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Pandemia faz aumentar o número de animais abandonados. Como mudar essa triste realidade

Compartilhe:     |  6 de agosto de 2020

Estamos há meses vivendo as repercussões do novo coronavírus e seus efeitos se fazem sentir em vários âmbitos de nossas vidas. Um deles tem relação com os animais de estimação, pois com as justificativas da crise financeira, medo de que cães e gatos sejam transmissores desse vírus, ou por outros motivos, pessoas vêm abandonando seus animais, deixando-os indefesos à própria sorte.

Outros fatores pioram ainda mais essa realidade pois, por conta do isolamento social, houve uma diminuição da circulação das pessoas nas ruas. Assim, os animais abandonados ficaram à deriva sem ter o que comer, com sede, passando frio e correndo perigos.

ONGs de Proteção Animal, o Conselho Federal de Medicina Veterinária-CFMV, o órgão virtual SaferNet Brasil e Instituições em prol do Bem-Estar Animal, confirmam essa triste situação.

Vejam a seguir as informações e os depoimentos dessas entidades.

Entidades lotadas e sem apoio

Com a crise econômica gerada pela pandemia, houve uma grande redução nas doações em espécie ou contribuições financeiras aos Abrigos e às Entidades de Proteção Animal, por isso, tem faltado ração, vacinas, materiais de higiene, cobertores e jornais, além dos recursos necessários para cirurgia e castração.

Em relação às adoções de animais, a fundadora da ONG Cão Sem Fome, Glaucia Lombardi conta que no começo da pandemia, as pessoas até procuraram adotar mais, pensando em ter uma companhia no período de isolamento, porém, esse quadro mudou por conta das péssimas notícias.

“Houve a trágica mentira disseminada de que os cães transmitiam a Covid-19, ela esclarece. Depois, os problemas econômicos e, da mesma forma como foram cortados gastos extras em todas as famílias, muitas também optaram por não ter mais seus animais de estimação.”

Abandono de animais

Já de acordo com a avaliação do Conselho Federal de Medicina Veterinária em conjunto com ONGs, centros de controle de zoonoses e bombeiros, tem aumentado o número de chamadas para resgates de animais doentes, fêmeas gestantes ou recém-paridas e animais atropelados, agravando mais ainda os desastrosas consequências do abandono.

A médica veterinária Kellen Oliveira, presidente da Comissão Nacional de Bem Estar Animal do CFMV e professora da Universidade Federal de Goiás, explica que, de acordo com os estudos científicos atuais, não há evidências de que um animal de estimação transmita Covid-19 para o ser humano. Ela ainda ressalta:

“Até o momento, não há dados científicos de que animais de estimação, como cães e gatos, transmitem a Covid-19.

Os relatos existentes de animais que contraíram a doença ocorreram, em sua maioria, por transmissão de um humano doente para o animal.”

Para famílias com pessoas que apresentam sintomas ou resultaram positivas para a Covid-19 e que têm animais de estimação, a Dr. Kellen Oliveira esclarece qual é a recomendação:

“Afastar-se do animal, evitar tocar, beijar, espirrar e tossir próxima ao animal, até a resolução do problema.”

Maus-tratos e abandono configuram crime

De acordo com a Constituição Brasileira, “o abandono de animais é considerado crime, previsto por lei”, entretanto, essa lei não é aplicada com o devido rigor ou nem sequer é cumprida. Além disso, as próprias  instituições governamentais contribuem para o aumento de animais abandonados já que não desenvolvem ações para dar assistência aos animais de rua, aos tutores em condições de pobreza ou vulnerabilidade, além de não instituir medidas para estimular as adoção responsável.

Nesse contexto, protetores de animais acabam fazendo o que o Poder Público não faz, resgatando esses animais, cuidando deles e encaminhando-os para adoção. Por isso, precisam muito do apoio dos cidadãos.

Denúncias de maus-tratos

Dados obtidos pela BBC News Brasil  junto à organização  que monitora a Internet, SaferNet Brasil também indicam um aumento de  denúncias de maus-tratos aos animais durante o período da pandemia.

A SaferNet Brasil,  órgão que acompanha denúncias de violências, relatou que entre 15 de março de 30 de junho deste ano, ocorreram 482% a mais de denúncias sobre maus tratos a animais em comparação com mesmo período do ano passado.

De acordo com protetores e ativistas pelo direito dos animais, as causas atribuídas ao tamanho aumento da violência contra os animais, têm relação com o estresse causado pelo isolamento social e todos os desequilíbrios resultantes da pandemia.

Sendo assim, as pessoas perturbadas com tudo isso, acabam descontando suas neuras, negatividade e problemas no animal, que não têm nada a ver com isso.

Adoções durante a pandemia

Ainda somando-se aos problemas decorrentes da pandemia,  a quarentena impossibilitou a realização de feiras de adoção. Como saída para isso, as Entidades de Proteção animal estão realizando feiras de adoção virtuais, postando fotos, as histórias e informações sobre cada animal.

O Diretor da ONG Cão Sem Dono, Vicente Define Neto, conta como tem ocorrido as adoções de animais por meio da Internet:

“A pessoa escolhe o animal em nosso site, fazemos a entrevista por WhatsApp, verificamos as informações com o Google… Dando certo, levamos o animal até a casa da pessoa.”

Abandono de animais em cidades brasileiras

Todos esses efeitos se fazem sentir em muitas cidades brasileiras. Veja as reportagens sobre algumas destas:

Este vídeo do canal Jornal da Clube Cidade, mostra o abandono de animais durante a pandemia em Ribeirão Preto, SP.

A cidade apresenta cerca de 100 mil cães e gatos nas ruas e o assunto preocupa a comissão da OAB.

Este outro vídeo, do canal SBT Rio, mostra as consequências da quarentena no Rio de Janeiro e como as denúncias de abandono aumentaram.

Essa outra reportagem do canal SBT Jornalismo, relata a realidade de São Paulo diante do aumento de chamados para resgate de animais vítimas de maus-tratos e de abandono, durante a quarentena. Por conta disso, entidades de proteção animal dobraram seus atendimentos.

Como ajudar ou adotar uma animal que foi abandonado

Existem várias formas de minimizar os prejuízos do abandono de animais, mesmo não os levando para casa. Veja no link abaixo:

Já quem puder adotar, que o faça mediante a adoção responsável pois, animais não são produtos que podem depois ser jogados no lixo se quem comprou, ganhou ou adotou, decidir não querer mais:

Vale lançar o lembrete para as instituições governamentais da importância da criação de hospitais veterinários públicos, da realização de campanhas gratuitas de castração e da necessidade de prestar ajuda financeira para pessoas com seus animais que estão em condição de vulnerabilidade. Dessa forma, é possível promover melhores condições para a população ter mais recursos de criar seus pets com dignidade.



Fonte: GreenMe - Deise Aur



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