friends of the Earth cita como um dos maiores problemas em relação ao impacto ambiental da nossa alimentação.

Friends of the Earth estima que mais de 10 milhões de toneladas de alimentos são descartados no Reino Unido a cada ano. E muitas das coisas que as pessoas podem fazer para combater isso vem de comer mais em casa, ou seja, reciclando seus próprios resíduos alimentares, compostagem e usando sobras.

Além disso, comer em casa dá a você mais controle sobre de onde você obtém seus ingredientes. Isso significa que você pode escolher comprar produtos sazonais localizados perto de você em vez daqueles que foram trazidos do exterior, reduzindo ainda mais sua pegada de carbono.

Dados da plataforma de inteligência de compras cardlutics também descobriram que kits de refeição e caixas de supermercado tiveram um grande crescimento nas vendas durante a pandemia – gastos com kits alimentícios customizáveis incluindo Hello Fresh, Gousto and Mindful Chef, cresceram em 114% em Abril de 2020 comparados com o ano passado – o que também diminuiu o desperdício de comida vendo que esses kits oferecem a quantidade exata de ingredientes necessários para um receita particular.

Ainda temos que ver se a pandemia terá um impacto duradouro sobre se comemos mais em casa, mas a pesquisa da Mintel descobriu que mais da metade (55%) das pessoas já estão planejando cozinhar mais em casa após o Covid-19 em comparação com antes.

Comprar menos e favorecer roupas de usadas

Uma das muitas maneiras pelas quais nos tornamos mais sustentáveis é por meio de nossas escolhas de moda. Em 2020, as vendas de roupas caíram 25%, marcando a maior queda em 23 anos, de acordo com números do ONS . Isso não é surpreendente, considerando que tivemos tão poucas oportunidades de socializar no ano passado que lojas não essenciais foram fechadas durante grande parte de 2020.

No entanto, alguns de nós procuramos soluções online para nosso problema de moda e, quando fizemos, demos preferência para roupas usadas. Em 2020, o aplicativo de venda de roupas de segunda mão Depop registrou um aumento de 200% no tráfego em relação ao ano anterior, e seu faturamento dobrou globalmente desde 1º de abril. Enquanto isso, o eBay informou que vendeu 1.211% a mais de itens usados em junho de 2020 em comparação com 2018, observando um aumento adicional de 195.691% nas vendas de estilistas de segunda mão ao mesmo tempo.

Outro hábito de moda ecologicamente correto que surgiu no ano passado é a moda “do it yourself” _ou faça você mesmo. Lembram da tendência do crochê no TikTok que surgiu ano passado como resultado das pessoas tentarem recriar o multicolorido cardigã JW Anderson usado por Harry Styles? Como você poderia esquecer. Ele se mostrou tão popular que o próprio Anderson acabou compartilhando a estampa para que as pessoas pudessem recriar o cardigã exato em casa. “O artesanato floresce quando as pessoas ficam presas em casa”, disse Abby Glassenberg, presidente e co-fundadora da Craft Industry Alliance , ao jornal The Independent.

Foto: Pixabay

Participação em grupos comunitários locais

Outra maneira pela qual a pandemia nos tornou mais sustentáveis é simplesmente porque mais pessoas estão se juntando a grupos comunitários locais que se dedicam a combater a crise climática. Em declarações ao The Independent  a Friends of the Earth disse ter notado um aumento significativo no número de pessoas que aderiram a grupos locais.

Alasdair Roxburgh, Diretor de Comunidades e Redes da Friends of the Earth, disse ao The Independent: “A maior e mais importante mudança que vimos na ação ambiental no ano passado foi como as pessoas se uniram em suas comunidades para apoiar umas às outras.

“Em pouco mais de um ano desde que os lançamos, existem agora 250 Grupos de Ação Climática em comunidades em todo o país. O incrível trabalho realizado por grupos de ajuda mútua, conselhos, empresas locais e muito mais mostrou o poder e a velocidade da mudança que pode ocorrer quando as comunidades trabalham juntas em nível local. Isso definitivamente se traduziu em ação contra a crise climática. ”

Você pode ver a lista completa dos Grupos de Ação Climática da organização sem fins lucrativos em seu site, que possui uma ferramenta que permite digitar seu código postal e encontrar o mais próximo de você. Grupos diferentes têm prioridades diferentes.

Por exemplo, em Newcastle, um grupo fez uma petição ao governo por um ciclismo seguro em Newbury, eles estão fazendo campanha por sacolas de papel no Tesco da região. Enquanto isso, em Ilkley, um grupo está fazendo campanha para que a população local mude para bancos que não investem em combustíveis fósseis.



Fonte: ANDA - Julia Faustino



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