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Pandemias são resultado da destruição da natureza, dizem ONU e OMS

Compartilhe:     |  22 de junho de 2020

Pandemias como o coronavírus são o resultado da destruição da natureza pela humanidade, segundo líderes da ONU, OMS e WWF International (World Wide Fund for Nature – Fundo Mundial para a Natureza), e o mundo vem ignorando essa dura realidade há décadas.

O comércio ilegal e insustentável da animais silvestres, bem como a devastação das florestas e outros lugares selvagens ainda são as forças motrizes por trás do crescente número de doenças que passam de animais silvestres para os humanos, disseram os líderes ao The Guardian.

Eles pedem uma recuperação ambiental saudável da pandemia de Covid-19, em particular através da reforma da agricultura destrutiva e dietas insustentáveis.

Um relatório da WWF, adverte: “O risco de uma nova doença (transmitida de animais silvestres para humanos) surgir no futuro é maior do que nunca, com o potencial de causar estragos na saúde, nas economias e na segurança global”.

O chefe da WWF no Reino Unido disse que acordos comerciais pós-Brexit que não protegem a natureza fariam da a Grã-Bretanha “cúmplice em aumentar o risco da próxima pandemia”.

Desde março, figurões do meio vêm emitindo uma série de avisos contendo alertas dos principais especialistas do mundo em biodiversidade dizendo que é provável que haja surtos de doenças ainda mais mortais no futuro, a menos que a destruição desenfreada da natureza seja rapidamente interrompida.

Pixabay

No início de junho, o chefe para assuntos ambientais da ONU e um dos principais economistas atualmente disseram que a Covid-19 era um “sinal de SOS para os empreendimentos humanos” e que o pensamento econômico atual não reconhece que a riqueza humana depende da saúde da natureza.

“Vimos muitas doenças surgirem ao longo dos anos, como Zika, Aids, Sars e Ebola e todas elas se originaram de populações animais sob condições de severas pressões ambientais”, disseram Elizabeth Maruma Mrema, Chefe da Convenção da ONU Cobre Diversidade Biológica, Maria Neira, Diretora de Meio Ambiente e Saúde da OMS, e Marco Lambertini, Chefe do WWF International, em um artigo do The Guardian.

Assim como o coronavírus, “esses surtos são manifestações de nossa relação perigosa e desequilibrada com a natureza”, disseram. “Todos eles ilustram que nosso próprio comportamento destrutivo em relação à natureza está colocando em risco nossa própria saúde – uma dura realidade que ignoramos coletivamente há décadas”.

“Preocupantemente, enquanto a Covid-19 nos deu mais uma razão para proteger e preservar a natureza, vimos o inverso acontecer. Desde o Grande Mekong até a Amazônia e Madagascar, surgiram relatos alarmantes de aumento da caça, exploração madeireira ilegal e incêndios florestais, enquanto muitos países estão se engajando em reversões ambientais apressadas e cortes no financiamento para a conservação. Isso tudo vem quando mais precisamos”.

“Devemos acolher a pauta de uma recuperação justa, saudável e preocupada com o meio ambiente e iniciar uma transformação mais ampla em direção a um modelo que valoriza a natureza como base para uma sociedade saudável. Não fazê-lo e, em vez disso, tentar economizar recursos, negligenciando a proteção ambiental, os sistemas de saúde e as redes de segurança social, já provou ser uma falsa economia. A conta será paga muitas vezes mais cara.”

O relatório do WWF conclui que os principais fatores originários de doenças transmitidas de animais selvagens para humanos são a destruição da natureza, a intensificação da agricultura e da produção pecuária, bem como o comércio e o consumo de animais silvestres de alto risco.

O relatório clama todos os governos a introduzir e aplicar leis para eliminar das cadeias de fornecimento de bens a qualquer ato de destruição da natureza e clama ao público que torne suas dietas mais sustentáveis.

Carne bovina, óleo de palma e soja estão entre as commodities frequentemente ligadas ao desmatamento e cientistas aconselham que evitar carne e laticínios é a única e melhor maneira de os humanos reduzirem seu impacto ambiental no planeta.

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Tanya Steele, chefe da WWF Reino Unido, disse que os acordos comerciais pós-Brexit devem proteger a natureza: “Não podemos ser cúmplices em aumentar o risco da próxima pandemia. Precisamos de uma legislação forte e acordos comerciais que nos impeçam de importar alimentos que resultem de desmatamento desenfreado ou cuja produção ignora as boas práticas de bem-estar animal e preservação ambiental nos países produtores. O governo tem uma oportunidade de ouro para fazer uma mudança transformadora e que influencie todo o mundo.”

Segundo o relatório da WWF 60-70% das novas doenças que surgiram em humanos desde 1990 vieram de animais silvestres. No mesmo período, 178 milhões de hectares de floresta foram desmatados, o equivalente a mais de sete vezes a área do Reino Unido.



Fonte: Anda



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